To Love, To Lose (2025) s01e01 Episode Script

Episode 1

1
EM MEMÓRIA DA NOSSA QUERIDA GÜLENGÜL…
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
O ENCONTRO
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Sou Afife Jale, e este é meu curso rápido
de roteiros e histórias.
Embarque nessa comigo. Mas, antes, inscri…
"Inscreva-se". Afife!
Mas, antes, inscreva-se no canal
e, se gostar do meu vídeo,
clica no botão de curtir abaixo.
O assunto de hoje é o encontro.
O nome diz tudo.
É a parte mais importante de um roteiro.
Por quê?
É quando revelamos as pri…
as primeiras informações
da estrutura e do ritmo da história.
De um lado, temos o protagonista.
Do outro, temos o outro protagonista.
Eles não sabem da existência um do outro.
O ENCONTRO
No início, tudo está calmo e tranquilo.
Afife!
A vida é uma rotina monótona.
Mas não se deixe enganar.
E aí, Afife?
Você não sabe,
mas a tempestade está chegando.
Nossa!
Tudo pode mudar
com uma explosão repentina.
AÇOUGUE DO MACI
Por onde andou, Afife?
Ficamos preocupados.
Liguei, mas ninguém atendeu.
Ninguém veio buscar a carne?
Não é isso. E o programa?
A reunião não era hoje de manhã?
Tanta coisa aconteceu.
- Apresentamos o projeto.
- E?
Disseram: "Para de escrever
e fica no restaurante."
- Não! Eles sabem do restaurante?
- Não sabem.
Foi o seguinte.
- Afife, esse projeto é seu, né?
- Nosso, Sra. Sirin.
Nosso. Defne e Afife escreveram juntas.
Se as coisas todas se encaminharem,
eu assumirei o cargo de produtor.
Será um novo capítulo pra mim também.
- Principalmente depois de ser…
- É sua praia, Afife.
Obrigada.
Vocês se dedicaram muito, mas…
- "Mas" nunca é bom.
- Teve um "mas".
- Pode embalar? Vou à peixaria do Arif.
- O que aconteceu depois?
É a melhor parte. Todo mundo está curioso.
Certo, ela disse "mas". E depois?
Está faltando ação na história.
Não tem brigas, drama, caos.
- O que é caos?
- Coloca caos na história, garota.
Brigas, drama, amor, vingança.
Traição, assassinato…
Coloca o que quiserem. Não seja teimosa.
Que programa você escreveu? O do príncipe?
Amor Real? Aquilo sim era um drama.
- Príncipes são antiquados.
- Não. A série era boa.
- Amor Real foi um sucesso.
- Éramos crianças, Koray. Foi há tempos.
Pega as partes boas da série
e coloca coisas novas.
É garantido. Você vai me agradecer.
Você deveria ser um dos roteiristas.
Pode começar na segunda.
Nossa!
Não fica brava. O que houve no final?
Mais dez dias?
É muito.
Uma semana. Preciso fechar a temporada.
Não posso esperar mais.
Que tal suspendermos sua história?
E vocês voltam com uma nova?
Não sei. O que acha?
- Voltamos em uma semana.
- Uma semana.
Bom. Ótimo.
Ótimo como? Segundo quem, Macit?
Não quero o que eles querem e vice-versa.
Mas o banco quer o pagamento
no início do mês.
Macit, falando em pagamento,
queria perguntar…
Tudo bem se eu pagar a feira hoje
e te pagar amanhã?
- E se eu disser não?
- Desculpa, não pode.
Pra que pergunta?
Melek!
Melek!
Por que não atendem o telefone?
Ia pedir pra fazerem as compras.
Tive que fazer tudo.
Como foi a reunião?
O mundo da TV não sentiu minha falta.
Sevgi! A torneira continua pingando.
O encanador veio?
Cadê a Sevgi?
Sevgi! Onde ela está?
Ela saiu.
- Aonde foi?
- Se demitiu.
Quê?
Ela estava negociando com outro lugar.
Pagam o triplo.
Disseram que achariam outro chef
se ela não fosse hoje.
Como pode ser?
A Nurhan também saiu.
- Precisavam de garçonete?
- Pelo jeito…
Mas a Sevgi deixou tudo preparado.
Ela fez a sopa. Eu fiz os doces.
As entradas frias foram feitas ontem.
Só falta grelhar a carne e fazer o arroz.
Que bondade a dela.
Devia ter perguntado
se precisavam de lavadora de pratos.
Que vergonha! Você ficou.
Então…
- Você também vai?
- Não vou mentir.
Estão oferecendo o triplo do salário
e plano de saúde.
Até vale-transporte.
Você só pagou metade do salário
por dois meses.
Tive azar, você sabe.
O banco está ligando. A geladeira quebrou.
A prefeitura me pergunta da chaminé.
Tudo custa uma fortuna.
Oferecem o triplo mesmo?
- Tá bom.
- Me dá sua bênção.
Melek, posso fazer isso depois?
Estou meio irritada agora.
Estou me controlando,
mas penso: "Não se segura."
São sensações conflitantes.
- E estou com pressa.
- Afife…
- Boa sorte.
- Obrigada.
Mãe!
Mãe!
- Mãe!
- Pois não?
- Já voltou?
- Não…
- E a reunião?
- Foi ótima. Estão doidos por mim.
- Cadê o Ali?
- Fazendo um show por aí.
O que quer com ele?
- Quer um chá?
- Chá?
Preciso de vocês dois. É emergência.
Se prepara! Vou me trocar.
Só eu que estou cansado
Na escuridão noturna?
Meus olhos estão salgados
Em uma praia soturna
Chorei, fiquei acordado
Me tocam ondas diurnas
Meus olhos estão salgados
Em uma praia soturna
Em uma praia soturna
- Que lindo!
- Bravo!
Obrigado. Muito obrigado.
- Obrigado.
- Bravo.
- Erkin Koray?
- Sim.
- Gosta dele?
- Claro.
- Foi muito bom.
- Obrigado.
Sinto muito, não tenho dinheiro.
- Vale alguma coisa?
- Acho que não.
Então…
- Ficou bom?
- Muito.
Licença.
"Volta agora. Rápido.
Imediatamente. Agora mesmo."
Preciso ir.
Até mais.
Me chamo Ali.
- Fidan.
- Muito prazer.
Vou nessa.
- Estamos conversando.
- A doida da família me chamou.
A presilha.
- Está com fome?
- Sempre estou.
Sobe aqui e se segura firme.
- Aonde vamos?
- Sobe.
Tá bom.
- Vamos, se segura em mim.
- Tá.
Mais firme. Isso.
- Vamos. Pronta?
- Sim.
Boa.
Entendi direito?
- Eu serei a chef?
- Só hoje.
A chef, a garçonete e a ajudante saíram.
- Entende?
- Então escreve isto na porta:
"Uma lenda do teatro turco,
a fundadora do Cabaré Kazan
e principal atriz por 20 anos,
Perihan Kazan, é a chef hoje.
Venham ver a decadência dela."
Escreve isso!
- Não dá, muito longo.
- Deus!
Se seu pai visse isso,
morreria de desgosto.
Se ele estivesse vivo,
eu não te pediria. Ele ia cozinhar.
Só hoje.
Não vou cortar cebola nem alho!
Tá, prometo. Tenho um plano.
O Baturay e a Defne atenderão clientes.
O Ali fará as compras.
Alguém precisa lavar a louça!
Belas-artes, é?
Segundo ano. E você?
- Larguei a faculdade de música.
- Impressionante.
Por que largou?
Não era pra mim. Muitas regras.
- Me expulsaram da república.
- Não!
Não é pra mim. Muitas regras.
Família?
Não estão aqui. E a gente brigava muito.
Ah, sério?
Você se surpreende com tudo. Que fofo!
Suat, se você diz que não tem jeito,
não tem jeito.
Preciso de um bom chef. Me avisa.
É urgente, preciso pra ontem.
Vem cá, mãe.
Coloca os doces aqui.
Servimos as almôndegas
com tomates e fritas. Estão prontos.
- Afife, calma.
- Anda logo, ou vai ser um fisco.
Por favor, mãe. Meu amorzinho.
Afife, não consigo cozinhar
se eu perder a calma.
Com essa calma, o restaurante não abre.
- Bem-vindos.
- Obrigado.
Destan, por que demorou?
- Meus amores!
- Papai.
- Bem-vindos.
- Calma!
- Bem-vindo.
- Kemal.
O que foi, papai? Está ferido?
- Bem-vindos.
- Deem um beijo no seu pai.
Se limpem bem antes de irem lá comer.
Bem-vindo, Kemal.
- Deixa isso mais afastado das mesas.
- Pai, rápido!
Essa massa está crescendo desde ontem.
- Bem-vindo, Kemal.
- Bom apetite!
- Bem-vindo.
- Por que veio, querido? Nem precisava…
Não se preocupa.
Deixa eu beijar essas lindas mãos.
- Teve um imprevisto, tivemos que ir.
- Estão todos comendo. Estava na hora.
- Meu noivo!
- Como vai?
Está atrasado.
Bediş, adoro chamar ele de noivo.
Adoro quando ele fica irritado.
Não estou irritado.
- Só estou com vergonha, vovó.
- Pessoas da sua idade já têm netos.
E ainda não são casados.
Você devia ter vergonha disso.
Como dizem os mais velhos?
"Nem tudo é agora, às vezes demora,
cada coisa tem sua hora."
Não usa minhas palavras contra mim.
Não é justo, vovó.
Olha a casa linda que construímos.
Cada coisa tem sua hora.
Eu já te disse
que vocês podiam se mudar pra sua casa.
Como pode dizer isso?
A Neslihan nunca ia conseguir ir embora.
Isso é verdade.
- Como vai, sobrinho?
- Bem, tio.
Neslihan, vem cá.
O empreiteiro Yasin veio pedir mais grana.
Que inapropriado, Kudret.
Falar de negócios durante a refeição.
Ele é igual ao pai.
Mãe, me dá um segundo.
Não vai embora. Vou te dar um prato.
- De quem ele estava falando?
- Do Yasin, vovó, o empreiteiro.
Destan, o que houve com você?
Não foi nada, vovó.
Obrigado, primo.
Eu conheço ele.
Não foi quem falou mal da Neslihan?
E disse pro seu tio:
"Vai deixar o dinheiro da família
na mão de uma adotada?
Ela sequer tem seu sangue,
como vai confiar nela?"
Meu tio já resolveu esse problema.
Falei pra ele que a Neslihan é meu amor.
Assim como minha vó e família.
"Não se mete."
Falou que vai se casar com a Neslihan?
Não falei disso.
Um beijo, minha rainha.
Come direito. Pega um prato.
Um beijo, vovó.
- O que houve com sua perna?
- Foi no futebol.
Quebra a cabeça na próxima.
- Vovô querido.
- Ajuda ele.
- Senta na ponta da mesa.
- Estou bem.
Olha quem ainda está aqui.
Mãe, está resolvido.
Você é inacreditável.
Mesmo num dia como este,
só pensa em negócios.
Mãe, aquele homem veio pra pedir dinheiro.
Esse é o nosso trabalho.
Fazer o dinheiro render mais.
Como posso mandá-lo embora? Certo.
Suas roupas
vão ficar fedendo, filho. Deus!
Quero três com carne picada. Pode ser?
Tio Kudret, tiro o chapéu pra você.
Sou uma mulher de sorte.
Tenho uma família tão unida
e que se ajuda tanto.
Agradeço a Deus por isso.
Mas está faltando alguém aqui.
Muharrem.
Querido.
Vai começar com isso?
Ainda me machuca, filho.
Fazer o quê? Essa é mesmo a minha sina.
Vovó.
Não vamos falar do meu pai.
Vai estragar o clima.
Ele é seu pai, mas também é meu filho.
Kemal!
Quem é esse?
- Quem é?
- Um convidado inesperado.
Tivemos uma reunião hoje.
Que reunião?
Kemal!
Foi mais uma discussão do que reunião.
- Ei!
- Ei!
Ei!
Senta! Vou te arrebentar!
- Senta!
- Tá bom. Calma aí.
Três que não valem por um homem.
Eu trouxe o dinheiro de vocês.
Cada centavo.
Disseram que falta? Como assim?
- Já falei.
- Os juros aumentaram?
Até agiotas têm regras.
Não é minha 1ª vez.
Mandem um oi pro pai de vocês.
Digam que não vou pagar
e que levaram uma surra.
- Kemal, que bom te ver.
- Digo o mesmo, Nuri.
Parece que você fez
uma bagunça por aqui. O que aconteceu?
Estava conversando com seus primos.
Mas eles só enrolam.
Uma hora eles aprendem..
Kemal, na boa,
minha parte está aqui. Eu trouxe tudo.
Você disse hoje, e aqui está.
- Agora os juros aumentaram?
- Meu pai que disse.
Quando me neguei, esse aí tentou me bater.
Aí falei que ia dar uma…
Não sou contador.
Sou só o cobrador.
Mas me diz, isso é justo?
Então dá um tiro em mim logo.
Foi a gente que construiu
uma casa sem autorização?
Fui eu que torrei seu dinheiro em suborno?
Paga o que deve e vai embora.
- Vamos continuar de onde paramos.
- Não, Kemal. Voltem amanhã.
- Terei que matar alguém.
- Diz o que devemos fazer.
- Vou ficar com o dinheiro.
- Não.
Peguem, se puderem.
Não chuta cachorro morto, Destan.
Mandei você ir embora.
Você tem dois dias.
E traz a quantia exata que mandaram.
E se você tentar tocar
na minha família de novo,
vou acabar com você de vez.
Venham, a gente vai chegar atrasado.
- Kemal!
- Ele é louco?
- É aquele rapaz?
- O teimoso do Nuri.
O que foi, Nuri?
- Uma arma!
- Uma arma!
Não se aproximem!
Fui pra casa.
Minha mulher e meus filhos sumiram.
Ela disse ao telefone que destruí
a vida deles, estava tudo acabado.
Ela me deixou!
E com razão.
Eu falei pra você me dar um tiro.
Mas você não deu.
Então, vou acabar com isso.
O que é isso?
Ei, família Yanıklar!
Antes de vocês irem pro Inferno,
se lembrem bem do que estão vendo!
Não é assim que acaba, Nuri.
Vem sentar e me escuta.
Anda.
Senta.
Escuta, Nuri. Você disse
que nunca iríamos esquecer sua morte…
Se apertar esse gatilho,
ninguém aqui vai se lembrar.
Vão voltar a comer.
Você quer se vingar da gente.
Mas você vai morrer.
E ninguém vai dar a mínima.
Somos a família Yanıklar. Somos assim.
Pisamos em você e voltamos pra nossa vida.
Vamos cobrar a dívida.
Da sua família.
Vamos achar sua família,
e ela vai ter que pagar.
Só estou dizendo o que vai acontecer.
Sua família, esposa,
filhos, parentes, todo mundo…
Pensa como eles vão lidar com essa dívida
sem você, sem o seu apoio,
sem o pai por perto.
Vai deixar eles encararem isso sozinhos?
Você que sabe.
Outra coisa.
Não somos nós
que vamos sofrer, vão ser eles.
- O que me resta fazer agora?
- Três meses.
Não três dias, Nuri.
Vou te dar três meses.
Vai conseguir o dinheiro.
Ninguém vai machucar você ou sua família.
Promete?
Prometo.
- Ele pediu pra prometer?
- Sim.
Prometer o quê?
Prometi um prazo de três meses
se ele abaixasse a arma.
Então adiamos as dívidas agora?
Não foi você que adiou, Destan. Fui eu.
Alguém se opõe a isso?
Como faríamos isso, filho?
Fez isso pra proteger sua família.
Mas não pode ter piedade.
Ele que morra.
Não somos instituição de caridade.
Acha mesmo que não sei, tio?
Cadê minha mãe?
- Descansando, a pressão subiu.
- Meu pescoço também está dormente.
Alguém pode me trazer meu remédio?
Kartal, vai!
Alô?
Sim, sou filho dele.
Certo. Entendi.
Tenho que ir ver meu pai.
- Quer que eu vá?
- Não precisa.
Kemal!
Não estou muito bem. Quase esqueci.
Passa neste endereço amanhã.
Ela não atende o telefone.
A dívida dela só aumenta.
Anotamos quanto ela deve e outras coisas.
Vai falar com ela.
- Ela assinou sem ler?
- É assim que fazemos.
Me dá aqui, Kartal.
Şahin.
Destan.
Isso virou a casa da mãe Joana.
Qualquer um entra com uma arma.
Convidamos muita gente.
Nossa família inteira estava aqui.
Ficaram morrendo de medo.
- Onde estavam os seguranças?
- Acharam que ele era da família.
Que maravilha… Manda todos embora.
Mandamos, pai. Não acontecerá de novo.
Deem um jeito nisso.
A casa precisa estar segura 24 horas.
Tá bom?
HARMONIA
CASA DE REPOUSO
Quando seu neto vem?
Ele vem logo.
- Graças a Deus.
- Aqui está.
Obrigado.
Obrigado.
O Muharrem é bem forte, hein?
Foi preciso três pra segurar ele.
Não adiantou pedir pra parar.
Ele gritava: "Gönül."
Você sabe dizer quem é esse Gönül?
Atenção, hóspedes.
A sessão de fisioterapia será realizada…
Tivemos que sedá-lo.
Desculpa, mas está difícil.
Seu pai está causando problemas.
O diretor não sabe,
mas ele fugiu e voltou todo sujo.
Só Deus sabe aonde ele foi.
Não dissemos nada,
mas alguém pode fazer uma reclamação.
Ele precisa de supervisão.
Não sei como faremos isso.
Ele quebrou alguma coisa?
Podemos consertar ou substituir.
Algo mais?
Era só isso mesmo.
Atenção, hóspedes.
A sessão de fisioterapia
será realizada às 16h no jardim.
Atenção, hóspedes.
Nossa dietista estará aqui
o dia todo amanhã.
Não precisa.
- Anda, pega.
- Tá bom.
- Vai ver ele?
- Não.
Talvez na próxima.
Oi, Neslihan.
- Oi, querido. Está tudo bem?
- Não se preocupa.
Já resolvi.
- Tudo bem por aí?
- Sim. A Bediş está bem.
Só estou arrumando nossa casa.
Não fica tão nervoso, querido.
Não se preocupa.
Vou encontrar o pessoal à noite.
O Ferhat vai?
- Ele que convidou.
- Que bom, vai poder se distrair.
Posso ajudar seu pai?
Ninguém pode fazer nada por ele.
O que estou fazendo aqui?
- Não tem ralador.
- Gaveta de baixo.
- Vai terminar o arroz a tempo?
- Acho que sim. Não está aqui.
O que é isto?
Mãe, é spray de pimenta.
Comprei faz tempo.
Spray de pimenta?
Que se usa nas pessoas? Pra quê?
Caso me ataquem!
Era pra assar os bolinhos e ferver a sopa.
Por que não me escuta?
Que horas são? Mãe, vamos!
- Também não tem peneira.
- Licença.
- E isso aqui? Dá pra usar?
- Nunca vi na minha vida.
Que tipo de chef você é?
Não sou chef, só fingindo ser uma.
Mana!
A peneira está aqui.
Mãe! O que está acontecendo?
- Por que não me atende?
- Eu estava tocando pros meus fãs.
- E se tivéssemos morrido?
- Que foi?
- Declarei emergência.
- Por quê?
Minha equipe foi embora.
Chef, garçonete, ajudante…
Minha irmã, Afife Jale.
Amamos ela mesmo desse jeito.
Essa é a Fidan. Minha fã.
Minha mãe, Perihan.
- Bem-vinda, querida.
- Oi. Obrigada.
- É sua namorada?
- Acabamos de nos conhecer.
- E daí?
- Então…
- Oi, querida.
- Oi.
- Quem é você?
- Sou Fidan.
Muito prazer.
- Ali, coloca isto na geladeira.
- Saíram mesmo?
- Não está aqui quem falou.
- Fidan, vem comigo.
Segura isto.
Estamos atrasados.
Ali, esvazia a lava-louças.
Vê se tá limpo,
seca tudo e vê se algo quebrou.
Pode vir comigo, Fidan. Vem.
Por aqui. Pelo jardim.
Como está?
Te deram comida enquanto eu estava fora?
Esse é o Cengaver.
Esse é o Tırsık.
A Cahide.
É meio emburrada, mas tem bom coração.
Vai se acostumar com eles.
Funcionários permanentes do restaurante.
Quantos animais!
Devia se chamar A Arca de Noé.
Boa, nunca pensamos nisso.
O Ali comentou do restaurante.
- Só abrem pro almoço?
- É o que dá pra fazer.
E até isso é difícil.
Por quê?
O imóvel é nosso. A gente mora lá em cima.
O restaurante era de um amigo meu.
Não entendo nada disso.
Ele foi embora?
Se mudou pra Esmirna na pandemia.
Não achei outra pessoa pra assumir.
Não consegui fechar e virei a dona.
- Que engraçado!
- Não é nada engraçado.
Não sei como faremos.
Minha mãe na cozinha, eu atendendo.
Ninguém pra lavar louça.
E não dá pra contar com o Ali.
- O que você faz?
- Nada.
- Estuda?
- É complicado.
Sabe lavar louça?
- Você tem luvas?
- Tenho.
- Pica cebola?
- Faço o que quiser.
Você mora por aqui?
Longa história. Estou sem teto.
- Eu acho.
- Como assim?
Vem comigo.
- Ali, não fica parado. Corta o pão.
- Claro.
A Fidan vai ajudar. Vai picar cebola.
Ela vai receber um bom salário.
Além disso,
vai morar com a gente por um tempo.
Por que não disse que ela não tinha casa?
- Eles não são um casal.
- Mãe!
Pronto. O Ali dormirá na sala.
O turno começa às 9h.
Servimos só almoço.
O serviço termina às 16h.
Depois limpamos tudo,
e aí você fica livre.
Então, tá… A sopa?
Não! A sopa ferveu!
- Defne, por que não atendeu?
- O fogão tem botões demais!
Tanto faz. Vem pra cá.
Traz o Baturay também.
- Sim, ele não atendeu.
- Não desliga! Ai, meu Deus!
- Que se dane o bico dele!
- Ferveu demais?
Precisamos até do Baturay.
A coisa está feia.
É um dia daqueles. Vem pra cá.
Podemos perder a batalha,
mas não a guerra. Rápido!
Cuidado.
- Quer mais almôndegas?
- Não, estou cheio.
Não gostou do arroz?
Adorei, mas estou de dieta.
- Não parece.
- Sério?
- Baturay, pode limpar esta?
- Guardanapos.
Tá bom, eu limpo.
- Quem pediu arroz?
- Eu.
- Bom apetite. Vou voltar pra loja.
- As almôndegas estavam cruas.
Colocou água demais.
O arroz ficou empapado.
Vou tirar o avental!
Vai ameaçar?
Para de choramingar, falta meia hora.
- Bom apetite.
- Obrigada.
- Ali! A conta.
- Vamos.
Hoje de manhã, fui pra reunião
pensando que ia virar um produtor.
Recebi uma proposta pra ser professor.
Mas eu não sabia que ia ser garçom.
Podia estar lavando louça, Baturay.
Vai, não reclama.
A salada vai sair?
Não esquece do azeite
quando for misturar tudo.
Vocês têm sal?
Está tudo bem.
Viu? Demos conta de tudo.
- Graças a você.
- Sério?
Qual é! Você é o pior garçom do mundo.
Concordo!
Como sou inútil, posso faltar amanhã?
Não.
Um aluno meu tem um teste amanhã.
Preciso ir junto.
Sou indispensável nesses momentos.
Eu devia dar aula também. Todo mundo dá!
Vem aqui.
- O que foi?
- Anda.
Passa na minha casa depois.
Vai poder relaxar.
Não, não tenho energia.
Faz tempo que não relaxamos.
- Por isso pedi.
- Já nos acostumamos.
Que tal relaxar limpando as mesas?
Meu Deus!
Está falando do teimoso do Nuri?
Entrou na construção civil e se ferrou.
- Sim.
- Ele sacou uma arma?
Não acredito!
Era blefe?
Senhores.
Quero fazer um brinde
à liberdade do Hasan,
que esteve longe por muito tempo.
Kemal.
Quer dizer algo?
Por favor, será um prazer.
Seja bem-vindo, Hasan.
Desejo o mesmo
a todos os meus amigos aqui presentes.
- Valeu.
- Valeu.
Conheço alguns de vocês
há mais de 20 anos.
- Talvez até mais.
- É, mais.
Enfim, a todos os meus amigos
que cumpriram pena.
Um brinde a todos que considero irmãos,
estejam presos ou soltos.
E especialmente ao Hasan.
- Saúde.
- Ao Hasan!
Um brinde.
- Que bom que voltou.
- Bem-vindo, Hasan.
- Obrigado, Kemal.
- Saúde.
O que vai fazer agora? Vai pra loja?
Moço, por favor!
A conta pra mesa 3.
Acha que ele ia se matar?
Não sei.
Podia ter te matado.
Não sei, Ferhat.
Eu só queria salvar a vida dele.
Por quê?
Ele disse que perdeu os filhos,
que nunca mais ia ver eles.
A vida perdeu o sentido.
Nossa…
Que dia difícil…
Moço, uma garrafinha de raki.
Um chá, por favor?
Você é meu irmão.
Você me conhece melhor que todos aqui.
Tenho muito mais sangue nas mãos
do que vocês.
Se você está cansado,
se quer outra coisa da vida,
podemos abrir uma concessionária amanhã.
Ou uma pousada no Sul.
Pode fazer o que sempre quis.
Pode ir embora sem olhar pra trás,
deitar na praia
e ficar observando as nuvens.
Minha porta está sempre aberta pra você.
Você não parece muito bem.
Fui muito sincero
com aquele homem, Ferhat.
A família Yanıklar é assim.
Eu sou assim.
Infelizmente.
Por isso, não posso ir embora.
As nuvens vão ter que esperar.
- Tudo bem, Afife?
- Tudo.
O Baturay não vem.
Ele vai pro teste de um aluno.
Eu sei. Acho que é mentira.
Não quer ficar de garçom.
- O que fiz pra merecer isso?
- Sua sina é ser minha parceira.
Além disso, você escreve bem.
Não consegui ter
nenhuma ideia a noite toda.
Tenho umas ideias.
- Vamos conversar. Dez dias voam.
- Deram uma semana.
Tenho que vir todos os dias, Afife?
Pra servir as mesas?
Até você? Que bom!
Vou achar alguém.
Não podemos continuar assim.
Acho que a dona Perihan
não vai aguentar muito.
Cortei a mão.
Aquela menina é namorada do Ali?
Não, só uma amiga.
E cadê o Ali?
Vamos, Osman. Vamos, filho.
Uğuray, alguma novidade?
Não. Ele vai fechar mais cedo.
Ahmet!
Me deixa comprar um chá pra você.
Lembra que falei que tudo está tranquilo
antes da tempestade?
Em uma boa história,
e mesmo em uma história não tão boa assim,
a tempestade sempre vira uma explosão.
O encontro que mencionei no início
é o começo dessa grande explosão.
- Licença.
- Sim?
- A Perihan Kazan mora aqui?
- Sim.
Mas ela está no restaurante agora.
- Por que procura minha mãe?
- É sua mãe?
Preciso falar com ela.
Acho que ela está lá atrás.
Entra, vou achar ela.
Fizemos isso no 3º episódio.
Foi tudo cortado.
E qual é sua ideia?
Fidan, viu a chef Perihan Kazan por aí?
- Está na despensa!
- Mãe!
Quem é ele?
- Ele está te olhando. Você conhece?
- Não.
Parece um astro de cinema.
Desculpa, só abrimos mais tarde.
Não vim pra comer.
- Procuro a Sra. Perihan.
- É a mamãe.
- Ela está aqui?
- Do que se trata?
- Olá.
- Olá.
É sobre a dívida.
- Que dívida?
- A que nos devem.
Não devo nada.
Não você, sua mãe.
Minha mãe não deve nada.
Ela nem mexe com esse lance de dinheiro.
Talvez você não saiba.
Sua mãe é Perihan Kazan, né?
- Mãe!
- Sim?
- Sra. Perihan?
- Olá.
- Mãe, conhece esse senhor?
- Nunca vi na vida.
Ela não me conhece.
- Ela não te deve dinheiro?
- Deve a nós.
Desculpa, estou confusa. Quem são vocês?
Por que ela pegaria dinheiro de estranhos?
Eu só cobro as dívidas.
Mãe, vem cá.
Voltem ao trabalho! Nada de descansar!
Oi de novo.
- Não conheço ele.
- Já entendemos.
Olha, eu vou explicar.
A Sra. Perihan pegou um empréstimo
e não pagou, não é?
- Pegou um empréstimo?
- Preciso baixar o fogo.
- Mãe, não sai daí. Continua.
- Ela nos procurou há um mês.
- Já faz um mês?
- O quê?
Parece que ela não comentou com você.
É normal.
Mas ela não fez nenhum pagamento.
Também é normal.
- Então, nós aumentamos os juros.
- Você fica dizendo "nós". Quem são?
Auxiliamos quem precisa de dinheiro
e não consegue pegar com o banco.
- Não entendi.
- Me deixa terminar.
Ela parou de nos atender.
O principal não foi pago.
Escuta.
Vou te mostrar.
Aqui. Este é o principal.
Estes são os juros.
Esta é a data.
E este é o valor atual da dívida.
Isto é um zero?
- É por ano?
- Por mês.
São os juros?
É sério?
- Mãe!
- Entendo que é meio repentino.
Está dizendo que essa mulher
pediu dinheiro emprestado a vocês
e não pagou?
E você veio cobrar a dívida
com juros nas alturas, e nem é do banco.
E eu não fazia ideia disso.
Exatamente.
Mãe, você ouviu isso?
Olha, não vamos poder pagar.
Se soubesse da nossa situação,
você ia chorar.
Ia se afogar em lágrimas.
Chama a polícia, se quiser.
Depois conversamos.
Não podemos pagar nem se quiséssemos.
A situação está difícil.
Não diz isso.
- Não?
- Diz que dará um jeito.
Se quiser, posso falar isso,
mas você não entendeu.
Você que não entendeu.
Duvido muito.
Vocês vão pagar.
E se não pagarmos?
Nunca deixei de receber um pagamento.
De um jeito ou de outro.
Recomendo que não façam isso.
Vocês vão pagar
a dívida e os juros.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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