To Love, To Lose (2025) s01e02 Episode Script

Episode 2

1
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
O CONFLITO
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Esta é mais uma aula
do Curso Rápido de Roteiro de Afife Jale.
- Vocês…
- A sopa ferveu de novo!
Vamos aprender? Sejam bem-vindos.
Inscrevam-se no canal
e cliquem no botão de curtir abaixo.
Clicaram? O assunto de hoje é o conflito.
Essencial pra toda história.
Vou dizer uma coisa.
Conflito não significa
só personagens discutindo.
É qualquer coisa
que atrapalhe e mude o rumo da…
de uma história.
O conflito atiça a curiosidade
e nos faz querer continuar vendo.
O conflito é a parte mais importante
da dialética e da vida.
O CONFLITO
Nunca deixei de receber um pagamento.
De um jeito ou de outro.
Recomendo que não façam isso.
Vocês vão pagar a dívida e os juros.
Querida, não é o que você pensa.
Quer dizer, não é bem assim.
Falei para mim mesma…
Digo, não pra mim mesma.
Quando o Baturay me falou disso…
O Baturay? O nosso Baturay?
O que ele tem a ver com sua dívida?
- Quem?
- O namorado dela.
Fica quieto.
Por que o Baturay, mãe?
Por quê? Sempre conversamos
e tentamos achar soluções.
Ele me ajudou.
Ele te ajudou? Ele nem consegue se ajudar.
Como te ajudaria?
Afife, o que foi?
Parece que o Baturay
está ajudando minha mãe.
- Como assim, Afife?
- Não foi bem assim.
O que eu quis dizer…
- Afife?
- Sim.
Afife Jale?
A gente se conhece?
Então, pra amarrar tudo,
como um famoso roteirista disse,
embora eu não concorde 100%,
a força mais poderosa da vida
é o amor entre duas pessoas.
Isso significa que é
o que o público mais gosta de ver.
- Amor, né?
- Sim, professora.
Histórias de amor são as mais impactantes.
Se tem amor, a estrutura narrativa…
Lembram que falei disso?
Segundo essa estrutura,
o amor deve ser o principal elemento.
Se incluírem amor na história,
especialmente se for um amor impossível,
contem essa história.
- Entenderam?
- Sim.
Falaremos mais disso depois.
- Valeu, professora.
- Obrigada.
Podemos tirar uma foto com todo mundo?
- Tudo bem?
- Claro.
Fica aqui. Vamos organizar tudo.
Todos em volta da professora.
Vamos tirar uma foto.
Não muito perto.
Vem pra cá.
- Não perto demais.
- Um pouco mais perto.
Pronto.
Lá vai.
Isso. Não se mexam.
Ótimo.
Você não é roteirista?
- Sou.
- Ela é.
Eu também sou.
Você era a professora
das nossas aulas de roteiro.
- Onde?
- Há muitos anos, na prisão de Kartal.
- Preso político?
- Foi um crime comum.
Não gosto do termo "contravenção".
Era uma atividade
da associação dos roteiristas.
Uau! Professora Afife.
Adorávamos as suas aulas.
Líamos os livros, anotávamos tudo…
Aprendemos muito com você.
A estrutura, os personagens… Digo…
Tivemos outros professores,
mas não tão bons quanto você. Foi assim.
- Viram? Quem diria?
- Não é?
Primeiro, espero que consigam
resolver logo essa situação.
Vamos dar um jeito.
Você não ouve sua professora?
Não tem nada pra dar um jeito.
- Você não entendeu.
- Você que não entendeu.
Vou te explicar melhor, então. Olha.
Sabe o que é isto?
NOTA PROMISSÓRIA
- Um papel.
- Sim. O que tem embaixo?
Uma assinatura.
- A assinatura da minha mãe.
- É basicamente uma garantia.
Pro caso de a pessoa não pagar a dívida.
Sua mãe assinou esse papel.
Temos que nos resguardar.
Escrevemos aqui
o montante que ela nos deve.
Depois, cobramos. É como nos resguardamos.
- É mesmo?
- É.
- Não tem mais papel. E agora?
- Acha mesmo que eu traria o original?
É uma cópia.
O original está no nosso cofre.
Eu só queria explicar a situação.
Mas parece que não entendeu.
Vocês precisam ter uma conversa primeiro.
Depois conversamos sobre o resto.
Senão, as coisas não vão acabar bem.
Ainda que eu admire minha professora.
Sou Kemal Yanıklar. Esse é meu cartão.
Depois nos falamos.
Terminei cedo e vim ajudar.
Yasin, ainda não conversamos
sobre o negócio da construção.
Quando veremos o canteiro de novo?
Certo. Quando você voltar.
Nos encontraremos lá.
Me avisa que vou pra lá, tá bom?
Se cuida.
- Voltei.
- Mehmet, traz um chá.
Pai, os diamantes indianos chegaram.
Coloquei no cofre.
Bom trabalho.
- Neslihan.
- Oi, tio. O Kemal está vindo.
- E o Destan?
- Chegará logo.
Conversamos sobre a obra com o Yasin.
- Eu sei. Ele está em Ancara agora.
- Eu soube.
Ele disse que vai conseguir as licenças
pelo valor combinado.
- Ótimo.
- Obrigado.
Mais um dia de pagamento, hein?
Obrigado.
Ontem fiquei pensando.
Aquele cara queria se matar
na frente da minha família toda.
Por quê? Porque eu cobrei meu dinheiro.
A polícia de um lado
e os malucos do outro.
Minha nossa…
Cansei. Não quero mais isso.
Neslihan, precisamos pressionar o Yasin.
Se conseguirmos aquela área
por esse preço, nossa vida vai mudar.
Vai dar tudo certo.
Ele disse: "Vamos destruir o bairro
e construir o que quisermos."
- O Yasin quer isso.
- Ele não é bobo, sabe qual é o lucro.
Poderíamos construir
uma cidade inteira lá.
Me mostra os números.
- Não finalizei, mas já adiantei bastante.
- Tudo bem, vamos dar uma olhada geral.
- Bom dia.
- Bom dia.
Tio, anotei tudo que gastamos até agora…
Adoro o dia de pagamento.
Melhorou um pouco, mas não muito.
Então, é por volta de…
Ele economiza pra decorar nossas lápides.
- Certo.
- Qual é o assunto?
Vamos deixar de ser agiotas
e começar a investir
em prédios e shoppings.
Mas deixar de ser agiota não é fácil.
O mesmo de sempre.
Ele está falando sério.
E a Neslihan topou.
Cara ou coroa?
Para, ele vai perceber.
Falou com ele sobre o carro?
Pergunta pra ele. Você é grandinho.
O que está dizendo?
- O que, pai?
- Não calou a boca desde que chegou.
Chega, Mehmet!
Você entra e sai o tempo todo!
Estão fazendo um negócio sério, pai.
Não precisam da gente.
- Está debochando de mim?
- Claro que não.
- Acha que recebeu pouco?
- Não é isso.
Seja corajoso. Só uma vez.
Diga: "Sim, pai.
É pouco. Eu quero mais.
Me pague melhor." Diga logo.
- Vai fazer alguma diferença?
- Não.
Mas continuarei falando
até entrar na cabeça de vocês.
Tudo o que ganhamos é de vocês.
Sejam pacientes.
Eu e ela estamos dando duro
pra conseguir valorizar esse dinheiro.
O que isso tem a ver?
Bom dia.
Bem-vindo, Kemal.
Parece que está irritado, tio.
A família anda te dando trabalho?
São todos iguais.
Dar e pegar dinheiro. Dar e pegar.
Ficar cobrando. Até quando isso?
E ficam nos chamando por aí
de agiotas e bandidos.
Isso não é crescimento.
Isso é reputação.
É pra isso que trabalhamos,
por isso quebramos a cabeça.
Com esses dois.
- Foi o que falei pro Şahin.
- Não.
Falou que vou levar o dinheiro pro caixão.
Vou repetir
quantas vezes forem necessárias.
Nesse negócio,
quem fica ostentando nunca se dá bem.
Se você dirigir uma Ferrari,
vão acabar indo atrás de você.
Tanto os policiais quanto os vagabundos.
Acha que Kemal não pode ter um SUV?
Por que ele dirige aquela lata-velha?
Qual o ano do seu carro?
É de 1991, pai.
Aí está.
Se não concorda comigo,
a porta da rua é ali.
- Pai…
- Não me interrompa!
Até mudarmos de ramo,
até começarmos
a ganhar dinheiro legalmente,
seja construindo shoppings ou cidades,
é assim que será.
Depois, vou te dar sua parte,
aí você pode fazer o que quiser.
Compra um jato, se quiser.
Quando eu me for,
vocês vão arruinar esta família em um mês.
Não vocês dois. Vocês dois.
Podemos entrar?
Onde vocês estavam?
Sabiam da reunião!
Por que se atrasaram?
Todo membro do clã Yanıklar é preguiçoso.
- Vocês não prestam pra nada.
- Não diz isso, tio. Foi o trânsito.
Peçam chá ou café.
Aqui estão os envelopes.
Vamos trabalhar.
- É o certificado de ações?
- Quase.
É um extrato do certificado de ações.
Significa que você e a mamãe
investiram em ações.
Pegaram dinheiro de um agiota
pra investir em ações.
- Isso.
- Você ficou maluco, Baturay?
Querida, vou explicar de novo.
Essa ação é especial.
Muito em breve,
vai ser comprada por uma empresa coreana.
Assim que anunciarem isso,
o valor da ação
vai multiplicar por 10 ou até 20 vezes.
Que bobagem…
- Não mexe no cabelo. É irritante.
- Querida, as ações vão subir.
Vamos multiplicar o dinheiro
e pagar a dívida.
Não só a dívida dos agiotas. Todas.
- Planejei tudo.
- Acredita nisso?
Digamos que sim.
Por que procurar um agiota?
E por que levar a mamãe?
E por que fazer isso pelas minhas costas?
O que deveríamos fazer? Hein?
Temos dinheiro?
Não.
Mas temos ideias. Temos oportunidades.
- Era a única opção de conseguir dinheiro.
- Desde quando a máfia é uma opção?
Não, não são da máfia.
São tipo um banco informal.
Você que achou eles, Baturay?
Falei que você estava ocupada
escrevendo um programa.
- Decidimos juntos.
- Vocês sabiam disso?
Por que não contaram pra Fidan?
Coitada, se sentirá excluída.
Querida, é só esperar.
Vão anunciar a venda em dois dias.
As ações vão subir.
Vamos pagar as dívidas
e a viagem do Ali pra Berlim.
- Berlim?
- Berlim, na Alemanha.
O que tem lá?
Falamos disso, lembra?
Kerem, o engenheiro de som?
Ele ia conseguir um emprego lá
e me levar junto.
Ela não lembra.
Nada de Berlim. Esquece isso.
Vai todo mundo pra cozinha!
Sinto muito, vou pra Berlim.
- Não pode ir.
- Ele pode, Afife!
A grana chega em dois dias.
Aquele cara disse alguma coisa
sobre juros do empréstimo.
Ele mostrou um papel.
Disse que o original está num cofre.
Dois dias. Vai dar tudo certo.
Não sei quem tá mais iludido.
Não dá pra contar com vocês.
Preciso achar um bom advogado.
O Macit conhece alguém.
Querida, fica tranquila.
Se quer se preocupar, beleza,
mas não podemos recorrer por vias legais.
Não tem jeito.
A assinatura é prova do contrato.
Todos sabem.
- Como assim?
- Você sabe.
Se não pagarmos a dívida a tempo,
não que vá acontecer,
eles pegam o valor de um imóvel
que sua mãe deu como garantia
naquele papel.
"Eu, Perihan Kazan,
devo isso pra fulano" e tal.
Mas não vão fazer isso.
Era só esperar dois dias.
- Ele estragou a surpresa!
- Chega, Baturay!
Não consigo respirar enquanto fala.
Se não pagarmos,
perderemos a casa e o restaurante!
A partir de agora, precisam me avisar
até se forem ao banheiro!
Chega de segredos!
- Chega.
- Chega.
Chega.
Não sei…
Cuidou de tudo?
- Nem pergunta.
- Por quê?
Tem uma chef
que mora em cima de um restaurante.
O tio me disse.
É o de sempre.
A mãe fez um empréstimo e não disse nada.
Avisei do prazo e foi uma confusão.
A filha é louca, não quer ouvir.
Você vai cuidar disso.
O que devo fazer?
Elas não entendem.
Alguém precisa dar um jeito.
Vai rindo…
Se fosse um cara, eu mesmo resolvia.
- Amanhã?
- Claro.
Você me atualiza no caminho.
Vamos resolver, meu noivo.
Kadir, levanta um pouco.
Vou puxar a mangueira. Espera, está presa.
Vai ficar enrolada.
Que foto legal. Quem é?
Stella Adler. Minha mãe adora ela.
- Atriz?
- A maior de todas.
Minha mãe teve aulas com ela em Nova York.
- Não te contou?
- Não.
Ela vai contar.
- Podem dobrar isto aqui?
- Claro.
Fidan, fica à vontade
pra pegar qualquer roupa minha.
Obrigada.
Mana.
- É tão grave assim?
- É.
Se a gente não pagar,
vão tomar a casa e o restaurante.
O que faremos?
Não sei.
Você foi professora dele na prisão?
Não me lembro.
Seria difícil esquecer ele.
Né? Ele era bonitinho.
Não, juro que não lembro.
"Nenhum professor
era tão bom quanto você", ele disse.
- Cala a boca!
- Ele estava de olho em você, né, Fidan?
- Vou descontar em você.
- Minha garganta! Solta!
- Continua aí no seu tratamento de beleza!
- Me solta!
Volta aqui!
Não foge!
UM DIA QUENTE
Hurşit.
Meu querido marido.
Eu fiz besteira
e agora não sei o que vamos fazer.
Se estivesse aqui, você diria:
"Daremos um jeito, minha rainha".
Talvez a gente não desse um jeito,
mas você ia me confortar.
Sou tão idiota!
Falei: "O valor é por mês, chef?"
Ele riu e disse que era por semana.
É um bom chef, mas não podemos pagar.
A torneira está pingando de novo?
Esse Baturay! Ele disse que consertou.
Afife, eu sou limitada.
Você reclama, não importa o que eu faça.
- E prometeu que era temporário.
- Foi antes de você arruinar nossas vidas.
Você é a chef agora.
- Meu bem. Minha pobre filha.
- Minha mão.
- Achei que você não vinha mais.
- Olá.
Não terminamos nossa conversa ontem.
A Neslihan vai explicar melhor.
- Neslihan?
- Ela é a gerente de finanças.
Ela cuida do dinheiro.
Não sei o que ainda falta explicar.
Muita coisa. Estamos apenas começando.
Tecnicamente, sua mãe é a mutuária.
Mas parece
que precisamos te convencer, certo?
Sim, se não se importa, por favor.
Vamos nos sentar?
Sentem-se.
Mana.
- Sua mãe vem?
- Não, ela está ocupada.
Ela não entenderia mesmo.
É por isso que estão aqui.
Aqui é um restaurante.
Temos que preparar tudo antes do almoço.
Vamos definir um plano.
Como não pagaram a dívida,
adicionamos juros.
- Como assim?
- Preciso repetir?
Até quitar a dívida,
pagará os juros mensalmente.
Não, eu não sabia disso.
É problema seu.
Vou explicar como os juros são pagos.
Digamos que vocês ganhem 100 liras.
Vocês ficam com 40%.
Os 60% restantes são nossos.
- Quê? Como assim?
- Eu andei pesquisando.
Um restaurante desse porte lucra
mais de 30 mil liras só no almoço.
Ficaremos com 60%.
É assim que vão pagar os juros.
- E como vamos viver?
- Com os 40% que sobram.
- Sério?
- Vocês não têm escolha.
Se os juros acumularem,
nunca conseguirão pagar.
Quando pagaremos?
Todo dia.
A gente vem, espera,
você dá o dinheiro e vamos embora.
- Todo dia?
- Pra evitar complicações.
Pra não escondermos nada do lucro, né?
É uma maneira de ver as coisas. Sim.
Ele que vem pegar?
Temos outros amigos.
Pode ser o Sr. Şahin,
o Sr. Kartal ou o Sr. Destan.
Ou eu, se necessário.
- Também pode ser o Sr. Kemal.
- Então, alguém vem.
Não queremos te causar problemas.
Queremos cobrar a dívida
e seguir em frente.
- O que foi, Afife?
- Logo a gente conversa.
É a sua mãe? Olá, Sra. Perihan.
E também tem o valor principal.
- Vamos pagar, senhorita.
- Mãe!
Venderemos umas ações em alguns dias.
Quem me emprestou
foi o rapaz de olhos verdes.
- Eu expliquei pra ele.
- Mãe!
- Chega de aula de finanças.
- Será mais fácil se aprender matemática.
E se não entendermos a matemática,
ele virá pra nos ensinar à força?
Não, professora. Claro que não.
Não haverá problemas, prometo.
Pode entrar em contato quando quiser.
Ah, eu pergunto uma coisa pra todos.
Você é de Áries, né?
Sou.
Viu?
- Mana, o que foi?
- Achei que ia demorar pra falirmos.
Mas vai ser rápido.
Mãe. Como são as pessoas de Áries?
Iguaizinhas a você.
- Aulas de roteiro? Não acredito.
- Só me inscrevi por tédio.
- Quando?
- Quando foi a última vez que fui preso?
Por volta de 2017.
Kemal, o roteirista? Eu não fazia ideia.
Por isso chamou ela de professora.
Ela era uma boa professora.
Eu sabia que ela era de Áries!
Não sei quanto ao signo,
mas ela não bate bem da cabeça.
Ela não é normal.
Com certeza, não.
Viu como ela mexia no band-aid?
Totalmente obcecada. E não parava de suar.
Estava tensa.
É o maior defeito dos arianos.
Brigam até com a própria sombra.
Credo!
Tentei te mandar um sinal, mas…
- Melhor você ir.
- Tá bom.
- Se não puder, eu vou.
- Não.
Quando tudo se ajeitar, os rapazes vão.
Claro. Eles são idiotas.
Precisamos ficar de olho neles.
Pois não?
Posso ir amanhã?
Tá bom, estou indo.
Não conseguem nem dar conta de um homem.
- Preciso ir ao asilo.
- Foi lá há pouco tempo.
Ele vive causando problemas.
Sr. Kemal, não sabíamos o que fazer.
Ele fez de novo recentemente.
Não é só ele que se machuca.
Estão reclamando.
Ele não toma os remédios.
Ataca quando tentamos dar.
Acabei de descobrir
que ele tem fugido à noite
e volta todo imundo.
Coberto de poeira e sujeira.
Limpamos, mas não adianta.
O senhor nos ajudou muito.
Mas pode levar o Sr. Muharrem embora?
Quanto antes, melhor.
Talvez mais perto do senhor.
Por favor, tenta entender.
Está na hora de tomar um sol.
Vamos, Sr. Ahmet.
- Vamos sair.
- Vamos.
- Vamos.
- Vamos.
Prezados hóspedes,
está na hora de tomar um sol.
Prezados hóspedes,
está na hora de tomar um sol.
Podem ir para o jardim.
Não andamos muito hoje,
mas o dia tá lindo. Vamos.
Então, vamos comer.
Tá bom, mas vamos comer no jardim.
É o Sr. Kemal?
Sim, senhora?
Já te vi por aqui antes.
- É filho do Sr. Muharrem.
- Isso.
Sente-se.
Eu me canso rápido.
Seu pai grita muito.
Principalmente à noite.
Mas já nos acostumamos.
Tem casos piores.
Ele é um homem gentil e educado.
Meu neto me deu
um celular com câmera.
É a ideia deles pra me vigiar.
Eu tiro fotos de pássaros e flores
pra me manter ocupada, como uma criança.
Não dormi essa noite.
Fico andando por aí quando isso acontece.
Preciso te mostrar uma coisa.
- Essa Gönül devia ser show!
- Escuta.
Vou te afogar na privada
se gritar o nome dela de novo.
E para de voltar fedendo a lixo!
Todo dia levamos bronca por sua causa.
Você trabalha em obra?
Não bate no rosto! Fica parado.
Babaca!
Senta! Não levanta!
Seu maldito!
Para! Seu animal!
Achei que você deveria saber.
Você deveria ir lá fora
aproveitar esse lindo dia.
Cara, não!
Cara, para!
É uma longa história, Neslihan.
Acabei de trazer ele.
Não precisava.
Por que você saiu sem me avisar?
Senta.
Não sei.
Traz algo pra comer.
Sim, pode ser sopa. Obrigado.
Está com dor?
Espera.
Deixa eu ver.
Filhos da puta.
Neslihan, precisamos ligar pro asilo.
Não, não tem nada a ver com a alta.
Você cuida do dinheiro depois.
É só dizer que eu saí depressa
e pedir desculpas pela bagunça.
E que irei de novo
se os caras ainda estiverem lá.
Ele vai entender.
Se não entender, eu explico.
Espera.
Se vira.
Sr. Muharrem.
Deve estar se perguntando
o que está fazendo aqui, né?
Está aqui
porque o asilo não te quer mais lá.
Dizem que grita muito.
Você grita "Gönül" o tempo todo.
Dizem que você foge à noite
e volta coberto de sujeira.
Não aguentam mais te limpar.
Me mandaram levar você.
E então me perguntei uma coisa.
Como um homem pode…
passar 40 anos…
balbuciando o nome de uma mulher
que abandonou ele e o filho
por outro homem?
Você é…
uma vergonha,
um homem patético e fraco.
Tenho vergonha de você.
Sua família também tem.
Você não vale nada pra gente, sabia?
Me chama do que quiser.
Mas não fala mal dos mortos.
Com licença?
Macit!
- Eu pedi um ayran.
- Fecha a porta, por favor.
- Colocou iogurte de alho?
- Coloquei o que tava na minha frente.
Cadê meu arroz?
Já te dei!
- Não peguei!
- Não fica aí parado. Sai!
Um refrigerante.
Afife!
- Tive uma ideia pra uma série.
- Defne, agora eu não posso!
Não reclama
quando a emissora vier perguntar.
- Eu já trouxe seu arroz, senhor?
- Não.
Foi o que pensei. Bom apetite.
Seu mantı.
- Colocaram alho?
- Espero que sim.
Quero uma sopa…
Kemal, pega isto aqui.
Senhor Muharrem.
Bem-vindo.
Ele perdeu muito peso.
Sr. Muharrem, o senhor parece tão cansado.
- Mal consegue respirar. O que faremos?
- Estou exausto.
Liga pro doutor Halil. Diz pra vir agora.
- Ou melhor, leva ele até lá. Vamos.
- Amanhã.
Como assim?
Amanhã? Olha pra ele!
Ele está fedendo. Está louco?
Vai pegar ele. Anda.
- Vou preparar comida.
- Você estragou tudo aqui também.
Não diz isso, Kemal.
Não gosto dessa cara, Macit.
- Não reclama.
- Não falei nada.
NÃO ACEITAMOS CARTÃO DE CRÉDITO
- Desde quando?
- Hoje.
Afife, isso está parecendo uma ditadura.
É temporário.
Pra melhorar o fluxo de caixa.
Deixa uma boa gorjeta.
Mais.
Fala pra ela esquentar a sopa direito.
Sopa yayla. Lembro que o senhor gostava.
Vamos lá.
Vamos lá.
Abre a boca. Vamos.
Por que está se comportando assim?
Está magoando seu filho.
Ele parece irritado, mas conheço ele bem.
Está sofrendo.
Você está punindo ele, não você.
Por quê?
Ele foi preso por sua causa.
A vida dele ruiu.
Por que ainda faz isso?
Você me odeia,
não é?
O Kemal também.
É mais do que ódio.
Vocês têm razão.
Mas, meu bem…
sei que causei muitos problemas…
mas talvez houvesse
outras coisas por trás disso.
Talvez…
Talvez tenha acontecido outra coisa.
O que você viu
não era o que parecia.
Beleza, continua.
Anda, mais rápido.
E se terminarmos
minha história do psicólogo?
Não. Estou cansada de psicólogos.
Eu andei pensando em uma coisa.
Não é definitivo. Quer ouvir?
Íamos falar com a professora Latife
sobre o protesto das mulheres.
- De onde surgiu isso?
- Acabei de lembrar.
Falei que a gente
ia escrever as declarações.
Vamos escrever. Quer ouvir minha ideia?
Estou cansada, Defne.
E um pouco tonta.
Tá bom.
Conversamos amanhã.
Tenho uma pergunta.
Ser ariano é ruim?
Era melhor ter ido pra emergência.
Ele está péssimo.
- Os hematomas vão sarar, mas…
- Ele mal consegue respirar.
Os remédios vão ajudar esta noite.
Mas precisam levar ele.
Pra fazer um check-up completo.
Será difícil.
- Assim que possível. Eu te acompanho.
- Eles vão amanhã, doutor.
Certo, até amanhã.
Temos muito o que fazer amanhã.
Vou à casa daquela doida.
Como vou levar ele?
- Eu levo, então.
- Não.
Então, você leva.
Posso cuidar das outras coisas.
- Kartal vai à concessionária.
- Não.
Tá bom?
Quer que eu fique?
Ah, não vai dar,
avisei que ia jantar com eles hoje.
- Eles sabem que ele está aqui?
- Não, não falei nada.
Ótimo.
NESLİHAM
- Posso atender?
- Claro. Atende, Destan.
É urgente?
Claro que é.
O Kemal estará ocupado amanhã.
Te mandarei um endereço.
Vai pegar o pagamento diário, tá?
- Manda.
- Onde você está?
Pescando com amigos.
Pra que você quer saber?
Ele é esperto e quer aprender.
Nunca ficou longe da mãe desde que nasceu.
Minha nossa!
Ouviu isso?
Ouvi, pai.
- O que será que ele entende?
- Não muito.
Todos riem do louco.
Ninguém sabe do que ele ri.
Estou morrendo de fome.
Esperem. Saiu a última temporada
da minha série favorita.
Pode mudar, querida.
- Falou com Destan?
- Sim. Ele fará a cobrança amanhã.
- E o Kemal?
- Tem um compromisso. Eu cuidei disso.
- Onde o Destan estava?
- Indo pra casa.
Bediş, depois do episódio,
pode ler minha sorte?
Não posso ficar até o fim,
mas faço isso amanhã.
Tá bom.
É emocionante. Acho que o Halit
vai se declarar nesse episódio.
Quem é Halit?
O bonitão.
Mas o Kemal é mais bonito.
Quando ele dormiu?
Vou colocar ele na cama.
- O Destan foi apostar de novo?
- A Neslihan sabe onde ele está.
Mas finge que não sabe.
Liguei pro Haldun, o Rei.
Ele disse que o Destan está lá.
Claro que ela sabe.
Só não diz.
Ela nunca diz.
Ela sempre protege ele.
Você teve um pouco de azar
com seus filhos, Kudret.
Um pouco?
Vivo dizendo que vou me aposentar.
Mas aí penso: "Quem vai assumir?"
O Kemal? O filho do meu irmão louco.
Essa garota?
Nossa filha adotiva.
E os meus filhos?
Tenho três filhos, um diferente do outro.
Parece que são de mães diferentes.
Fico pensando se tem algo errado.
Um quase não fala.
O outro parece criança.
O outro fica apostando.
Um trapaceiro. E mentiroso.
Olá.
Cara ou coroa?
Como é?
Amigo, cara ou coroa?
Pode ser cara.
É o destino.
Toma.
Toma, cara. Fica com tudo.
Valeu, cara.
PRODUÇÃO AGRÍCOLA
É o restaurante da esquina.
Chama-se Afife. Achou?
Achei, garota.
Está bem na minha frente. Não sou idiota.
- Consigo um adiantamento?
- Destan, recebeu seu envelope ontem.
Tem a mensalidade do garoto.
Eu que pago isso.
É pro ônibus escolar. Não me faz implorar.
A barulheira ontem era da escola?
Está apostando de novo.
Se o tio descobrir que te dei grana,
já era pra mim. Você que se vire.
- Dois ayrans.
- Olá. Bem-vindos.
A Neslihan me mandou.
Eu… Nós viemos cobrar o pagamento.
Sou Destan Yanıklar.
Esse é Şahin Yanıklar.
Ficaremos por aqui.
Vamos embora depois do pagamento.
Vão esperar aqui o dia todo?
Até vocês fecharem.
Vamos ficar de olho.
Ficarei perto do caixa.
- Obrigada.
- Do lado da janela, bem fresco.
Quero um café com açúcar.
Alô, Haldun?
Por que não estava me atendendo?
Preciso de crédito pra hoje à noite.
Eu pagarei na semana que vem.
Quem disse isso?
O meu pai?
Eu que estou pedindo emprestado, não ele.
Como assim, não pode?
O famoso Haldun, o Rei,
agora recebe ordens dele?
Alguma vez deixei de te pagar?
Isso é um insulto, Haldun.
Ele parece estranho. Cuidado.
Tá bom, então.
Tá bom.
Afife, pode trazer uma água?
Moça, cadê meu café?
Aqui é um restaurante, não uma cafeteria.
Tem uma cafeteria do outro lado da rua.
Você fala muito, moça.
O que é isso?
"Moça"?
Cara, espera. Eu busco lá.
O que estão fazendo?
Melhor não mexer com eles.
Ele parece problema.
Afife, é esse o cara?
É um deles. Tem vários.
Fica calma, Afife. Isso tudo vai passar.
Tomara.
Kemal.
Como falei, ele está em frangalhos.
Ele apanhou muito.
A hemoglobina está muito baixa.
Sem sistema imunológico.
É como se estivesse tentando se destruir.
Vou prescrever muitos remédios.
O soro ajudará, mas ele precisa repousar.
Ele pode desmaiar a qualquer momento.
Vamos, senhor.
Dr. Canan Ardıç,
por favor, compareça à recepção.
VOCÊ PERDEU
Aqui.
- O que é isso?
- Um expresso longo.
- E pedi um, por acaso?
- Não, mas foi o que eu trouxe.
Fica no caixa.
- Tô de boa aqui.
- Şahin, fica no caixa.
- Precisa mesmo ficar aqui?
- Não.
Sim, ele precisa. Nunca se sabe.
Às vezes, as coisas somem.
- Moça, traz algo pra acompanhar o café.
- Sou a Fidan.
Um belo nome. O que significa?
- O que você quer?
- Ali, sai daqui.
Pessoal, pra dentro. Voltem ao trabalho.
Qual é seu nome?
- Destan.
- Destan.
Preciso desta mesa.
Fica numa menor no jardim
e libera esta pros clientes.
Tô bem aqui.
Não perguntei como está.
Mandei você mudar de mesa.
Está sendo grosseira desde que cheguei.
Isso não é vida.
Olha, esse aqui já tá no caixa.
Pode ir lá pra fora.
- Está me expulsando?
- Se fosse isso, eu ia deixar mais claro.
Só pedi pra ir sentar lá fora.
Que atuação!
Olha como fala!
Perdeu pontos comigo quando falou "moça".
É mesmo?
E se eu ficar aqui?
Olha esse seu maldito café, cara!
Amigo, chega. Mais respeito.
- Não sou seu amigo!
- Sai daqui!
Não cheguem perto de mim!
- Sai! Chega!
- Saiam! Não cheguem perto de mim!
- Não cheguem perto!
- Pode vir!
Me solta, cara!
- Chega, babaca!
- O que você está fazendo?
- Tudo bem?
- Levem ele!
- Meus olhos!
- Não! Eu tenho asma!
Larga esse emprego, então!
- Vou chamar a polícia.
- Saiam! Isso arde!
Chamem a polícia!
- Todos pra fora! Andem!
- Saiam!
Ei! Şahin!
- Şahin!
- Neslihan?
Sim, eles vieram aqui.
Não sei. Causaram problemas.
Falei que isso ia acontecer.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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