To Love, To Lose (2025) s01e03 Episode Script

Episode 3

1
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
O CAOS
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Bem-vindos. Sou Afife Jale,
sua roteirista de plantão.
Como devem saber,
este é o hospital dos roteiros.
Quem curtiu e se inscreveu
tem atendimento prioritário.
Não vou repetir sempre.
O assunto do curso de hoje é o caos.
O que é caos?
É a crise criada por um evento inesperado.
Por exemplo, um acidente de carro fatal.
Ou então uma morte ou traição
que afeta todo mundo.
É como uma bomba.
O rumo da história
é modificado de maneira drástica.
Nossos personagens precisam criar
uma nova ordem no meio desse caos.
Por exemplo…
Espero que nada de ruim aconteça com ela.
CAOS
- Vai demorar?
- A polícia mandou esperar.
O que houve, Macit?
- Não entra, espera aqui. A Afife surtou.
- O quê?
- O que houve?
- O Destan.
- O que foi desta vez?
- Briga, gritaria, ameaças, agressão…
- É culpa minha, mandei ele pra cá.
- Algum ferido?
A professora doida
usou spray de pimenta nele.
Precisa ver a cara dele.
Spray de pimenta?
- E a polícia?
- Lá dentro.
Ela disse que vai prestar queixa.
O Destan disse que também vai.
O que deu nele?
Basicamente tomaram o restaurante.
Şahin, você está bem?
- Hein?
- Desculpa, mano.
O Destan perdeu a cabeça.
Cadê ele?
Lá dentro.
Pra mim, já deu, Kemal.
Fica tranquilo. Bebe água.
Ilhan, como vamos nos defender?
Spray de pimenta é proibido.
Como eu deteria o doido?
- Ei…
- Abaixa a mão!
Olha essa bagunça!
- Sinto muito.
- Olha quem chegou.
É assim que cumpre promessas?
Olha o que fizeram.
Vocês são da máfia.
Só a máfia faria algo assim.
Por que mandaram esse louco do Demestan?
Você nunca cala a boca?
Policial, sou Kemal Yanıklar.
Afife, vamos compensar o prejuízo.
Ah, vão compensar o prejuízo.
Vou fingir que acredito.
Sabe algo sobre o que aconteceu aqui?
- Conhece eles?
- Ele é meu primo.
Podemos resolver isso, policial?
Do que está falando?
Os dois vão prestar queixa.
Tem testemunhas lá fora.
Vou levar todo mundo pra delegacia,
a menos que retirem as queixas.
Se ele não se desculpar,
vou prestar queixa.
Me desculpar? Pelo quê?
Quero pedir desculpas
em meu nome, dele e da minha família.
Suas desculpas não valem nada.
Esse é o valor da sua palavra.
Mãe, falei pra não vir! Minha nossa!
Pode nos dar um minuto, policial?
Já volto.
Vem comigo, Destan.
Defne, entra.
- Olhe esse caos.
- O que houve?
Ele surtou e atacou as pessoas.
- O que foi isso?
- Inacreditável.
- O quê?
- A família toda é louca!
Está tentando nos sabotar?
Não conversamos sobre isso?
Estou dando duro
pra nossa família ter um novo começo.
A Neslihan está dando duro.
Você faz isso
quando tiraríamos nosso nome da lama.
E se o seu pai souber?
Não dou a mínima.
"E se o seu pai souber?"
Ele disse: "Já temos muitos problemas.
O que está fazendo?"
Colocou um microfone nele?
Como ouviu isso?
Eu ouço tudo.
A distância não pode nos separar.
Ele é minha alma gêmea.
Se controla, Destan.
Já estamos chegando no nosso limite.
Tem muitos advogados
e policiais na nossa cola.
Não arruma problema com a polícia.
Não se preocupa com seu pai e nem comigo.
Mas pensa nela.
Ele está falando de mim.
"Olha essas pessoas.
Acham que somos agiotas
querendo o dinheiro delas."
E você ainda vem aqui
e destrói a propriedade delas.
Tive um motivo.
- Fui provocado.
- Você vai se desculpar.
"Você vai se desculpar."
Muito difícil, Kemal.
Muito.
Não, é fácil.
Escuta, Destan.
Se não fizer isso, vai apanhar tanto
na frente de todo mundo aqui
que vai se arrepender
de não pedir desculpas.
Aí, vou pra delegacia,
e você vai pro hospital.
Mas quer saber?
Não dou a mínima.
Não vou permitir
que suje o nome desta família.
Entendeu?
Acena com a cabeça.
Você entendeu?
Pronto.
Ele o convenceu.
Estão vindo.
Você é uma bruxa?
Quero me desculpar. Fiquei nervoso.
- Você me provocou.
- Não fiz isso.
Desculpa, policial. Retiro a queixa.
Se você também retirar, vou embora.
Bem, já que você se desculpou…
Não vou dar queixa.
- Obrigado.
- Afife, se cuida.
Sr. Kemal.
Você sabe lidar com problemas.
Conhecemos essa garota
desde que era pequena.
Sei como vocês levam a vida.
Sugiro que tenham cuidado.
Certo, policial.
Nossa! Ela chamou ele de Demestan.
Você ouviu?
O que é "Demestan"?
Quem é de Áries é perigoso.
Ainda mais as mulheres.
- Como sabe o signo dela?
- Perguntei da outra vez. Você viu.
Signos são uma fonte de informação.
- Já checou o que quebraram?
- Muitos pratos e copos.
- Alguns saleiros. Ah, e meu queixo.
- Isso não conta.
- Aqui está a comida de vocês.
- Pode trazer.
- Também preparei marmitas.
- A sopa tá maravilhosa, bem quentinha.
Maravilha.
Bem que o Macit disse,
a dona Perihan não economiza no sal.
- Tá muito salgado?
- Podia estar menos.
Está comendo de graça e ainda reclama.
- Posso levar?
- Não!
Vou comer salgada mesmo. Amo sopa.
- Sentirão falta quando falirmos.
- Nos deixa comer em paz antes disso.
Inacreditável. Saí por dois minutos.
- Nem me fala.
- Ainda bem que eu não estava.
- Teria feito uma cena.
- Claro.
Afife, precisamos conversar sobre a série.
Está com cabeça pra isso?
Não tenho escolha.
Precisamos escrever isso logo.
Se eles gostarem da ideia,
vamos pedir um adiantamento.
- E pagariam?
- Claro.
Mas nem vamos precisar.
As ações vão disparar amanhã.
Baturay, você é um menino de ouro.
Ontem comentei que tive uma ideia.
Mas podemos desenvolver. Posso falar?
- Depois, estou meio nervosa.
- Mas você sempre está nervosa.
Posso lavar a louça.
Ajudar em alguma coisa.
Não precisa, tá tudo bem.
Vamos todos trabalhar.
Ei, fã-clube da sopa!
Se terminaram, vamos fechar.
- Terminamos, mas não foi fácil.
- Eu ouvi.
Você diz que vai pra Berlim,
mas talvez possa fazer algo
pra ganhar dinheiro.
Pra contribuir.
- Tipo o quê?
- Tipo um bico.
É uma ideia, mas não gosto
de trabalho normal, quem dirá um bico.
Tipo entregador,
garçom, zelador, coisa assim?
Exatamente.
É que…
Só sei fazer uma coisa
e não tem nada a ver com entregas.
É isto.
A terra e a chuva se apaixonaram
Como eu e você
Esse nosso lance
Parecia tão impossível
E à noite eu escuto
Uma velha canção
Você foi o motivo?
Me diz
Uau!
Por que não disse que sabia cantar?
Você nunca perguntou.
E lá veio ela, quem hoje te modela
Modela sua forma, sempre tão austera
Já há tanto tempo
Muito, muito tempo
Tanto quanto o vento sopra sobre o mar
Sopra sobre o mar
Acho que são amigos.
Entre homem e mulher? Tá…
Esta geração é diferente, mãe.
Quer saber o que acho?
Essa mulher é muito esperta.
Quem? A Fidan?
Não, não a Fidan.
A que estava com o Kemal.
É mesmo. Aquele olhar de louca.
Ela está por trás disso tudo.
Meu aluno é mais decente.
Pegou o idiota pelo pescoço
e fez ele se desculpar.
- E você falou que ele era da máfia.
- É.
- Mas não é tão ruim.
- Ele parece ser boa pessoa.
Não é?
Ele é determinado.
E justo também.
- Bem…
- Parece um astro de cinema.
Alto, forte.
Mãe, não tenho tempo pra isso.
Achei que era sério. Tenho que trabalhar.
Liguei duas vezes. Nada.
Ela usou spray de pimenta no Destan? Não!
- Juro. Já te disse, ela é doida.
- E ela te deu aula na prisão.
- Sim, de roteiro.
- E tem um restaurante.
Exatamente.
E ela veio pra cima de mim.
Estava com uma cara de ódio,
com a mão fechada.
Achei que ia me dar um soco na cara.
Por sorte, não saiu do controle.
O que falei antes…
Ela parece até um kebab com muita pimenta.
- Kebab?
- Estou falando da garota, Afife.
É como se tivessem exagerado na pimenta
e esquecido do sal.
A aparência é ótima.
Mas, se der uma mordida, se arrepende.
Ela é uma arma nuclear.
Kemal.
- O que é isso?
- O quê?
Desde que chegou,
é Afife pra cá, Afife pra lá.
Qual é?
Para com isso. Deus me livre e guarde.
Um brinde à Afife.
O que está fazendo?
Pegou a boneca da menina.
Devolve, a gente já vai dormir.
- Não vou dormir!
- Vai, sim!
- Devolve!
- Amanhã tem aula.
Devolve! Vou ficar louca!
Cadê minhas lindas garotas?
- Tia!
- Tia!
Tia!
- Tudo bem?
- Tudo ótimo, mas ainda melhor agora.
- Oi, Neslihan.
- Olá.
- Ele não disse que você vinha.
- Não avisei.
- Como ele está?
- Está tão bravo.
É típico de Escorpião.
Só drama, o tempo todo.
- E afeta todos ao redor.
- Com certeza.
- Vou botar elas pra dormir.
- Tá.
- Café?
- Sim, claro.
O que é isso?
É a última vez.
Está com pena de mim?
Não é pra apostar, é pra pagar a dívida.
O Haldun falou pro tio
tudo sobre sua dívida.
Aquele caguete desgraçado.
- Seu noivo não veio?
- Por que ele viria?
- Ele me humilhou na frente da piranha.
- Você que se humilhou.
Se fosse o Kemal no meu lugar, diriam:
"Ótimo, devia ter feito pior."
É verdade.
Todos diriam isso, Neslihan.
Principalmente meu pai.
"Bom trabalho, Kemal.
Esse sim é o meu garoto."
Quantos anos ficou preso pelo seu pai?
Nenhum.
Quantos anos Kemal ficou?
Esquece o total.
Na última,
foram dois anos só pelo tio Kudret.
E mais dois anos pelo pai dele.
Quem aguentou tudo isso pela família?
Enquanto você curtia
e eu estava na universidade,
quem passou os melhores anos da vida
na prisão?
Não precisa ser preso
pra ter a aprovação do seu pai,
mas ficar apostando
e brigando não vai ajudar.
Não vou deixar isso assim.
Não vou viver à sombra do Kemal.
Quero o que é meu.
Vocês tentam me afastar,
me deixar de lado.
Todos vocês, com suas atitudes…
- Preciso implorar por dinheiro.
- Seu idiota!
Você fica falando do Kemal?
Foi ele que me disse
pra te trazer esse dinheiro.
Falou que eu podia tirar da parte dele.
Ele não pensaria duas vezes em te ajudar.
Pensa duas vezes
antes de falar mal da família.
Nem me casei e parece que tenho um filho.
Um filho de dois anos.
Não consegue andar nem fazer nada sozinho.
Tenho que dar banho.
Dar remédio.
O que faremos com você?
Vai comigo amanhã.
Não posso te deixar aqui.
Posso ficar aqui, filho?
Não posso te deixar sozinho
até endireitar a cabeça.
Não quero estar perto de você,
mas é isso. Boa noite.
- O Baturay vai ligar hoje, né?
- Sobre as ações? Em tese.
Eyüp, quatro quilos.
Quero firmes, mas não demais.
Depois eu pego.
Tomara que o dinheiro venha
e o sofrimento acabe.
Falando em sofrimento.
Sabe a reunião
do Comitê dos Direitos dos Animais?
Não vou conseguir ir, tô sem tempo.
Falei que você vai.
Mas por quê?
Caso não saiba,
preciso cuidar do restaurante.
Dois maços de salsinha
e dois de cebolinha, por favor.
- Coloca na conta.
- Pode deixar.
Dissemos que voltaríamos logo,
mas terminaremos as histórias a tempo?
- O que achou?
- Ótimo.
Quero dois…
- Ah. Tudo bem.
- Desculpa.
Dois quilos. Não, três quilos.
Ainda tem aquela minha ideia que te falei.
- Não gostei da história do psicólogo.
- Não, é uma nova.
Por que não gostou?
História de psicólogo ficou chato.
Vamos perguntar ao público.
Nadir, a Defne tem uma história
que se passa no período otomano.
Tem um psicólogo,
que é convocado ao palácio.
- Não fazem mais musicais?
- Já fizeram?
Deixa pra lá. Tem outra história.
Uma banqueira vai presa
por causa do namorado
e vira uma criminosa.
Existe uma série sobre o Sultanato de Rum?
Como?
Não adianta perguntar pra eles.
É inútil. Faremos do nosso jeito.
Não sei o que fazer, mas não importa.
Calma, temos ideias suficientes.
Vou ligar e marcar uma reunião hoje.
Tomara que Baturay dê boas notícias hoje.
Tomara.
- Quem vai pegar essas sacolas?
- Pode deixar, mana.
- E aí?
- Tudo certo.
- Tudo bem, mãe?
- Tudo ótimo. Bem-vindas.
Obrigada.
Bom dia.
Obrigada.
Bem-vindos.
Meu pai.
Tudo bem se ele vier
aqui comigo por um tempo?
Claro.
- Qual é o nome dele?
- Muharrem.
E sua mãe?
- Já faleceu.
- Sinto muito.
Já faz um tempo.
- O que ele tem?
- Sistema imunológico fraco.
Tem outras coisas. Não come nem bebe.
Ele se esquece de tomar os remédios.
- Ficar aqui comigo pode ajudar.
- Claro.
Isto é pelo prejuízo de ontem.
Espero que seja o suficiente.
Posso me servir da próxima vez.
Não vai ter próxima vez. É seu último dia.
Teremos uma boa notícia hoje.
Pagaremos toda a dívida,
incluindo os juros.
Cada um seguirá seu caminho.
Tomara.
Esse é bonito, né?
E tem tudo o que você pediu.
Só não queremos que acumule poeira.
- Acho que essa cor vai disfarçar bem.
- Qual é a largura desse?
Esse deve ter 40cm de largura.
Kemal, cadê você?
Aqui está.
- Bom apetite.
- Obrigado.
Você viu o jogo?
Afife.
Se o Baturay trouxer boas notícias,
vou sair quando o dinheiro chegar.
- Estou tão entediada.
- Quer fugir?
Me dá isso.
Você também trabalha muito,
vai ficar exausta.
Devia dar uma pausa também.
Tem razão. Vou tirar férias.
Estou no limite.
Ilhas gregas. Vou visitar várias.
E, com o dinheiro,
vou ajudar o Baturay na produção.
- Vou te levar, Defne.
- Pra onde?
Patmos, Leros, Samos.
Todas as ilhas que terminam com "os".
Temos uma reunião com a emissora amanhã.
- Quê?
- Afife, traz logo. Vai esfriar.
Calma, já vai.
O prazo de uma semana está acabando.
Minha pressão caiu.
Vai ficar tudo bem.
Os sonhos que tive…
Mãe, me dá um pouco do que você fez.
Ele está pálido. Precisa comer algo.
Vou botar um pouco de caldo.
Senhor, ela se chama Cahide.
Acho que ela gostou do senhor.
Cá entre nós,
minha mãe é péssima na cozinha.
Por que ela é nossa chef?
É uma longa história.
Mas ela se dedicou nesse prato.
Pode provar e dizer o que acha?
Vamos, experimenta.
Não está bom, né?
Erramos de novo.
Querida, não quero ser grosseiro, mas…
- Como se chama mesmo?
- Afife.
Afife.
Escuta, querida.
Acrescenta um pouco de cominho
e um pouco de alho.
Mas só um pouco.
Só uma pitada de cominho por porção.
O alho fica a gosto de vocês.
Assim vai ficar uma delícia.
Vou avisar a chef, Sr. Muharrem.
Seu nome é Muharrem, né?
Mas precisa comer isso. Sem desculpa.
Seus remédios.
Viu? O senhor está muito bem servido.
Se meu falecido pai estivesse aqui,
estaria no 3º prato.
Pode ir comendo.
Não dá nada pra Cahide, ela está gorda.
Bem-vindo.
Quero outra porção.
- Não vai ser muito?
- Não.
Ótimo, então.
Perihan. Vamos conversar um pouco.
O que foi?
Querida.
Vem aqui, quero falar uma coisa.
Preciso explicar uma coisa.
Aquele dinheiro que falei vai atrasar.
O Baturay disse dois meses.
Acho que vocês vão continuar
por aqui um tempo.
Vou ter que te aguentar mais dois meses.
- Ali, abaixa isso.
- Tá bom!
Está pronto.
Revisamos tudo, não falta nada.
- Amanhã vamos arrebentar, gente.
- Vamos conquistar o mundo da TV.
Vamos arrasar.
Esta é a equipe que fez Amor Real.
Agora será melhor ainda.
- Amor Real de novo?
- Por que não? É um clássico.
- Tipo Verão Seco.
- Ah, Baturay…
- Quer comparar Amor Real com Verão Seco?
- É, Baturay. Até parece.
Não quero me gabar, mas admitam.
A TV turca nunca viu
um cavalariço como ele.
Já deu.
Senta.
Só não te mato
por causa da reunião amanhã.
Botem a mão aqui.
Um, dois, três. Viva!
Neslihan?
Tudo bem?
- Tudo, e você?
- Tudo bem.
Como seu pai está?
Ele jantou e foi dormir cedo.
Ótimo.
Sou a única que não está bem.
O que foi?
A loja de móveis…
Esqueci, juro.
Estou te pedindo há um mês.
Eu não podia deixar meu pai sozinho.
Tive que levar ele comigo.
Você levou seu pai para aquele hospício?
- Por favor…
- Justo hoje?
Assim eu fico de olho nele.
Paga uma cuidadora.
Uma ligação e está resolvido.
Pra que levar ele lá?
Foi um pandemônio ontem.
- Neslihan, por favor, chega.
- O que está fazendo?
- Estamos com fome!
- Estamos morrendo de fome!
Chega! Todo mundo pra fora!
- O papai quer comer logo.
- Ele pode esperar! Já vamos.
Neslihan! Desliga esse telefone e vem.
Şahin!
Kemal!
Não foi comprar móveis hoje?
- Seu neto anda ocupado.
- Como assim?
- A Neslihan quer dizer…
- Não quero dizer nada.
Seu filho destruiu o asilo
e agora está comigo.
O Muharrem está com você?
Está.
Ele está muito debilitado.
O médico ficou preocupado.
Então até levou ele ao médico.
Filho, por que não disse nada?
Podemos ajudar.
Ninguém além de mim
precisa cuidar dele, vovó.
Ele desistiu da família, e vice-versa.
Só estou fazendo minha obrigação.
Gönül.
Vem logo, Baturay, estamos esperando!
Não tenho paz nem pra usar o banheiro.
Estou indo!
- Por que a pressa? Estamos no horário.
- Estou tão ansiosa!
Vamos. Vamos atrasar se não sairmos agora.
Pelo amor de Deus, não me apressem. Parem.
Meu coração parece que vai sair pela boca!
Tomara que dê certo. Deem o melhor.
- Se entreguem, está bem?
- Mãe, reza pela gente.
- Vamos!
- Calma. Vão.
Dedos cruzados.
Ótimo.
Neslihan.
Meu irmão não está muito bem?
Ele está muito fraco.
E também não está bem da cabeça.
Como assim?
Não está bem.
Ele disse: "Fiz vocês passarem por tanto,
mas talvez tenha acontecido outra coisa.
As coisas nem sempre são o que parecem."
Faz tempo que ele não está bem da cabeça.
Ninguém sabe do que ele está falando
ou no que está pensando.
Os Yanıklars são assim.
Olha o seu avô Veli.
É o Kemal.
Preciso ir.
Bediş.
- Até mais.
- Tchau, querida.
"Talvez tenha acontecido outra coisa."
Senhor amado.
Ele sempre deixa tudo confuso.
Vamos começar com a 1ª ideia.
O importante é como os personagens
se relacionam entre si
e com Istambul.
O título é Amores Roubados.
A pergunta principal é:
"O que é real?" Carreira, amor…
E nossa segunda ideia.
- Baturay.
- Perdão.
Pulei uma página. Vou voltar.
Temos nomes surpreendentes para o elenco.
Jogo Duro. Pode parecer sobre esporte,
mas é sobre esperança.
O importante é como os dois personagens…
- Sim, vamos.
- Questões sociais…
Quanto à terceira ideia…
A história se passa
numa cidade remota na Anatólia.
Paixão ao Acaso.
Bahar deixa sua vida em Istambul pra trás…
Ela tem uma loja de produtos orgânicos…
E o filho bonito de uma família rica…
Então, é isso.
O que acharam?
- Obrigada, pessoal. Ótimo.
- Ótimo.
As ideias são boas.
Mas serão um sucesso?
Será que faltou tempo?
Acho que Amores Roubados
tem tudo pra dar certo.
- Triângulo amoroso, vingança e traição.
- Já está batido.
E série de esporte não faz muito sucesso.
E a outra, bem…
- Bem…
- Temos mais uma história.
Não incluímos na apresentação
porque ainda não está finalizada.
Mas vou apresentar mesmo assim,
vai que gostam.
Uma amiga minha me contou essa história.
É uma história real, de uma mulher.
É sobre uma mulher e um agiota.
- Um agiota?
- Um restaurante.
Parece o Paraíso.
Num bairro acolhedor e aconchegante
no coração da parte antiga de Istambul.
Digamos, Balat.
Ela tem um restaurante.
Uma mulher forte, bonita e inteligente
que lutou com unhas e dentes,
e fez grandes sacrifícios
pra manter o lugar aberto.
Um dia, sem culpa nenhuma,
ela acaba com uma dívida enorme.
E aí o agiota chega pra cobrar.
Mas esse cara não é como os outros.
Como ele é?
Como ele é?
Ele é fechado.
É bonito, mas estranho.
Do tipo que deixa
um rastro de destruição, como…
- Um anti-herói.
- Sério?
Espera aí, Afife. Continua.
Por um lado, ela corre contra o tempo
pra pagar a dívida.
Por outro, deseja fugir de tudo isso.
- Quer fugir, mas não pode.
- Por quê?
O irmão está mal.
- Está doente.
- O quê?
A família dela e os vizinhos
que a amam muito são obstáculos.
- Resumindo…
- Acho que já deu.
Se vocês não gostaram…
- Afife.
- Pessoal, por favor.
- Continua.
- Obrigada.
É uma história poderosa que junta clichês
com a dura realidade de hoje.
O que acharam?
Que pergunta…
É ruim.
Não.
Essa é a melhor história de vocês.
Quê? Está falando sério?
Com certeza.
Joguem o resto fora, será essa.
Então vocês aprovam?
Sim. Por enquanto.
- O que mais querem?
- Podemos receber um adiantamento?
- Só por duas frases?
- Deixa pra lá.
Nem pra equipe de Amor Real?
Nem pra equipe de Breaking Bad.
Vamos ver no que a história vai dar.
Mas, se me entregarem o roteiro,
pela nossa amizade,
posso adiantar uma parte.
Só uma coisa…
Não quero ficar me metendo,
mas vai rolar um romance
entre a mulher
e o agiota, né?
É claro!
E o melhor, vai ser um amor impossível.
- Daqueles que acabam com a gente.
- Romance?
Do tipo devastador.
Não creio, Defne. Inventou na hora?
Claro que não.
Pensei nisso desde que ele apareceu,
mas, sempre que falava,
a Afife me cortava.
Na nossa pior hora,
deixei o destino assumir.
Que ótimo!
Ela disse: "Vai rolar romance?"
- Me dá uma água.
- Não reclama, foi ela que salvou vocês.
Tinha que ter visto, ela arrasou.
Estou fora dessa. É sério.
Não seja boba, Afife.
Se fizermos essa história do agiota
com um romance entre os dois,
seremos motivo de piada.
Pelo menos a mulher podia ser cega!
- Muito exagerado.
- E ele pediu um adiantamento!
Vamos falir três vezes
antes de gostarem da história
e darem um adiantamento.
A chefe disse que sim.
Ela mandou seguir em frente.
Ela vai dar o dinheiro,
mas a Afife não está feliz.
Amor, deu tudo certo.
Se acalma um pouco.
Falei que queria fazer
uma série baseada na minha vida?
E querem romance!
Afife, querida,
não mistura ficção com realidade.
Claro que você nunca ia se engraçar
com um marginal.
Falando em marginal,
precisa pagar o Eyüp. Ele passou aqui.
Minha nossa…
Mal consigo dormir
por causa dessa situação.
Andei pensando.
E se pedirmos pro seu aluno
aliviar um pouco os pagamentos diários?
Só até entrar o dinheiro das ações.
Não dá pra pagar tanto todo dia.
Não é ele que cuida disso,
é aquela mulher horripilante.
Melhor ainda. É aí que entra meu plano.
Podemos jantar com eles
num restaurante bem chique.
Pedimos um bom vinho.
Conversamos com calma. Um encontro duplo.
Genial! Vou ligar pra ele.
Um romance de agiota?
Mas que ideia genial!
- Eu te salvei.
- Antes, só o Baturay fazia maluquice.
Agora você também.
Dá vontade de pegar a cabeça de vocês dois
e depois bater.
Mas só ia ecoar um barulho seco,
de tão vazias.
Você é doida! Para com isso.
- Eu liguei.
- E aí?
Perguntei se queriam jantar com a gente.
Tá brincando.
Ele não curtiu,
mas a mulher estava com ele.
A que veio aqui junto com ele.
Ela aceitou.
- Não vou nem morta.
- Vai, sim.
Deixa que eu falo. Só não seja rabugenta!
O plano é o seguinte: uma mesa linda.
Um bom vinho.
Vou falar com eles, contar algumas piadas.
Você fala de quando trabalhava na prisão.
Vamos usar esse lance da prisão.
Ele te admira muito.
Vamos amolecer os dois
e fazer a nossa oferta.
Falei que não vou.
Ainda bem que viemos.
- Muito bem, Baturay.
- Aí o diretor me mandou improvisar.
Sabem as senhoras que fazem gözleme?
Eles enrolam o gözleme assim…
E dizem: "Entra, meu jovem."
Afife, devia falar daquilo.
Ela vive falando disso em casa.
De quando trabalhou na…
prisão de Kartal!
Houve momentos emocionantes lá.
Você me contou detalhes tão sutis.
Não me lembro dos detalhes,
mas foi uma época boa.
Gostei muito.
Fomos à prisão de Silivri, de Maltepe…
E, pelo jeito, nos cruzamos em Kartal.
Não me lembro.
Fico sem graça
de beber raki em lugares assim.
- Que bom que vai beber.
- Adoro raki.
A propósito, Neslihan,
você escolheu o vinho perfeito.
Adoro um bom Cabernet Franc.
Vamos fazer outro brinde.
- Acabamos de fazer.
- Não importa. Saúde, professora.
Então, tá.
Chega de falar "professora".
Afife, Kemal, Baturay, Neslihan, pronto.
Filho, você está tão magro…
Börek com espinafre.
Seu favorito.
- Vocês estão noivos?
- Sim.
Eu não fazia ideia.
Pois é. Logo vamos nos casar.
- E vocês?
- O nosso está longe.
Bem longe, na verdade.
Artistas e atores
têm uma vida muita caótica.
Começar uma família é difícil.
Baturay, você é de Gêmeos?
Acertou em cheio, Nesli.
- Como sabia?
- Entendo um pouco disso.
Afife é de Áries, você é de Gêmeos.
Combinação perfeita.
- Não sei nada disso.
- Nem eu.
Você escreve, ele atua.
Vocês têm muitas coisas em comum.
Vocês também.
- Mas não está escrevendo nada agora.
- Deixa eu te contar, Nesli.
Acabaram de aprovar
um novo projeto nosso pra TV.
Sério? Sou viciada em séries.
Vejo todas.
E você, Kemal?
- Eu prefiro ler, professora.
- Ele dorme quando tenta assistir.
- O que você lê?
- De tudo.
Uma vez você nos deu uma lista de leitura.
- Lembra?
- Não, desculpa.
Não consegui ler todos.
Alguns eram difíceis, mas li a maioria.
Mas agora tem várias séries muito boas.
Vejo todas que têm
uma protagonista poderosa.
Como o tipo que arruma confusão
e tem a última palavra.
Mulheres que andam com um salto bem alto
num piso de mármore.
Chega de homens!
Será que vi alguma escrita por você?
Talvez Amor Real. Um sucesso.
- Conheço, é bem antiga.
- Não é tão antiga.
Mas esse tipo de série
não é sobre mulheres.
- É sobre o quê?
- Mulheres que parecem homens.
- Não dá na mesma?
- É! A história só tem que ser boa.
É bem diferente.
Essas mulheres só imitam
o tipo de poder
que os homens propagam há séculos.
- Não é o poder feminino.
- Como é esse poder?
Mulheres são férteis. Elas geram vida.
Elas protegem, se preocupam.
- É mesmo?
- São a fonte de tudo.
O poder de gerar e proteger
sem passar por cima de ninguém
é o que chamo de poder real.
Está acreditando na versão falsa.
- Não estou acreditando em nada.
- Ficar andando de salto é poder?
A carne está muito macia.
Deixa eu acabar.
Mulheres não precisam de poder masculino.
Poder é uma coisa podre.
Deveríamos desejar igualdade e liberdade.
Parece que voltei pra universidade.
- Deu até saudade.
- Como assim?
Naquela época, várias garotas
ficavam falando essas coisas.
Mas agora pisam em todo mundo,
tanto homens como mulheres.
Esqueceram a liberdade e a igualdade.
Então, elas se tornaram homens.
Não vai dizer nada, Baturay?
Sempre levamos a culpa, né?
Eu só estava…
- Tá bom, professora.
- Está sendo irônica?
Está dando uma palestra sobre mulheres.
Por favor, não é uma palestra.
- Baturay, por que não vai fumar?
- Não.
Vamos lá.
Vamos tomar um ar fresco, Baturay.
- Não, obrigado.
- Não?
- Estão se dando bem.
- Baturay, por que nos convidou?
Não foi pra elas fazem amizade, né?
- Não sei se é a hora certa…
- É, sim.
Sabe a divisão diária de 40% e 60%?
- Do restaurante?
- Sim.
Pensamos em melhorar um pouco
essa divisão.
Não está fácil.
Devem dinheiro a todos.
- É temporário.
- Até o dinheiro entrar?
- Isso. Você está sabendo?
- Sim.
- O dinheiro vai entrar?
- Claro.
Por mim, tudo bem, mas a decisão é dela.
A Neslihan é a responsável pelas finanças.
Certo. Quando a gente voltar,
eu falo com ela.
Acho que já é tarde.
Isso vai acontecer num mundo
onde os homens têm a última palavra?
Claro que vai!
Enquanto as mulheres precisam falar
duas vezes pra serem ouvidas,
e os homens dizem qualquer bobagem
e ainda são ouvidos, né?
Não me venha com sermão.
Você sabe o que uma mulher
precisa fazer só pra sobreviver?
Onde estava quando eu defendia
o direito das mulheres?
Sonhar é uma coisa, ser sonhadora é outra.
A vida não é fácil.
Tenta se colocar no meu lugar.
Não tenho interesse em ficar no seu lugar.
A conversa está boa? Que maravilha!
Querem mais um drink?
Sim.
Disseram que você não come nem bebe.
O Kemal finalmente
está começando uma família.
Ele vai se casar.
Mas ele tem que ficar cuidando de você.
E você arruma confusão
em vez de apoiar ele.
Precisa se virar sozinho, meu filho.
Ele vai se casar com a Neslihan?
Não vai dar certo, mãe.
Você falou alguma coisa pra garota.
Mas tem coisas que não devem ser ditas.
Que devem ser esquecidas pra sempre.
Ou podem arruinar todos nós.
Nos separar, nos destruir.
E, às vezes,
podemos confundir sonho e realidade.
Pode acontecer com qualquer um.
Pode ser isso
que está acontecendo com você, Muharrem.
Está confundindo sonho e realidade.
Acabou?
Agora sabemos
que nunca chegaremos a um acordo.
Como assim? Por que diz isso?
Viemos aqui pra chegar a um acordo.
Eu ia dizer…
- É que…
- Anda, Baturay. Diz logo.
Espera.
Estamos falando da mesma coisa,
mas ela não entende.
Sem querer ser grosseira,
conheço bem seu tipo.
Adora falar da teoria,
mas não sabe nada da vida real.
"Isso é assim, aquilo é assado."
Uma intelectual que nunca viveu nada.
Do que está rindo?
Ela disse…
Conversaram sobre o que esse tempo todo?
"Dois mais dois é igual a quatro?"
"Fiquei sem dinheiro,
mas sou tão inteligente."
- Neslihan.
- Deixa ela falar.
- Posso falar uma coisa?
- Não. Não vamos falar nada.
- Por que viemos?
- Eu ia falar disso.
Baturay, escuta. Você checou o preço
desse vinho que pediu pra gente?
- Neslihan, chega.
- Têm condições de nos chamar pra cá?
- Vai dizer o que podemos fazer?
- Claro que não.
Se continuar assim,
o que te aguarda será pior
do que acontece nas histórias que escreve.
Pelo menos vou morrer como uma heroína.
E você vai ser a vilã da história.
Melhor ser vilã do que…
Deixa pra lá.
Está na hora de ir embora.
Esperem.
- Sobremesa?
- Dane-se a sobremesa.
A professora pode te explicar
os males do açúcar.
Até mais, Neslihan.
Foi um prazer, Kemal.
Ótimo plano, Baturay.
O plano era bom.
Você estragou tudo!
Fica calada uma vez na vida!
- A conta, por favor?
- Um momento.
Só uma vez!
Aquela roupa, aquele perfume…
Ela só bebeu e falou besteira.
Ela não é doida, é só grossa.
Você foi meio…
Ela acha que pode me ensinar a ser mulher?
Mas a culpa é sua.
Você colocou ela num pedestal.
A culpa é sua. Por que quis sair com eles?
Ainda ficou puxando o saco dela. "Nesli."
O poder do salto alto! Idiota.
Ela é roteirista? Do quê?
- Que série?
- Amor Leal?
Como vou saber?
Não faz diferença,
pois ela nunca fez nada.
Idiota sem talento.
"O que te aguarda será pior."
Vou mostrar o que é pior.
"Sou a heroína, e você é a vilã."
Sim, claro…
Sei que arianos são megalomaníacos,
mas isso é demais.
- Ela vai ver a vilã.
- Tá bom, então.
- Sabe a história do agiota?
- Sim.
Vamos fazer. Avisa a Defne.
- Agora?
- Não, espera.
Vou escrever uma história de amor
entre o agiota e a garota.
Aí vou botar uma mulher tão maligna
entre o romance deles
que Shakespeare
vai levantar da cova pra aplaudir.
Vamos arrasar na audiência.
Vamos nadar em dinheiro.
Não estamos à mercê dela.
- Por que fomos? Pra ouvir a palestra?
- Querem diminuir o pagamento diário.
- Ah…
- Os juros.
Até parece! Eles que vão pro Inferno!
Ela pode pegar esse dinheiro
e enfiar onde quiser.
Vou acabar com ela
ou não me chamo Neslihan Yanıklar.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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