To Love, To Lose (2025) s01e04 Episode Script

Episode 4

1
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
INTIMIDADE
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Olá, pessoal. O chá está pronto.
As anotações estão prontas.
Antes de começarmos,
não se esqueçam de curtir e se inscrever.
O assunto de hoje é o mais importante.
Vou recomeçar.
É uma das partes
mais empolgantes da história.
Todo episódio deve ser empolgante,
mas qual é a parte que todo mundo espera?
Especialmente numa história de amor,
qual é o momento mais esperado?
A parte em que as duas pessoas
se aproximam. E quando isso acontece?
INTIMIDADE
Não queremos esperar muito.
Sabemos que acabará acontecendo,
mas como e quando? Essa garota…
Afife… Essa garota…
Por que a garota ama esse cara?
O que ele vê nela?
Por que Kemal chama
essa daí de professora?
Vou responder essas perguntas.
MELHOR SÉRIE DO ANO
AMOR REAL
Olha pra ela.
Que brega…
Mais um dia começando
no restaurante Afife, o melhor de Balat.
Quem quiser desfrutar de um banquete,
vem pra cá. Muito sabor, variedade.
E o nosso slogan?
Aqui você come de tudo,
mas não paga quase nada.
Olha o cardápio.
E a mente culinária por trás de tudo,
nossa chef, Perihan Kazan!
Tá bom, diretora, chega de redes sociais.
De volta ao trabalho!
Ficou ótimo.
A cortadora de cebola.
Não, Afife.
Não tem quase nada
sobre agiotas na internet.
Sem teimosia, vamos perguntar ao Kemal.
Não dá pra fazer sem ele.
Então, esquece.
Como vamos perguntar? Não temos vergonha?
É como perguntar a um mafioso:
"Como se mata alguém?"
- Cala a boca.
- Bom dia.
- Oi.
- Bem-vindo, seu Muharrem.
- Chá?
- Que bom te ver. Não, obrigado, querida.
Ele sabe onde pegar.
Novidades sobre o desconto?
O que sua noiva disse?
- Noiva?
- Pelo jeito…
São jovens, vão se casar quando crescerem.
Ela não vai reduzir os juros.
Você não ajudou ontem. Vou fazer o quê?
Não faz nada.
Você trouxe um livro. Então senta e lê!
Foi você que recomendou.
O lixeiro chegou!
Pra pegar suas velharias!
Não, sua idiota!
Avisa se tocar, tá bom?
Claro.
Ele tem doutorado em agiotagem.
Vamos, Afife.
Ele está fingindo ler?
E o Baturay? Ele que faça a pesquisa.
Ele que falou com os agiotas.
Ele que nos informe.
Ele não faz ideia.
Falou que outra pessoa os recomendou.
Afife, esse cara olha pra você diferente.
Ele não vai dizer não à professora.
BATURAY
CELULAR
- Telefone.
- Já vou!
É um amigo.
NÃO ESTAMOS ACEITANDO
CARTÃO DE CRÉDITO
Cheguei!
Patroa, já fiz as compras.
Vou com a Fidan numa entrevista.
Depois a gente lava a louça.
Meu filho, não se esgote.
Como vamos pagar os juros com migalhas?
De que outro jeito vamos arrumar dinheiro?
- Perguntou pra mim?
- Pra todos.
Podemos vender umas coisas.
Vender o quê?
É só isso?
Tudo de valor está aqui.
O relógio do papai.
Funciona.
Dois quadros originais da Nevhiz.
Aquela escrivaninha antiga.
Um broche de diamantes.
Uma caneta-tinteiro.
E duas luminárias.
Trouxe elas dos Estados Unidos.
Não vou me desfazer desse broche.
Tem valor sentimental. Não insiste.
Não se desfaz dele, mãe…
Não iria ganhar nada por ele mesmo…
Ali, achou alguma coisa?
- Só isso aqui, mas não vou vender.
- Me dá.
- Espera.
- Me dá.
Não. Isso aqui é tipo um Stradivarius.
Papai me deu quando fiz 5 anos.
Ganhou do Erkin Koray.
- O quê?
- Eu juro.
- Quanto vale?
- Umas 300 mil liras turcas.
Sério? Me dá isso logo.
Pode valer até mais.
Ei!
- É uma mina de ouro! Me dá!
- Não posso, foi mal.
- Eu compro um novo.
- Não quero um novo.
O Erkin Koray tocou neste.
É especial. Você vai estragar,
e não vamos conseguir vender.
- Vou tomar esse violão de você.
- Não!
O último item do leilão.
Esta caixa de prata. É especial.
- Deve valer cinco mil, né?
- Mais.
Não tinha fotos dentro dela?
Fidan, dá uma olhada.
Você me conhece como a rainha da cozinha,
mas tenho mais truques na manga.
Ótimo. Ela vai falar a noite toda.
- Vou pegar o violão.
- Não.
Espera aí.
Olhem.
As Mágoas do Doutor. O pai deles,
Hurşit, interpretou o psiquiatra.
Fiz a paciente por quem ele se apaixonou.
Era uma peça?
Era um grande sucesso
sempre que nos apresentávamos.
Vamos ver. Eu não lembro onde foi esta.
Ah! Datça.
Turnê de verão.
O ingrato do Hurşit Kazan.
Que figura.
Nunca estudou teatro,
mas ele era muito caloroso, sabe?
Sabia fazer as pessoas rirem.
O timing era perfeito.
Autodidata.
Conhecia seus limites
e usava ao seu favor.
Também escreveu ótimos papéis pra mim.
Se eu era o rosto do Cabaré Kazan,
ele era a alma.
Que época boa…
Que ele descanse em paz.
Estou ficando…
Mamãe, por favor, não fica assim…
Não chora. Um abraço, vamos.
Vem cá.
Me soltem, seus bestas!
Vocês caíram nessa?
Isso que é atuar.
Mentir e fazer todos acreditarem.
Mãe, você é…
Sempre caímos nessa!
Somos uns bestas mesmo.
- O que Nina diz em A Gaivota?
- Vai começar.
"Agora sou uma atriz de verdade.
Eu atuo com alegria, com exaltação.
No palco, me perco por inteira
e me sinto tão bela."
- Mãe, para.
- Ao ataque, se não vai ser tarde demais!
"A magia está no ator",
disse o mestre, "não nas palavras".
- Atacar, agora! Vamos!
- Vamos!
Vou te morder! Vamos!
Morde! Temos um leilão a fazer.
- Como chegamos a Chekhov e Adler?
- Vou te morder!
Estão sempre em nossos corações.
Chega de cosquinha! Sério, vou desmaiar!
A magia está no ator,
não nas palavras.
- Não!
- Fica longe do meu quarto!
Eu cuido disso, tio.
Quanto ele pegou?
Não é tão importante. O que importa é…
Seu café, pai.
Obrigado.
- Kemal, quer um também?
- Não, estou de saída.
- Aonde vai, filho?
- Vovó, preciso ir.
Sabe que tenho um hóspede.
Está na hora dos remédios dele.
- Até mais.
- Tchau, tio Kemal.
- Boa noite a todos.
- Tchau, tio Kemal.
O Muharrem ainda está lá?
Vamos dar um jeito nisso, tio.
Logo ele vai pra um asilo.
O Kemal está cansado.
Eu te acompanho.
Boa noite.
- O que fará amanhã?
- O de sempre.
- O restaurante?
- Provavelmente. Por quê?
Manda outra pessoa, Kemal.
O Kartal não sabe tocar
a concessionária.
Ia ter uma grande venda ontem.
Ele estragou tudo.
Depois do que ela me disse
no restaurante ontem, você…
Neslihan, não estou indo lá porque quero.
É bom pro meu pai,
ele está comendo e tomando os remédios.
Ele fica de cabeça erguida,
olhando ao redor.
Não é por mim, não se preocupa.
- Não fará a vontade da sua noiva de novo?
- Vou com você à loja de móveis, prometo.
Vem cá.
Vai durar até amanhã.
- Até mais.
- Tchau.
Quem é?
Mulher!
Quem é?
Ele sempre pergunta quem está na TV.
Como se fosse lembrar
se eu dissesse quem é.
Esqueci o que estava fazendo.
Está me ouvindo?
Aquela mulher…
Ele só falta beijar os pés dela.
Quem é ela?
Ele tem bom coração
e ajuda as pessoas com dívidas,
mas parece que aquele Kemal determinado
virou outra pessoa.
A mulher do restaurante?
- A que convidou vocês pro jantar?
- Isso.
Está desconfiada dela?
Não. Não chega a tanto.
Fala pro Kudret mandar
outra pessoa pegar o dinheiro.
Ele não quer.
Falou que o seu Muharrem se sente bem lá.
O Muharrem precisa sair daquela casa.
Tem que ir pra um hospital ou um asilo.
Quem diria isso do próprio filho?
Mas eu sei que vai ser melhor.
O Muharrem nunca fez nada de bom
pra esta família, e nunca vai fazer.
Quem nasce torto nunca se endireita.
Fez o próprio filho ir pra cadeia.
Vamos esperar?
Olha, tem um vestido de noiva aqui.
Todo branco.
Seria ótimo ter alguém tocando aqui,
mas ninguém mais quer música ao vivo.
Servir as mesas, fazer tarefas diversas.
Sei lá, qualquer coisa serve.
Como falei,
a gente precisa de dinheiro rápido.
Pra quê?
- Pra ajudar a família.
- É urgente.
Assuntos de família. Vou pensar.
- Obrigada, Bartu.
- Obrigado.
Parabéns pelo trabalho de garçom.
Graças a ele.
Tudo bem servir mesas,
mas vou ter que limpar os banheiros.
Trabalho é trabalho.
"Ninguém quer música ao vivo."
Tá bom! Seríamos um sucesso lá.
Mais uma?
Não, vai dar sono.
Temos que lavar a louça.
Ah, é, né?
É tão gostoso aqui.
Está sempre nebuloso em casa, né?
Com sua família.
Nebuloso? Tá mais pra raios e trovões.
Um padrasto e uma mãe infeliz…
Muito clichê.
Eu mal me lembro do meu pai.
Nunca tive um padrasto.
Por que sua mãe chamou seu pai de ingrato?
Meu pai se apaixonou por outra mulher.
Ela largou ele,
e aí meu pai voltou pra minha mãe.
Foi isso.
E o seu padrasto?
Me expulsou, gritando, um drama só.
Esquece isso.
Pode ficar com a gente
quanto tempo quiser.
Eu ia até falar pra ir pra Berlim comigo.
Não me leva a mal.
Que fofo, obrigada.
Se quiser, pode levar a mal.
Não é cedo demais?
Vamos tirar uma foto.
Vamos. Vai ser legal.
Posso colocar o braço
em volta do seu ombro?
Não exagera.
Assim.
Vai, tira.
Ah, ficou fofo.
- Tira outra.
- Outra?
Pra você.
Vocês vão pro bar toda noite?
Não abre às segundas.
E temos que ir pro almoço de domingo.
- Pagam bem?
- Até que sim.
Ali, Fidan, vão pro mercado
buscar os legumes e as verduras.
E deem esse dinheiro pra Nuri.
O Selçuk não ia vir arrumar a lava-louça?
Defne? Cadê a Defne?
- Pra onde eu iria? Estou esperando.
- Já vou.
- Bom dia.
- Bom dia.
Deixa eu ver quem é…
Vou atender.
Mãe!
Eu vou enlouquecer. Está tudo bem!
Seu Muharrem.
Não precisa, o senhor está doente.
Não se abaixa.
Eu nem disse bom dia.
- E agora?
- Como assim?
O tempo está passando.
A emissora está esperando.
Tique-taque.
- Vai falar com ele?
- Como você é teimosa!
- Fala você com ele. Estou fora.
- Ele desligou, está vindo pra cá.
- Oi.
- Oi.
Oi.
Anda.
Não.
Dona Perihan.
A faca.
Sabe falar, então?
É a faca errada.
Não, ela funciona.
É uma faca de carne.
Usa esta.
E não corta a batata com tanta raiva.
É melhor se a faca
ficar um pouco inclinada.
Vai cortar melhor,
e você não vai se machucar.
Bem que podia me ajudar, né?
Será um prazer.
Onde aprendeu essas coisas?
Agora ou vai, ou racha.
Sr. Kemal. Queremos a sua opinião.
Claro, mas não precisa
me chamar de senhor.
Desculpa, saiu sem querer.
Pois não?
Afife, pode perguntar pra ele.
Você que ia perguntar.
Preciso ir ao banheiro. Com licença.
Podem começar sem mim.
Comecem. Por favor, sente-se.
Pra ficar mais confortável.
Não estou entendendo nada.
Meu pai está na cozinha
com sua mãe. Não se importa, né?
Não, pelo contrário.
- Então?
- É o seguinte…
O seu Muharrem
trabalhou como cozinheiro no Exército!
Ficou lá dois anos!
Por que ninguém me avisou?
Ele é uma grande ajuda.
Está cortando as batatas
que nem uma máquina.
- Estamos conversando.
- Tá bom.
- Onde parei?
- Você nem começou.
Ah, é.
É que…
Bem…
O quê?
Vou explicar. Acontece que…
Vou direto ao ponto.
Eis minha oferta.
Não falei nada de mais, eu juro.
Vocês fazem empréstimos,
pegam a casa e o dinheiro das pessoas.
Como se sente com isso?
Por acaso, sente remorso?
Só me ajuda a entender.
Você não sabe pedir ajuda a alguém, né?
"Por acaso, sente remorso?" Como assim?
O que isso quer dizer?
Me fala.
Você é a pessoa
mais insensível que já conheci.
Sai, por favor.
Escuta, espera.
Kemal…
Você sabe como estou desesperada.
Também devo pra outras pessoas.
Mostramos várias ideias pra emissora.
Não gostaram de nada,
só da história do agiota.
O prazo está acabando.
Eu não queria perguntar.
Enrolei o dia todo. A idiota da Defne…
Estou desesperada.
A gente precisa da sua ajuda.
Senão, a gente vai inventar
uma história bem idiota.
Vai ser rejeitada, e vamos falir.
E a gente não vai conseguir te pagar.
Resumindo, a gente precisa de você
pra poder te pagar.
- Acabou?
- Acabei.
Pode me dar licença?
Ei…
Ela vai escrever
uma história de agiota. Pois é!
Um agiota malvado que destrói vidas.
Não é bom pra nossa imagem,
e ela quer minha ajuda.
Até parece!
Mas é mentira?
O quê?
- Ela está errada? Não destruímos vidas?
- A gente só cobra o que nos devem.
Está mesmo me dizendo isso?
Eu fazia o seu trabalho, lembra?
Minhas mãos ainda continuam sujas
mesmo depois de 20 anos.
Por que está me dizendo tudo isso?
Tudo é uma escolha.
Mas não adianta nada se arrepender agora.
Eu vi pessoas
tirarem a própria vida por causa da gente.
Nós escolhemos destruir.
E essas pessoas escolheram criar.
Nós escolhemos fazer
o que o destino nos ofereceu.
E essas pessoas escrevem
sobre o que fazemos.
Não fica bravo com ela.
Fica bravo com quem merece.
Minha nossa…
Como se eu quisesse fazer isso.
Como se eu estivesse feliz com minha vida.
Você e essa garota
conversaram normalmente?
- Por que sempre briga com ela?
- Não é isso.
É a mesma história.
Aqui, seu Ferhat.
Não quer essa vida, mas o que quer?
Quero uma vida tranquila.
- Eu sei.
- Um pequeno chalé na beira do mar…
Eu pesco um peixe
e depois vou dormir. Só isso.
Até sonho com isso.
Juro que quero ir embora.
Ele sempre quer ir embora, mas nunca vai.
Lá vamos nós.
Kartal Yanıklar me acordando
do sonho na praia.
Alô? Kartal?
CONCESSIONÁRIA K. YANIKLAR
O Bünyamin está aqui. Deixo entrar?
- Hoje acaba o prazo dele, né?
- É, mas ele parece meio nervoso.
Deixa ele entrar.
Coloca no cofre e leva pro tio à noite.
Tá bom.
- E pede um chá.
- Tá.
- Salam Alaikum.
- Alaikum Assalam. Sente-se.
Vim pedir um favor.
Pode falar.
É a minha filha…
Você sabe, ela não está bem.
Eu sei, o Dr. Ali indicou um lugar.
Abençoado seja ele.
A doença voltou.
Puxa vida.
Não vim pedir dinheiro.
Queria adiar o pagamento do mês.
É pra comprar remédios.
São muito caros.
Fomos a dois médicos,
e ambos deram novas receitas.
- É muito dinheiro.
- Tá bom, Bünyamin. Sem problema.
Vou daqui direto pro hospital.
Minha esposa está esperando.
Ou eu jamais pediria.
O que fará no mês que vem?
Juro que é a última vez.
Não está mais apostando, né?
Não, cara.
Parei, eu juro.
Precisa de dinheiro?
Não, muito obrigado.
Ótimo!
Pode ir, você vai se atrasar.
Mas não pede de novo no mês que vem.
Dá um jeito. Não vou ter pena.
Tá bom. Obrigado, cara.
Fui ao médico, como falaram.
Eu meditei, como falaram.
Até virei especialista em ioga.
Eu até iria à Índia,
mas vocês nunca me deixam em paz.
Mas ainda assim eu estrago tudo.
- Não me acalmo.
- Você não tem autoconsciência.
Admitam. Eu sou assim.
Falei que ele ficaria ofendido.
Me joguei na frente do carro dele.
O que mais farei?
Quando pensei
que tinha achado um novo ajudante,
a Afife estragou tudo.
Será que ligo pra ele?
Defne. Devo ligar?
- Pro Kemal?
- É.
- Chega.
- Bem…
Você já fez tudo o que podia. Tudo bem.
Por que está chateada assim?
Não se perca na história que vai escrever.
Que história?
Não sei que história…
Ela perdeu a cabeça de vez.
O que quer com ele?
Por que quer ligar pra ele?
Faz o que quiser,
mas pensa nas consequências.
Não vai dar certo.
Como assim?
Sei lá.
- Entra, Destan.
- Pai?
Por que ainda está aqui?
Senta.
Está tudo bem?
Sim, papai.
E Haldun, o Rei? Ele está bem?
Isso acabou, pai. Parei de ir lá.
Que bom.
Que bom.
Se eu ficar sabendo
que você pisou lá de novo
ou que você apostou,
vou arrancar seus olhos.
Entendeu?
Entendi, pai.
Meu filho sensato.
Te chamei porque vamos dar
uma lição em outro apostador.
Precisamos acertar umas contas da família.
Do seu jeito.
Se você conseguir.
É só dizer, pai.
Gostei deste.
- Vai ficar bom.
- Ótimo.
- Este.
- Ou este.
Bom dia, seu Macit.
- Olá.
- Olá, Şahin.
- O Kemal não vem?
- Ele me mandou vir. A Neslihan mandou.
- Seu Muharrem não vem, então.
- Não. E nem o Destan.
- Nada de spray de pimenta, né?
- Depende de você.
Levem pro jardim.
Senta. Não vamos ao restaurante hoje.
Bom dia, Neslihan.
Estamos em casa.
Por que o tio me ligou?
Tá bom, depois vamos ver os móveis.
Vou precisar sair.
Você se vira, né?
Os remédios estão aqui.
Vai precisar de um telefone.
Kemal.
O que você tem com a Neslihan?
Como assim?
É verdade que vocês vão se casar?
Você pensou bem? Tem certeza?
Não esquece os remédios.
E não deixa o fogo ligado.
Daqui a pouco eu volto.
K. YANIKLAR CONSTRUÇÕES
- Olá.
- Senta, Kemal.
Está tudo bem?
A Neslihan disse que era urgente.
Precisamos conversar.
Beleza. Qual é o assunto?
- Você recebeu os pagamentos ontem?
- Sim.
Todos?
Todos.
Kartal, colocou o dinheiro no cofre?
Coloquei, claro.
- E o Bünyamin?
- O que tem ele?
- O pagamento.
- Dei o meu jeito.
Que jeito?
O meu jeito, tio.
Não me parece o jeito certo.
Protegendo alguém de novo.
E não é a primeira vez.
- Qual o problema, Kemal?
- Me diz você, tio.
E se começarem a pensar
que os Yanıklars viraram molengas?
E se não nos pagarem mais?
E se tentarem pegar o que temos?
Você não me deixou escolha,
tive que intervir.
Me obrigou a mostrar
às pessoas que nos enganam
do que somos capazes.
Salam Alaikum, senhores.
Alaikum Assalam.
- Tem lugar pra mim?
- Se tiver grana.
- Qual a aposta mínima?
- Quatrocentos.
Boa sorte, senhores.
Destan.
Bünyamin, meu chapa…
Posa pra câmera
e mostra como você é bonito.
- Por favor, cara.
- Vamos dar uma volta.
Não se preocupem, senhores.
Fiquem onde estão.
Telefone numa mão, arma na outra.
Acidentes acontecem.
- O que é isso?
- Que porra?
Pega o dinheiro.
Beleza, cara.
Cara…
Cara, aonde vamos?
Vamos só dar uma voltinha, Bünyamin.
Vamos conversar no caminho.
O que aconteceu com sua dívida?
Juro que falei com o Kemal.
Ele adiou!
Você disse:
"Vou apostar, então não vou te pagar."
Foi? Vou perguntar pra ele.
- Não mente.
- Juro por tudo que vou pagar.
Eu me levantei da mesa.
- Está tudo no meu bolso.
- Passa pra cá.
- Aqui.
- Bota aí.
Juro que vou pagar.
Vou pagar, eu juro.
Caro Bünyamin.
Sua história funciona
com o coração mole do Kemal.
Tenho cara que quem tem pena?
Fiz uma pergunta, cara. Responde.
Não tem cara, não.
Quem tenta enganar
a família Yanıklar paga o preço, né?
Responde, Bünyamin.
Paga, cara.
Paga?
- Sim, paga!
- Sabe qual é o preço?
Vou te mostrar.
Porra!
Não se preocupa,
Kemal do coração mole e mão de ferro.
Peguei o dinheiro por você.
A arma foi exagero, eu admito.
Mas não consigo impedir ele.
Ele nunca me escuta.
Como isso é possível, tio?
Alguma vez na vida, você não impediu algo?
- Não.
- Como sabe que não peguei o dinheiro?
Kartal?
Não, que isso, nunca, eu…
Eu não preciso do Kartal.
Eu vigio o escritório de todos vocês.
Tenho câmeras ocultas. Por que essa cara?
Está falando sério, pai?
Você vigia todos nós?
Vigio.
Tem várias no seu.
Eu te vigio o tempo todo, fedelho.
Como assim, tio?
Sabe, a minha mãe dizia…
Não confia nas pessoas, elas morrem.
Não confia nas árvores, elas murcham.
Eu confio em vocês,
mas e se acontecesse alguma coisa?
Por 50 anos,
levei esta família nas costas.
Eu daria sorte pro azar?
Escuta, querida,
você nunca me decepcionou.
Você sempre faz o que diz.
Digo o mesmo dele,
mas anda estranho ultimamente.
Preciso cuidar
da minha família e do meu trabalho.
Tem alguém te vigiando?
Não se preocupa comigo.
Está tudo certo.
Mando inspecionar tudo aqui,
de cima a baixo, toda semana.
Se você diz…
Não falei que não podia usar armas, primo?
- Falou.
- Eu dei permissão.
Ele me mandou
pegar o dinheiro do meu jeito.
Esse é o meu jeito.
- Me dá a arma.
- Não, estou de boa.
- Me dá a arma.
- Kemal, calma. Senta aí.
- Destan, você também.
- Estamos calmos, pai.
Vem pegar.
Mas, cuidado, meu dedo está no gatilho.
- Destan!
- Destan, chega. Kemal, pra trás.
Kartal, o que eu sempre falo?
Se vir uma faca, corre.
Se vir uma arma, ataca.
Por quê?
Por que, cara?
É por isso.
Sua provocação só serviu
pra te deixar mais perto da morte.
Agora entendeu por que falei
pra você não usar armas?
Um dia, não vai enfrentar seu primo,
mas alguém louco
pra estourar seus miolos, Destan.
Era eu que devia lidar com aquele cara.
Não confiam em mim
e agem como se fosse motivo de orgulho.
Quando convém, somos uma linda família.
De repente, somos um bando de mentirosos.
Que bela família…
Ninguém confia em ninguém.
E você? A gente sabe que não vale nada.
Mas você?
Não está com vergonha?
E você?
Minha noiva?
Ou fazemos as coisas do meu jeito,
ou tomam as decisões no meu lugar.
Agora, vou só vender carros.
Se vierem até vocês
pedindo pra pagarem por essas escolhas,
não venham correndo até mim.
Não adianta dizer: "Kemal, salva a gente."
Será com vocês.
Como assim, tio?
- A minha mãe dizia…
- Para. Volta.
Certo.
Para.
Reproduz.
Tem alguém te vigiando?
Não se preocupa comigo.
Está tudo certo.
Mando inspecionar aqui toda semana.
Ouviu isso?
"Está tudo certo."
Eu dei permissão.
Obrigado, Afife.
Gostaram?
Não, como sempre.
Só ele gosta da comida da mamãe.
- Comeu duas porções de bulgur pilaf.
- A primeira era dobrada.
- Obrigado.
- De nada.
Com licença.
- Obrigado, boa tarde pra vocês.
- Boa tarde, Şahin.
Vamos. Não dá pra atrasar no primeiro dia.
- Tudo bem. Boa sorte.
- Obrigada.
Afife, a pia está pingando de novo.
Vou resolver hoje à noite.
PENSEI NO ASSUNTO.
VOCÊ TINHA RAZÃO, EU EXAGEREI.
ME DESCULPA. PROFESSORA AFIFE.
PS: EU NÃO COSTUMO DIZER ISSO.
Eu aceito sua oferta. Vou ajudar.
Ah, sinto muito.
Você tinha razão.
Bom, eu acho.
Vou dar informações
que vocês nunca nem imaginaram.
Está tudo bem?
Você tem raki?
Você estava certa sobre a gente.
Você nem deve ter dito tudo.
É tudo verdade.
É que…
eu nem sei mais o que somos, sabe?
Talvez uma máfia.
Só sei que fazemos coisas horríveis.
E eu faço sem pestanejar.
Porque esse sou eu.
Infelizmente, esse sou eu. É o que somos.
É ainda pior do que a máfia, sabia?
Meu pai disse
que as mãos dele continuam sujas.
As minhas também.
Também estou sujo.
Hoje, eu adiei a dívida de um homem.
Mas ele mentiu pra mim.
Disse que a filha estava doente.
Era mentira.
O que minha família fez?
Atirou nele.
É desse jeito.
Não fica chocada.
Se quer mesmo saber como somos,
é melhor preparar o estômago.
Eu…
Sabe…
Na prisão,
enquanto eu te ouvia falar na aula,
alguma coisa…
mexeu comigo.
Me vi pensando:
"Será que consigo fazer isso?
Consigo escrever?"
Então, arrumei um caderno e uma caneta.
Acabei escrevendo um pouco.
Aquelas aulas
fizeram brotar algo muito bom em mim.
Como posso dizer?
Eu escrevi histórias.
Graças a você.
Obrigado.
Mas essas coisas…
Digo, o que… eu escrevi…
Tudo isso sumiu. Não sei aonde foi parar.
Simplesmente sumiu.
Só sobrou a sujeira. E ela não vai sumir.
Se eu tivesse a mesma sorte
que vocês tiveram…
Se a vida tivesse me dado a chance…
Ela não deu, e não pude ser decente.
É só um sonho pra mim.
Mas, se eu tivesse falado com alguém,
se tivesse pedido ajuda,
e se tivessem me ajudado…
Eu ia querer isso.
Sinto tanta vergonha.
Eu queria muito que tivessem me ajudado.
De verdade.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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