To Love, To Lose (2025) s01e06 Episode Script

Episode 6

1
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
AMOR
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Respondam: qual o tipo de história
que é mais marcante?
Bravo. Histórias de amor.
Entre classes diferentes?
Chato, mas um clássico.
Amor entre amigos? Interessante.
Entre inimigos? Sexy.
Amor impossível? Um dramalhão.
E a lista continua.
Acho que o amor real
acontece entre duas pessoas
que se complementam
ideológica e biologicamente.
Mas o que isso quer dizer?
Amor entre uma bailarina e um mafioso.
Não daria certo.
Cai na categoria do amor impossível.
Pode até acontecer,
mas não sei se dá pra acreditar.
Não reclamem depois.
AMOR
JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!
Mulher, vida, liberdade!
Mulher, vida, liberdade!
- Esses slogans são ilegais!
- Mulher, vida, liberdade!
Esse protesto é ilegal!
Viva nossa luta feminista!
Viva nossa luta feminista!
Mulher, vida, liberdade!
Esses slogans são ilegais!
Parem imediatamente!
- Viva nossa luta feminista!
- Não nos obriguem a intervir!
- Pra trás!
- Sem empurrar!
Estamos paradas. Sem empurrar!
Garota, pra trás!
- "Garota"?
- Pra trás!
- Viva nossa luta feminista!
- É o último aviso, garotas!
Parem!
- Pra trás!
- Levem essa mulher!
Não usem isso!
Defne! Levanta!
- Afife, é você?
- É óbvio que sou eu!
- Não me toca!
- Liberem a área!
Não estou vendo nada!
- Por que estava na frente? Vamos!
- Não vejo nada, como vou correr?
- Não corre! Vem cá!
- Ah! Está ardendo!
Não fala. Respira com calma.
Não acha que te perdoei
só porque salvei sua vida!
- Que drama!
- Posso fazer o drama que eu quiser! Vem!
Anda, vem!
- Há quanto tempo…
- Quê?
O Baturay! Há quanto tempo estão juntos?
Afife, qual é!
Ele está aqui?
Vem, por aqui.
Vão embora!
Ele não veio?
- Não sei, terminamos.
- Que pena! Sinto muito.
Não deu certo? Ele é um cara tão legal.
Ouvi dizer que ama as piadas dele.
Acha ele engraçado?
Vem.
- Olá.
- Olá, bom dia.
- Olá.
- Bom dia.
O Baturay quer levar a vida
sem preocupações.
Logo ele, que causou
todas as minhas preocupações!
Duas águas… O que vai querer?
- Bem…
- Dois cafés passados, por favor.
É pra já.
- Ele nem liga pro clima.
- Devia ligar?
Você também não liga?
Sem me zoar. Ele tem que ligar?
- Aqui está.
- Muito obrigada.
De nada. Fiquem à vontade.
Afife, fui atacada com gás e apanhei.
Não vamos brigar agora.
Para com isso.
Essa sua cara. Dá vontade de te socar.
- Você diminui todos.
- Quem eu diminuo?
Eu agora, e todas as pessoas.
É mesmo?
Escuta uma vez, pra variar.
Não é sempre uma competição.
Escuta o que querem dizer.
Você nunca ouve ninguém
que não concorda com você.
Precisamos balançar a cabeça
e concordar com tudo o que você fala.
Senão, você explode.
Algo mais?
Você não faz mais nada de coração.
Sempre quer ser a dona da razão, Afife.
Por isso seus projetos não vendem.
São todos perfeitos.
Mas sem alma.
Você é uma ótima observadora.
Presta atenção nos mínimos detalhes,
mas não sabe observar você mesma.
Se fizesse isso,
seria tudo tão mais fácil.
Juro que não chamei ele.
A gente terminou, é sério.
Como estão?
Eu fui lá com meus alunos.
Mas a gente se desencontrou. Isso é café?
Odeio vocês dois.
Mas preciso de vocês.
Não faz essa cara.
Preciso de vocês pro roteiro,
não vou conseguir sozinha.
Mãos à obra!
Tá bom.
Baturay, paga a conta.
Não trouxe a carteira.
Defne, pode pagar?
Esse é o Baturay…
Entrem, por favor.
Ajustem o banco pra ficarem confortáveis.
Enquanto isso, vou apresentar o carro.
- Acabou de chegar. Está novo.
- Legal.
Um senhor comprou pra esposa,
mas se separaram.
Ficou parado por seis meses,
só 12 mil quilômetros.
- Novinho, quase zero.
- Gostei, querida.
Você gostou?
O Kemal está lá.
Também gostei.
É difícil achar
um carro pouco rodado hoje em dia.
Tá bom, Selim. Você tem a minha palavra.
Vou reservar por dois dias.
Há outros interessados.
Até mais. Tá bom.
Neslihan, bem-vinda. Senta.
Fiquei checando os pagamentos
a noite toda.
O tio pediu pra agilizar,
tem muita gente devendo.
Sabe aquele restaurante?
Fala pra não se animarem.
Aquelas ações são uma bolha.
Lixo.
Derreteram, e ainda vai piorar.
Parece que a empresa não vai ser vendida.
Se deram muito mal.
Confirmei com três fontes.
Avisa que terão que dar um jeito.
Por que eu?
Você vai lá todo dia.
Pra escrever o roteiro com sua professora.
Seu pai é o chef de lá.
Devo continuar?
Vão ter que achar outra casa.
E um restaurante.
Ela assinou um papel em branco.
O valor está claro.
Como vão pagar? Com beijos?
O meu tio sabe disso?
Ele sabe de tudo.
É com você.
Posso ajudar?
Vim dar os parabéns.
Devia ter vindo antes, mas andei ocupado…
Você nos surpreendeu.
Do que está falando?
Quando você achou a câmera e tirou de lá?
Meus parabéns.
É da polícia?
O que quer?
Vai descobrir o que queremos em breve.
Kemal, nós te conhecemos bem.
Conhecemos bem os Yanıklars.
Logo saberá mais.
Ah, manda um oi
pro seu tio Kudret, pro seu primo Destan
e também pra sua belíssima noiva.
Até mais.
Falei pra ela não ir ao protesto,
mas ela não me ouve.
Não ouço mesmo.
Seu rosto está péssimo, Defne.
Pelo menos se encontraram.
Tudo ocorre por um motivo.
Comecei a achar que nunca mais se veriam.
- Por quê?
- Por causa de você e do Baturay.
Eu e o Baturay terminamos.
Não é hora de falar disso.
Vamos trabalhar.
Prontinho.
Estou cheia de coisa pra fazer.
O seu Muharrem não vem?
O Kemal ia à concessionária
antes de buscar ele.
Ele vai me explicar umas coisas,
só perguntei que horas viria.
Só sobrou ele na equipe.
Até agora.
Meu aprendiz chegou. Vem, Muharrem.
Faremos gül böregi hoje.
Quer dizer, vou tentar, com sua ajuda.
Trabalho em equipe. Vamos.
Tenho uma novidade.
Infelizmente, não é boa.
FECHADO
Afife.
Afife, sinto muito.
Eu nunca teria adivinhado
que as ações cairiam.
Era pra ficarmos ricos.
Que vergonha!
Sei que isso tudo é minha culpa.
É minha responsabilidade.
Eu vou lá.
Aonde?
Ao lugar que jurei que nunca iria.
Vou pedir dinheiro a eles.
Vou com você.
Mas nada de Shakespeare no caminho.
Nem sei o que dizer.
Como fui te enfiar nessa?
Se arrependimento matasse!
Por que fui inventar de investir nisso?
Se eu tivesse uma casa,
juro que ia tentar vender agora mesmo.
Estou tentando conseguir dinheiro
desde que soube!
Afife.
- Dona Perihan.
- Tá tudo bem. Vem.
Isso. Vou dar um jeito.
Seu Muharrem, vamos sair.
Consegue cuidar de tudo, né?
Não percam a esperança.
Ajudem o seu Muharrem até voltarmos.
E continuem trabalhando no roteiro.
Isso sim é uma virada na história.
As donas do restaurante
perdem a esperança de pagar a dívida
e de salvar a casa
e o restaurante dos agiotas.
Não resta nenhuma saída,
a não ser um milagre.
E sabemos que usar milagres
nas histórias é muito amador.
Oi. E aí, miss protesto, como está?
Olha quem está aqui.
Defne, está de volta?
Acho que estou desatualizada.
Mana, o que foi?
É uma longa história.
- Vamos pedir dinheiro ao vovô.
- O quê? Tem certeza?
Ideia dela.
- Quem é esse avô?
- Senhor Mümtaz. Nunca vi ele.
Ele é tão rico assim
pra emprestar tanto dinheiro?
Dizem que poderia comprar Istambul.
Pelo menos uma parte.
Bem…
Até onde sei,
o vovô Mümtaz é um arquiteto famoso.
Muito famoso.
E a vovó Nadide é médica do cérebro
ou dos pulmões, algo importante.
Os dois são professores
e têm muito dinheiro.
Minha mãe é filha única.
Depois que ela se formou
num colégio americano,
foi pros EUA estudar medicina
em Nova York, ou algo assim.
Mandaram ela escolher
medicina ou arquitetura.
Ela nem decidiu
e disseram que faria medicina.
O maior erro deles
é mandar ela fazer algo que não queria.
Ela queria ser atriz.
Sempre quis, desde o colégio.
Então, ela não aguentou
e fez aula de teatro
em Nova York em vez de medicina.
Stella Adler.
É a ídola da Perihan.
Stella Adler. Um gênio do teatro.
A maior professora de todas.
- Tem uma foto dela lá em cima, né?
- É.
Minha mãe começou a estudar teatro.
Um belo dia,
meu vô decidiu ir visitar a filha.
A universidade disse:
"Sua filha não está vindo pras aulas."
Ele ficou chocado.
Parou de mandar dinheiro.
Mamãe não se importou.
Fez o que pôde pra pagar os estudos.
Os anos 80 foram difíceis.
Não tinha muito emprego.
O dinheiro acabou.
E aí ela teve que voltar.
E, ao voltar, descobriu que foi deserdada.
Sério?
Mas ela nunca desistiu.
Insistiu em ser atriz.
E conheceu um ator pobre,
meu querido pai, Hurşit Kazan.
Casaram-se e abriram
uma companhia de teatro, o Cabaré Kazan.
Logo depois, ela ficou grávida da Afife.
Esse é o resumo.
- Ela não viu a família desde então?
- Não.
Que loucura. E eu achando
que tinha problemas familiares.
Eu também.
Que lugar é esse?
Eles devem ser muito ricos.
O jardim está igualzinho.
Até as folhas estão iguais.
Sempre foi assim, sabe?
Faz muito tempo.
Olá. Como posso ajudar?
Pode avisar o Mümtaz e a Nadide
que a filha deles está aqui?
Perdão, quem?
A filha deles. Perihan.
Um momento.
Escuta.
Não grita e não perde a paciência, tá bom?
Deixa que eu falo. Fica quieta, tá bom?
- Tá bom?
- Tá bom.
Faz cara de "tá bom", então.
- Como é cara de "tá bom"?
- Não é essa aí.
Falei com eles,
mas estão ocupados no momento.
Preciso de permissão pra entrar
na casa do meu avô? Ridículo, né?
Moça, por favor.
Enfrentei a polícia
não faz nem duas horas.
Foi feio, estou no meu limite.
Não me provoca.
Mas vou ter problemas.
Não tantos quanto a gente. Fica tranquila.
Tá bom.
Me acompanhem.
Um momento, estão almoçando.
Vou avisar de novo.
Não mudou nada.
Que lugar estranho, parece um museu.
Coisa do meu pai.
Somos descendentes da nobreza.
Infelizmente, tive que deixá-las entrar.
Elas insistiram muito.
Como isso é possível?
Quem abriu o portão?
Estão trocando as câmeras externas.
Elas acabaram entrando. Sinto muito.
Olá.
Perdão por interromper o almoço de vocês.
Afife Jale?
- Tem dois filhos, não é?
- Sim, vocês já sabem.
O que você faz, Afife?
Sou roteirista.
Certo.
Você tem um irmão, não é? Ali?
Sim, ele é músico.
Músico erudito?
Ele largou os estudos. É um músico de rua.
Certo. Sou todo ouvidos, Perihan.
Vamos perder minha casa
e o restaurante dela.
Estamos devendo pra agiotas.
É uma longa história.
Preciso da ajuda de vocês.
Você disse que é roteirista.
Uma roteirista desempregada.
Também tenho um restaurante.
Fico surpresa
que tenham uma casa pra morar.
Isso é consequência das suas escolhas.
Não tem a ver com isso.
Se tivesse feito as escolhas certas,
não estaria passando por isso agora.
- Estou feliz com minhas escolhas.
- Claro.
Não tem a ver com minhas escolhas.
Seus filhos, um músico de rua
e uma roteirista desempregada,
estão felizes?
Valeu a pena?
Tudo o que nos fez passar?
O que ganhou no fim?
- Não viemos remoer o passado.
- Não. Eu realmente quero saber.
O que você ganhou?
Nada, por isso veio aqui,
pra nos pedir dinheiro.
Será que vocês não deixaram
de ganhar nada?
Talvez não se importem com isso,
mas perderam uma filha.
Onde está sua filha?
A minha está aqui.
Afife Jale.
Esse nome tem muito significado, não é?
Minha cara, sua mãe é
muito habilidosa em distorcer a verdade.
Faz alguma ideia de tudo o que passamos?
- Quando você foi embora…
- Fui expulsa.
Quando foi embora,
seu pai teve um infarto.
Não foi só um, foram dois.
Ele passou semanas no hospital.
À beira da morte.
Tomo antidepressivos há 40 anos
para minhas mãos não tremerem
e eu continuar minha carreira.
Eu só queria ser atriz.
Não, você só queria nos desafiar.
Me mandaram fazer medicina sem perguntar!
Você não era capaz
de tomar suas próprias decisões.
Ainda não é.
Vocês queriam um robô que controlassem.
Não sou assim e nunca quis ser.
Filha, você nunca quis nada.
Nunca teve nenhum objetivo.
E seus filhos são iguais.
Me diz, já conquistou
alguma coisa na sua carreira?
Seu irmão tem pelo menos
uma música tocando no rádio?
Ou será que são iguais à sua mãe…
- Vocês nem conhecem sua filha.
- Não me interrompa.
Tentei ser atriz.
Passei fome e lutei muito.
Era o único jeito
de eu continuar respirando.
Mas escolheram sufocar sua própria filha.
Eu escolhi viver.
Essa conversa não vai dar em nada.
Veio pedir dinheiro, não foi?
Então, se desculpe.
Precisa dizer que se arrepende
e assumir a responsabilidade.
Admita que arruinou sua vida
por causa da sua irresponsabilidade.
Você vai se desculpar.
Vocês realmente sofreram muito.
Têm razão, ela não entende
muito de responsabilidade.
Eu e meu irmão sempre dizemos:
"Somos filhos dela ou ela é nossa filha?"
Devo ter trocado
mais fraldas do Ali do que ela.
Uma vez, numa turnê,
ela e meu pai nos esqueceram num posto.
Dá pra acreditar?
É sério, juro.
Essas turnês eram um pesadelo.
Os hotéis na Anatólia da época
eram terríveis.
Mamãe cozinhava pra equipe
em cozinhas improvisadas.
Sempre o mesmo prato. Macarrão.
Botavam duas cadeiras atrás do palco
pra mim e pro meu irmão dormirmos.
Parecia um filme ruim.
Uma cidade nova a cada dia.
E hotéis dos quais fugíamos sem pagar.
Nossa vida era assim.
Mas sabem de uma coisa?
Nunca quisemos um pedido de desculpas dela
por nos fazer passar por isso.
Porque o amor e a compaixão dela
valiam mais que qualquer coisa.
Era diferente e estranho, mas era real.
Éramos tão felizes com ela.
Mesmo com as costas doendo nas cadeiras.
Mesmo eles nos esquecendo no posto.
Essa mulher traída
pela própria mãe e pelo próprio pai.
Essa mulher expulsa de casa
por fazer a escolha errada.
Como se atrevem?
Como podem ser tão arrogantes?
Quem acham que são pra exigir desculpas?
- Quem vocês acham que…
- Afife.
Vamos, mãe.
Levanta. Vamos.
Obrigado.
Seu Muharrem, parabéns.
Esse gül böregi estava perfeito.
Por que não vira o chef daqui de uma vez?
- Os clientes exigem.
- E a gente também.
- É.
- Até parece.
Şahin.
Vem cá.
- Aqui está o dinheiro de hoje.
- Obrigado.
Eu nem vou contar.
É só brincadeira.
Se cuida.
Tio, o gül böregi estava uma delícia.
Que bom que gostou.
Limpa o chão.
- Ali.
- Sim?
Vem aqui um pouco.
- Valeu, Muharrem. Levaremos os pratos.
- Não precisa.
E aquele lance da guitarra? Já vendeu?
Baixei o preço, mas nada.
O mercado da música está em crise.
- É tão cara assim?
- Baturay, deixa isso. Ajuda aqui.
Olha.
Nossa!
Guitarras são tão caras assim?
Não é uma guitarra qualquer.
Essa é muito especial.
Era do Erkin Koray.
Ele é diferente.
O som, a vibe… Nem sei explicar.
Claro.
Um amigo quer comprar
uma boa guitarra pro filho.
Um dos caras que veio jantar aquele dia.
- Essa não é pra iniciantes.
- Acho que vai servir. Vamos ver.
Se ele quiser comprar,
trago a grana hoje à noite, tá?
É sério, cara?
Na verdade, vou ali fora ligar pra ele.
- Leva isso pros fundos.
- Certo, seu Muharrem.
Baturay, vem cá.
E esse sorriso?
O Kemal é um cara incrível.
Obrigada, Muharrem.
Baturay, olha a pia.
- Vou subir e já volto.
- Já consertei!
Não precisa ter pressa.
Ainda está pingando!
Não me olha assim.
Não tive escolha. Eu juro.
Depois de 40 anos.
Você tinha razão de novo.
Só tenho uma família.
Você e nossos filhos.
Sinto tanto sua falta, Hurşit.
Nós vamos dar um jeito.
"Nós"?
Qual o seu interesse?
Te ajudar.
Vamos conversar sobre a história.
Assim, vamos nos distrair.
Defne, Baturay,
vamos trabalhar no roteiro.
Fechei o negócio da guitarra.
- Me passa sua conta.
- Nossa, foi rápido. É sério?
É.
A regra mais importante dos agiotas
é manter a palavra.
Como falei, damos empréstimos
a quem não consegue por vias legais.
Só dinheiro vivo.
Oferecemos um serviço sigiloso
pra quem precisa de dinheiro.
Pra disfarçar,
trabalho numa concessionária.
O Şahin é joalheiro.
Meu tio e a Neslihan
trabalham com turismo e tecidos.
O Destan, com imóveis.
Sempre temos um pequeno negócio
em setores lucrativos, como o turismo.
A Neslihan cuida das finanças.
Além de empréstimos e dívidas,
é importante administrar o dinheiro.
Defne, tira uma foto disso.
Já esqueci o que ele disse.
- Vamos encerrar por hoje?
- Claro.
Defne, anotou tudo, né?
Claro.
O que eu faço?
Espera minha raiva passar.
Sabe os vídeos da Internet
que pesquisaríamos?
- Faz uma lista.
- Vai ficar pronta amanhã.
Cara.
Pegarei a guitarra.
Beleza, cara.
Antes que eu me esqueça,
Kemal, isto é pra você.
O LIVRO DOS SENTIMENTOS HUMANOS
- Acha que não tenho sentimentos?
- Você tem, só esconde.
É leitura obrigatória pra roteiristas.
Na nossa opinião.
Esse livro me ajudou muito
nas aulas de atuação, e ajuda até hoje.
Vamos.
Você devia ler.
Talvez te ajude
a expressar seus sentimentos.
Uma vez escrevi
sobre meus sentimentos, professora.
Coloquei tudo numa caixa e tranquei.
Nunca mais abri.
Sério? Podemos ler uma hora.
Não, nem pensar.
Podem ser úteis. É sério.
Vou pensar.
Então, pensa.
Vou dar comida pros meus bichos.
O assunto de hoje é o conflito.
Essencial pra toda história.
Vou dizer uma coisa.
Conflito não significa
só personagens discutindo.
É qualquer coisa
que atrapalhe e mude o rumo da…
de uma história.
O confli…
Adeus.
Você está bem?
Não.
A guitarra.
Este é o suporte.
Precisa ficar no suporte, não na parede.
Se não for usar, é melhor deixar na capa.
Qualquer dúvida, ele me liga.
É difícil, né?
- Quem ia querer isso?
- Não me entenda mal, mas…
Às vezes, é bom
nos afastarmos do que amamos.
Não importa o que seja.
Pode ser bebida, comida, um amigo…
Uma paixão.
Um instrumento.
É bom dar um tempo.
Sentir saudades. Criar memórias.
E quem sabe? Talvez um dia se reencontrem.
Vai poder reviver o amor
que estava distante.
- É improvável, cara.
- Não diz isso.
O dinheiro já vai entrar na sua conta, tá?
Vendi a guitarra. Já recebi o dinheiro.
Vai nos ajudar por um tempo.
Eles te magoaram muito?
Nunca me magoo
com minha família por perto.
Eles ainda são ricos?
Nem pergunta.
Bom, vamos lá.
O jantar está pronto.
Mais pro lado, meu bem. Coloca aqui.
- Cadê os copos?
- Boa noite.
- Lá dentro. Vou pegar.
- Bem…
Achei que não viria,
e mamãe ficaria chateada.
- Que bom que veio.
- Claro, tio.
- Tio, podemos conversar?
- Claro, pode falar.
Vovô.
Vovô, hora do abraço.
Minha princesinha.
O vovô precisa de um minutinho.
- Destan.
- Vem cá, querida.
- Tudo bem, primo?
- Tudo, Destan.
Sabe a família de hoje de manhã?
Vendi o carro pelo preço que você queria.
Filho, eu e ele precisamos conversar.
Desculpa, pai.
Sim, Kemal.
Sabe o restaurante?
- Sei.
- Da Sra. Perihan.
Não sei o nome. Ela tem uma filha, né?
Ela pegou dinheiro emprestado
e investiu em ações.
Elas despencaram.
Ah, lembrei. A localização é ótima.
Ela assinou um papel em branco.
Vamos ganhar muito dinheiro.
Se não pagarem,
vamos tomar a casa e o restaurante.
Vamos esperar um pouco.
Por quê?
Elas pediram.
Estão pagando os juros?
Nós não esperamos,
a menos que você nos diga pra esperar.
É só dizer.
Seu desejo é uma ordem.
Mas uma mão lava a outra.
Esquece aquela briga.
Que se dane o restaurante.
Nem vale o esforço.
Temos outras preocupações.
Volta ao trabalho, Kemal.
A família Yanıklar precisa de você.
O que mais quer que eu diga? Hein?
- O jantar está na mesa.
- Finalmente.
Vamos comer.
Tragam seu avô também.
Ele vai jantar conosco.
- O jantar está na mesa.
- Vamos, vovô.
- Posso comer aqui?
- Não, vovô.
- Lavou as mãos?
- Anda.
- Şahin.
- Traz a cadeira.
Eu acabei escutando vocês.
Quem você quer ajudar?
Não é ninguém, vovó.
É aquele restaurante? Quer ajudar?
Ajudar quem?
Cuidado, querido.
Cuidado, meu rapaz.
Não é o que a senhora acha.
Não acho nada, querido.
Você sabe que tenho uma intuição forte.
A comida vai esfriar.
Pra mim, o Kemal é
um homem que cumpre sua palavra.
Essa é sua maior qualidade.
Somos sua família.
Você é nossa prioridade.
E nós somos a sua.
E também tem a Neslihan.
Não vê o quanto ela está sofrendo?
Ela não demonstra,
mas está sofrendo.
Vovó, chega. O que ela tem a ver com isso?
Ela é minha filha.
Ela é a pessoa que preencheu o meu vazio.
Muito querida pra mim.
Ela faz parte da nossa família
tanto quanto você.
Não pode tratar ela desse jeito.
Façam esse casamento de uma vez.
Depois, pode fazer o que quiser,
ajudar quem quiser. Não me importo.
Mas, se essa ajuda
prejudicar minha família de alguma forma,
então…
Então o que, vovó?
Nem preciso pensar nisso.
Meu Kemal sempre faz
o que é certo.
E nunca vai deixar de fazer.
Nunca vai me decepcionar.
Nem decepcionar sua família.
Não é?
- É a caixa que mencionou?
- É.
Coloquei meus sentimentos nela há tempos.
E nunca mais abri.
Vou reabrir agora, com você.
Minhas histórias.
Por que viemos aqui
como um casal de namorados do colegial?
Ah, fiquei com vergonha.
- Não queria que vissem no restaurante.
- Você tem vergonha de tudo.
Eu escrevia muito bem antigamente.
Escrevia frases bonitas.
Pelo menos, eu achava que sim.
Vou ler tudo agora.
Aí a gente conversa.
O que foi?
Vou embora, Afife.
Pra onde?
Preciso voltar ao meu trabalho de vez.
Não posso continuar
com esse lance do roteiro.
Mas eu ficaria feliz
se meu pai pudesse ficar.
Ele se acostumou com vocês.
Claro.
Outra coisa…
Ampliamos o prazo da sua dívida.
Não dá pra esperar pra sempre, claro.
Mas acho que vai ajudar
até a série de TV dar certo.
Por que vai embora?
Tenho que ir.
Não é por causa da gente, é?
Existe "a gente"?
Não sei.
Não existe?
Um dia.
Vamos fingir
que estamos juntos por um dia.
Ninguém precisa saber. Só nós dois.
Só por um dia.
Vamos ficar juntos, vamos fugir.
Não vale a pena?
E depois?
Estou cansada de pensar no depois, Kemal.
"Hasan dorme no beliche ao lado do meu.
Dorme como uma criança inocente,
roncando baixinho e se mexendo.
É possível que alguém tão inocente
seja um assassino?
Sim, é possível.
De manhã, ele coloca uma máscara de durão
antes de lavar o rosto.
Como todos nós.
Talvez só os sonhos
consigam removê-la e nos fazer viver.
Aprendi a sobreviver aqui.
Já vim pra cá muitas vezes.
Eu acordo e risco um dia no calendário,
aguardo ansiosamente o dia de visitas,
ouço conversas na ala da prisão,
sinto o sol que entra pela pequena janela,
conto os passos quando caminho,
respiro fundo se estou doente,
transformo este beliche num lar,
deixo as memórias ao lado da cama,
escondo minhas lágrimas
quando a saudade aperta…
Eu aprendi tudo.
Eu a vejo pela 1ª vez na sala de aula.
Dizem que ela está aqui
pra ensinar os detentos.
O nome dela é lindo.
Afife Jale.
Quem ela vai ensinar? Por quê?
Ela fala de um modo animado,
parece meio nervosa.
Ela fica olhando pro guarda.
Só pra garantir.
Com o tempo, ela se familiariza
com os assassinos, ladrões e golpistas.
Conosco. Ela até começa a sorrir.
Então, um dia, ela me nota.
Ou melhor, acho que sim.
Nos olhamos por um breve momento.
Aposto que ela pensa:
"Nem pensar. Eu e esse homem?
Não faz sentido."
- Você escreveu tudo isso?
- Escrevi.
Não acredito.
Professora, falei que eu escrevia bem.
Não é isso.
Você sabe observar as pessoas.
Consegue percorrer labirintos escuros,
mesmo sem luz.
Queria falar uma coisa. Não fica bravo.
Ainda não percebeu?
Não fico bravo com você.
Você se perdeu no seu labirinto
e não se deu conta.
Existem dois homens em você.
Um busca a verdade, a bondade e a beleza.
O outro é agressivo, impaciente, sombrio.
E eles estão se enfrentando.
Quem você acha que vai ganhar?
Quem você quiser que ganhe.
NESLIHAN
CHAMADA RECEBIDA
Digamos que você tenha vivido a vida
de acordo com o que achava certo,
e eu, de acordo
com o que eu achava errado.
No fim, a gente conseguiu o que queria?
- Como assim?
- Não sei.
É que…
Fico vermelho só de dizer isso…
Não seja tímido.
Tenho vergonha até de entrar no mar.
Não gosto que vejam meu corpo.
Mas é o que eu quero.
Nós saímos do mar juntos
e então secamos um ao outro.
Nossos olhos vão em direção
a uma casinha entre as árvores.
Caminhamos até lá.
Através do que era certo ou errado,
tentávamos lidar com a vida.
Agora, podemos viver como queremos.
Sonhei com você à noite.
Sério?
- Foi um sonho bom?
- Não sei.
É que…
Como vou dizer?
Foi meio que…
O tipo de sonho…
O tipo sensual?
Um dia.
Adeus, Kemal Yanıklar.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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