To Love, To Lose (2025) s01e07 Episode Script
Episode 7
1
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
HEROÍSMO
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Oi.
Perdão pelo barulho, vou recomeçar.
Oi, pessoal. Recebi curtidas?
Beleza.
Novos inscritos? Nada mal…
Hoje, vou falar sobre heroísmo.
O que é um herói? E um anti-herói?
Sempre precisamos gostar do herói?
Há uma resposta pra essas perguntas?
Não sei, mas, se você quer uma…
Não gosto de histórias
com heróis óbvios e diretos.
Você dirá: "Você pode não gostar,
mas são os que todos acompanham."
Tem razão.
Se é pra ter um herói,
que seja um com defeitos, cicatrizes.
Os heróis que mais gosto
são os que sofreram muito.
Um herói com passado difícil,
que não é nem bonito nem charmoso,
que faz besteira, é desastrado.
Melhor ainda, um anti-herói.
HEROÍSMO
Srta. Neslihan, o café está pronto.
Cahide, não tenho te dado
muita atenção ultimamente.
Me desculpa.
Como vai, Cengaver?
Você parece bem.
Pelo menos alguém aqui está bem.
PRIMEIRA REGRA: MANTENHA SUA PALAVRA
Mas que regra, hein?
Bom dia, Muharrem.
Você é pontual, hein?
Vem aqui me ajudar.
- Estamos atrasados?
- Não.
Pra você. Já tem os contatos.
Meu, do restaurante, da dona Perihan,
da Afife, de todo mundo.
Obrigado.
Eu não vou mais pra lá.
Mas eu sei que você vai.
O que você gosta lá?
A mesma coisa que você.
Que coisa?
Você só se sente bem lá.
É mesmo?
Animais soltos.
Plantas crescendo em cada canto.
Os necessitados comendo num cantinho.
Todos lidam com seus problemas
com dignidade.
Sem mentiras, sem enganações.
Por isso.
Quando vamos lá,
podemos respirar fundo.
Não é?
Você consegue ir sozinho?
Acha que sou uma criança?
Por que não vai?
Adivinha.
Eu entendo.
Quando é o casamento?
Afife, andei pensando ontem à noite…
- Ótimo! Pensar faz bem.
- Tive que me esconder do Eyüp na feira.
- Por favor, paga a dívida…
- Espera, Ali.
Afife. Ainda bem
que o Kemal estendeu o prazo.
Mas e se não conseguirmos pagar?
Não pensa em perguntas
que ainda não têm resposta.
Cadê a Fidan?
Fazendo uma prova
pra tentar não ser jubilada.
A gente mal está conseguindo dar conta
de tudo aqui.
- Ela te falou, mana.
- Falou?
Temos que nos preparar pro pior.
Nem consigo imaginar algo pior que isso.
O que vamos fazer?
Eu pensei muito.
Lembra a advogada Neşe? Vou falar com ela.
Seu Muharrem.
Bem-vindo, seu Muharrem.
Obrigado, querida.
- Bem-vindo.
- Obrigado.
- Tive uma ótima ideia.
- Vamos ver qual é.
Sabe os pimentões tostados?
Desta vez, vamos assá-los.
- Aposto que não gostará.
- Nem pensar.
Mas tenho uma boa ideia.
Não é tipo um crepe…
- E aí?
- E aí?
Tudo bem.
Trouxe pogaça quentinha. Você adora.
- Prova.
- Não, obrigada.
O Kemal não virá mais.
Nem mesmo pra ajudar com o roteiro.
Ele se foi.
Um a menos.
- Mas por quê?
- Tinha que ser assim.
- Como assim?
- Vão trabalhar. Vou falar com a advogada.
- O que aconteceu?
- Me dá um.
O Kemal não vem hoje?
Não.
Eu nunca sei quem vem.
Por mim, tudo bem,
desde que aquele chato não venha.
O gordinho pode vir. Eu gosto dele.
Não sei por quê.
Deve ser aquele jeito ofegante.
O Kemal não vem mais.
Aconteceu algo?
Se aconteceu, ele não vai demonstrar.
- Algum problema?
- Não.
Ele vai se casar.
É isso? Ele devia estar feliz.
O senhor não parece feliz.
Coloca os pimentões lá, mas…
não vai adiantar nada se não ligar o fogo.
Ah, essa minha cabeça.
Continuo fazendo a mesma pergunta.
O que pode acontecer
com aquele papel em branco?
E eu continuo dizendo
que estão à mercê deles.
Você já me explicou,
mas fiquei muito chocada na época.
Escuta.
"Papel em branco" é só um modo de dizer.
Deixam a quantia em branco.
E dizem que vão escrever
o valor da dívida.
Aí, você não paga,
e eles perdem a esperança.
E preenchem o espaço em branco.
Esse é o truque.
Não colocam o valor da dívida,
mas sim o valor de todos os seus bens.
Devem ter pedido uma garantia.
Sua mãe deve ter falado dos imóveis.
Eles levam isso em conta.
E escrevem o valor desses bens.
Funciona assim.
É o que agiotas fazem.
O valor da dívida não importa.
O que querem é tirar tudo de você.
No seu caso, a casa e o restaurante.
Se não conseguirem pagar até o prazo,
vão pedir pra pagar ou pra transferir
seus bens pro nome deles.
Vão te obrigar a ir ao cartório.
Não sairão da sua cola
até levarem todos os bens.
CONCESSIONÁRIA K. YANIKLAR
Isso são horas, Kemal Yanıklar?
Por onde você andou?
Pensei a mesma coisa
sobre seus amigos da polícia.
Eu imaginei.
Vamos ter outra conversa, nós dois.
Mas um amigo meu quer participar.
Um interrogatório?
Não vamos chamar de "interrogatório".
Você é nosso convidado.
Vamos ter um papo amigável.
- Macit, adivinha o que é isto.
- Um envelope.
Tudo o que devo.
- Não acredito.
- Juro.
- Obrigado, Afife. Tem certeza?
- Pega logo antes que eu me arrependa.
Tá bom.
Ah, Eyüp! Te achei.
Desculpa pela demora. Aqui, tudinho.
Bem na hora.
Exatamente o que eu precisava.
Isso só vai quebrar um galho, mas beleza.
Vamos lá.
E então, Kemal?
É um bom trabalho, né?
Está faltando alguma coisa?
Belo trabalho.
Kemal, vamos nos apresentar direito.
Sou o detetive Azmi.
Aquele é meu chefe, Ayhan.
Estamos de olho em vocês há algum tempo.
Eu percebi, detetive.
Estamos a par de todas as suas operações.
Designamos uma equipe só pra isso.
Somos os responsáveis.
Meus parabéns.
Obrigado.
Então, vocês se cansaram de agiotagem.
Disseram ao Yasin, o empreiteiro:
"Nós forneceremos o capital.
Constrói um shopping pra gente.
Cansamos dessa vida."
Ele deve muito a vocês.
Deram muita grana pra ele.
Ele aceitou.
Kara Nurullah
é quem administra aquela região.
Foi quem achou o terreno,
mas ele está preso agora.
O irmão dele, Şükrü, assumiu tudo.
Cadê o Şükrü? Está bem aqui.
Haluk Gürtaş.
Um canalha.
Conseguiu as licenças em Ancara.
Resumindo,
vocês querem deixar tudo pra trás
e ganhar dinheiro limpo.
Quem são "vocês"?
A família Yanıklar, é claro.
É que…
Pensei que fosse
a unidade de crimes financeiros,
mas parece um cartório.
Azmi, você falou demais.
Descansa um pouco.
Vocês conhecem bem
nossa árvore genealógica.
Têm fotos e tudo. Impressionante.
Escutas.
Câmeras escondidas.
O detetive Azmi deu seu show,
mas vocês não têm provas concretas.
Sem crime.
Por que estou aqui?
Porque ainda não conseguimos entender
quais são suas verdadeiras intenções,
Kemal Yanıklar.
Eu e o Azmi conversamos bastante.
Você faz parte disso, mas também não faz.
Você é encrenca, mas também…
- Temos medo de pessoas como você.
- Eu não sou assim.
Kemal.
Vocês machucaram muita gente.
Deixaram famílias sem casa pra morar.
Fizeram pessoas se matarem.
Queimaram a casa delas.
E sempre saíram impunes no final.
Conhecem os truques.
Sempre se safaram.
Mas agora chega.
Vamos pegar vocês, Kemal.
Cedo ou tarde.
E você não vai mais ser preso
no lugar do seu tio,
como fez quando tinha 20 anos.
Não vai encobrir seu pai, Muharrem.
Vamos acabar com os Yanıklars.
Todos vocês.
E, se você for preso dessa vez,
não vai sair.
Você tem que cuidar do seu pai.
Ele precisa de você.
Mas não entendo aquela garota.
Que garota?
Ela foi presa várias vezes.
Se envolve em tudo.
Protestos feministas,
marchas LGBT, abaixo-assinados…
Ela só dá problema.
Mas não entendi a relação de vocês dois.
- Ela tem um nome estranho. Como é?
- Afife, senhor. Afife Jale Kazan.
Você é bem intrigante, Kemal.
Ela não tem nada a ver com isso.
Tem, sim.
Ela deve pra vocês,
mas parece que você está protegendo ela.
Mas vamos ao ponto.
Vocês fizeram
vários casos serem arquivados,
mas não vamos parar.
Vamos trazer tudo à tona. Cedo ou tarde.
Mas, se você colaborar…
Aí está.
Colaborar como?
Você vai saber na hora certa.
Olha.
Vocês me conhecem bem.
Então, já deviam saber
que não vou fazer isso.
A família é sagrada pra gente.
Por que eu trairia ela?
Só porque vocês dois querem?
Não.
Porque você tem consciência.
E é inteligente.
Tem alguma coisa na sua cabeça
te corroendo, Kemal.
O que vai fazer se for tarde demais
quando recobrar o juízo?
Se ainda não recobrei o juízo,
nada vai mudar, detetive.
Sinto muito.
Senhor.
Certo, já vou.
Você está livre.
Mahir, acompanha o Kemal até a saída.
Kemal, demos o primeiro passo.
Dissemos o que tínhamos a dizer.
Agora é com você.
MUHARREM Y.
PAI DO KEMAL
VELİ YANIKLAR
APOSENTADO, COM DEMÊNCIA
IMPOSTOS PAGOS REGULARMENTE
FILHA ADOTIVA DE BEDİA YANIKLAR
NESLIHAN YANIKLAR
AFİFE JALE KAZAN?
KUDRET YANIKLAR
Eu sabia! Estão só blefando,
esperando que você fale algo.
Kemal, você se saiu muito bem.
Eles já sabem de tudo, pai.
Mesmo que você tenha nos vigiado.
Meu filho.
Eles só sabem o que quero que saibam.
Não se preocupa.
Como assim, pai?
Eu sei quem está mexendo os pauzinhos.
Basta eu fazer uma ligação e isso acaba.
Tá bom, está ficando tarde.
Hora de trabalhar.
Isso.
- Vamos ligar pra Ancara?
- Não envolve Ancara nisso agora.
Eu cuido disso. Volta ao trabalho.
Tá bom, pai.
Kemal?
Do que estavam falando?
O assunto favorito da família. Trabalho.
Neslihan.
Quer me mostrar a casa?
Claro.
Bom trabalho.
Se dedicou bastante.
Eu sempre me dedico.
Está tudo lindo.
- A cor das paredes não é a que eu queria.
- Tudo bem.
Vou te buscar amanhã cedo.
Aí a gente vê o que falta.
Vamos marcar a data
ou a vovó vai nos matar.
Só se você quiser.
Eu quero.
Vem cá.
O quê?
Vem cá.
Vou te dar um abraço. Deu vontade.
Vem cá.
Preciso de permissão pra te abraçar?
Conta comigo.
Tá bom?
Afife?
Você ficou sabendo do casamento?
Que casamento?
Fizemos no restaurante.
Eu trouxe pra você.
Que cheiro bom!
E está gostoso.
Ainda pode mudar de ideia.
Não precisa viver
uma vida que você não quer.
- Por que não quer que eu me case?
- Por que não quer ir ao restaurante?
Não começa…
Eu falo pouco, mas não sou cego, Kemal.
Aquela garota parece sua mãe.
E sua mãe…
Ela não queria
sujar as mãos dela que nem eu sujei.
"Vamos sumir", ela dizia.
"Desiste", ela dizia.
Mas ela desistiu de mim…
porque eu não fui embora.
Ela se foi.
Aquela mulher te trocou por outro homem.
Quem era esse homem?
Alguém viu ele?
Você sabe o nome dele?
Por que será que não fui atrás dele?
Por que não trouxe sua mãe de volta?
Todos acreditamos
no que queríamos acreditar.
"Família", nós dissemos.
"Promessas."
Não faz isso, filho.
Me escuta.
O Kemal gostou da casa?
Muito.
Então é bom acelerar as coisas.
Não se preocupa.
Andei pensando muito, mãe Bedia.
Pensando no que, querida?
Estamos formando uma família,
mas sinto que falta alguma coisa em mim.
Como assim?
Cadê meus pais verdadeiros?
Bem aqui.
Não quero ser ingrata.
Não me entenda mal.
Mas não tenho pai e mãe
pra irem ao meu casamento.
Tenho uma família que cuidou de mim,
ainda bem, mas não é a mesma coisa.
Nada substitui os pais verdadeiros.
Eu sei, querida.
O que importa é o que você tem,
e não o que não tem.
Não tenho uma história que é minha.
Não tenho passado.
Cada um me diz uma coisa,
mas quem sou eu?
Como eram meus pais?
É tudo um grande vazio.
Querida, a curiosidade
não vai adiantar nada.
Segue sua vida.
A melhor parte da sua história
só está começando.
Pensa nisso.
Bedia!
Bedia! Vem cá!
CONCESSIONÁRIA K. YANIKLAR
Tem uma pessoa te esperando, irmão.
Ah, Nuri. Bem-vindo.
Olá, Kemal.
Meninas. Cumprimentem o Sr. Kemal.
Não, por favor. Senta, Nuri.
Olha só essas princesas.
Querem um suco?
- Sim.
- Sim.
Meninas, venham tomar um suco.
Venham, depressa.
Bem, Nuri…
- Pra você.
- Obrigado, não precisava.
Kemal, voltei ao trabalho.
Deus também ajudou. Estou me reerguendo.
Que bom!
Viu? Às vezes, vale a pena ser teimoso.
Vou pagar a dívida
no prazo que você me deu, ou antes.
Eu caí na real.
Esperei pra te ver até ajeitar tudo.
Te considero um irmão de sangue, Kemal.
Devo minha vida a você.
Se precisar de qualquer coisa,
é só me ligar.
Qualquer coisa.
Qualquer coisa mesmo.
Muito obrigado, Nuri.
- Obrigado mesmo.
- Eu que agradeço.
Baturay, está trabalhando
no que a gente combinou, né?
Claro. Pesquisei e achei um auditor
especialista em agiotagem
pra confirmar a história.
Já fiz as sinopses.
Excelente.
A Afife vai focar nos personagens.
Bom apetite.
- Afife.
- Hã?
- Esquece.
- Vamos embora.
Esperem, vamos juntos. Defne.
- Vou ficar mais um pouco.
- Hã?
Vou fazer uma perguntar.
O que está havendo?
- Como assim?
- Está pensando no quê?
Não gosto dessa história.
É tão clichê, um melodrama.
Os personagens são unidimensionais.
E qual é o problema?
Nenhum.
- Vamos sair à noite?
- Pra fazer o quê?
O que fazíamos cinco vezes por semana.
Beber e bater papo.
É o Kemal, né?
De onde tirou isso?
Tá na sua cara.
Você não consegue disfarçar.
Tem alguma coisa acontecendo.
Pensei que estava imaginando,
mas aí pensei: "E se for real?"
Como assim?
Amiga, o roteiro está virando realidade.
Geralmente, é o contrário,
mas, com você, tudo é possível.
A arte imita a vida
ou a vida imita a arte?
Já não sei mais.
Agora, você vai dizer:
"Você condenou a gente
e fez a mesma coisa."
Você fez?
Fiquei aliviada
quando soube de vocês dois.
Nossa, você não demonstrou.
Não entendi o motivo no começo.
Depois, tudo fez sentido.
E qual foi o motivo?
Acabei me perdendo no caminho, Defne.
Traí tudo o que acredito
e continuo traindo.
Não dá pra evitar, eu gosto dele.
Nada de teoria, nada de prática.
Nada de valores.
É como escolher o vilão em vez do herói.
Afife, às vezes, é preciso fazer isso.
É bom se permitir.
Vai saber.
- Pode dar certo, não pode?
- É impossível.
Existe algo impossível?
Afife e Kemal.
Por quê?
Ele vai se casar.
- Serve raki pro Kemal.
- Depois.
Serve logo.
- Calma.
- Serve.
Kemal, sobre o seu plano
de se mudar pro sul…
O dinheiro está no banco.
No seu nome.
Pode fazer o que quiser. Vai em frente.
Ferhat, quer fazer um pedido?
Toquem algo mais apropriado.
Algo mais tranquilo. Vem cá.
- Quem é o compositor?
- Quem?
Selahattin Pınar.
- É uma música linda.
- Quem era o amor dele?
Quem?
Afife Jale.
A Afife Jale original.
A atriz que ele amava.
Eles terão um amor impossível.
Obrigado.
CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL
Liberdade pros animais!
Ah, minha filha!
Vamos. Vocês também.
Gülengül, oi!
Duas cervejas, um drink de cereja
e um uísque 12 anos.
É pra já.
Quatro cervejas e bastante amendoim.
É pra já.
E aí?
- Kemal!
- Uma cerveja pro seu irmão?
- Bem-vindo.
- Senta.
Eu estava aqui perto
e pensei em passar aqui. Como vão?
Tudo bem?
O seu Muharrem deve ter contado.
Mamãe se autodenominou a chef.
É.
- Começaram a pagar meu pai.
- Ele merece.
- Ali, os pedidos.
- Valeu.
Desculpa, já volto.
O pessoal está bem ocupado com o roteiro.
Logo vão apresentar pra emissora.
Não acabaram ainda?
A Afife falou que está complicado.
Ela está meio triste, mas é o jeito dela.
Muito obrigado.
Fala que mandei um oi.
Passa lá amanhã. É meu aniversário.
Vamos dar uma festa lá. Dá uma passadinha.
Não sei se vai dar.
Compra umas cervejas. Vamos!
Beleza, chegamos.
Vamos.
- Bartu, meu pai está?
- Na porta ao lado.
Eu vou…
- Como vão os negócios?
- Bem.
Fidan, meu bem. Pode anotar nosso pedido?
Mas traz uma aguinha antes.
Vou atender a mesa de vocês.
Toda vez que peço algo pra ela,
você brota.
É burro? Cuida da sua vida.
Mas gosto de atender vocês.
Não ri.
Não quis beber com a gente na outra vez.
Bebe menos uma água, Fidan.
Deve estar cansada.
- Estou trabalhando.
- Senta aqui e vamos conversar.
Espera, está com pressa?
- Solta.
- Amigão, você está forçando a barra.
Se me tocar de novo, quebro sua mão!
O que está acontecendo?
Se acalma.
Qual é a sua? Tem algum problema?
Tem?
Estou calmo. Tira as mãos de mim.
É melhor ir embora.
Esse lugar é meu. Vai me peitar mesmo?
Não é minha intenção.
Então, tá dispensado.
A cerveja é por nossa conta. Vaza.
Melhor não fazer nada pra se arrepender.
É ruim se arrepender.
Qual é a sua? Mandei vazar!
Vou acabar com você!
Bartu! Liga pro meu pai!
Sou Kemal Yanıklar. Fala pro seu pai.
Ele pode vir falar comigo quando quiser.
Não se preocupa.
Chega de trabalho por hoje.
Ligou pra ele, Bartu?
- Me ensina os golpes.
- Sem chance.
Sua irmã me mataria
por incitar a violência.
Falando dela, eu não estive aqui
e não aconteceu nada, tá bom?
Acho que vão nos demitir.
Aí ele vai contar pra ela.
Ela pode me matar, mas terá valido a pena.
Vamos tomar alguma coisa.
Vamos.
- Ele era profissional?
- Como vou saber?
O que houve?
Me atacaram de repente, pai.
- Foi por causa da conta?
- Não.
Quantos eram?
- Só um.
- Só um?
Nossa, que vergonha!
- Quem é esse cara? O que ele quer?
- Um psicopata.
Garoto.
Você brigou com esse cara? Hein?
Seu maldito!
- Cadê ele?
- No bar do outro lado da rua.
Vamos! Agora!
Vocês também.
Um brinde.
Esperem aqui.
Venham.
Sr. Kemal.
- É o Kemal Yanıklar, não é?
- Sou.
Sr. Kemal, meu filho foi mal-educado hoje.
Não.
Foi mais do que isso.
Com certeza. Idiota.
Desculpa, ele não te reconheceu.
Vem aqui. Não tem nada pra dizer?
Sinto muito, Sr. Kemal. Pedimos desculpas.
Pedimos desculpas, pessoal.
Fidan. Ali.
Vocês também.
- Desculpa.
- Desculpa.
Esses dois são como irmãos pra mim.
Se não se importar,
eles merecem uma folga hoje.
É claro.
Beleza.
O Ali faz aniversário amanhã.
Dá folga pra eles também.
É claro.
E também,
acho que devemos dar a ele
um bônus de aniversário, não é?
Seria legal.
Você define o valor.
Claro, Sr. Kemal.
Cuida bem dos meus irmãos.
Se acontecer algo, vou te culpar, ouviu?
Claro, Sr. Kemal.
Beleza.
Fiquem à vontade.
Vocês não vão ser demitidos.
Um brinde.
Esse lugar é excelente
e ainda vai melhorar.
Me olha nos olhos, menina.
Onde o Muharrem vai morar?
O Kemal falou alguma coisa?
Falou que o pai ficará na casa dele.
Acho admirável ele cuidar do pai
depois de tudo o que aconteceu.
Minha querida,
tem alguma coisa
que você não admire no Kemal?
Pois é.
Mãe Bedia, eu…
tenho um motivo pra admirar tanto o Kemal.
Lembra que falei que falta algo em mim?
O Kemal preenche esse vazio.
Ele é o meu mundo.
Com quem está?
O que está fazendo? O que sente?
Eu sempre penso nele.
Às vezes, eu me pego espiando
as mensagens no celular dele.
Não sou assim.
Eu ligo pra saber se ele está no trabalho.
Às vezes, passo na casa dele
depois da academia
pra ver se o carro dele está lá.
Até quero seguir ele secretamente.
É constrangedor, mas não consigo evitar.
Tenho tanto medo de perder ele, mãe Bedia.
Tento não demonstrar, mas acho que ele…
Acho que ele sabe.
Querida, os homens gostam de paquerar,
de pular a cerca.
Mas meu Kemal não é assim.
Não precisa ter medo.
O que aconteceu ficou no passado.
Ele voltou pra você, pra família dele.
Foi mesmo o Kemal que voltou, mãe?
Ou ele foi substituído por uma criatura
se passando pelo Kemal?
FECHADO
- Bom dia.
- O que aconteceu, Baturay? Caiu da cama?
Eu transcrevi minha conversa
com o auditor sobre agiotagem.
Mandei por e-mail.
Eu recebi, mas ainda não li.
Beleza.
E aí?
Você está bem?
Estou, e você?
Você está bem mesmo?
Como assim, Baturay?
A Defne te contou?
Eu teria descoberto.
Então, ele foi embora?
Você sabe que a gente falar disso
é estranho, né?
Tá bom.
Mas…
Você pode não ser mais minha namorada…
mas sempre será minha amiga.
Eu me preocupo com você.
- Ele não pode fazer isso com você.
- Ninguém fez nada de errado.
Não.
Ele não pode.
Se soubesse o que o Baturay fez comigo.
Agora o problema sou eu de novo?
Sempre.
Boa noite, cara.
Me avisa. Vou nessa.
- Olá, Baturay.
- Olá.
Como vai?
Você sabe…
E o roteiro?
Está indo.
Sei o que aconteceu.
Como assim?
Pra te falar a verdade, eu já imaginava.
Olha, ela não merece isso, entendeu?
A Afife.
Ela é especial, Kemal.
Não machuca ela,
ou você vai se ver comigo.
Essa não…
Sei que você me daria uma surra,
mas não vou abaixar a cabeça.
A Afife é a única pessoa
por quem eu levaria uma surra.
Eu nunca encostaria um dedo em você.
Falei o que queria falar.
Se eu estragar tudo, juro
que pode me dar um soco na cara,
mas não vou estragar tudo.
Vim dar uma passada.
Vou deixar isto e vou embora.
Mas relaxa que entendi o recado.
Então, tá. Que bom.
Pode chamar o Ali?
- Não vai entrar?
- Não.
Beleza.
Ali.
Kemal!
Feliz aniversário.
- O que é isso?
- Sua guitarra.
Eu percebi, mas…
Kemal.
Oi.
Já faz um tempo. Sentiu saudades?
É sério?
- Não comprou pro filho do Ferhat?
- Compramos outra pra ele.
Essa precisa de alguém que sabe o valor.
Kemal, eu não acredito!
Feliz aniversário.
Kemal!
- Que bom que veio.
- Obrigado.
- O que foi?
- Olha só!
Mentira!
Não deixem seus amigos esperando.
Vamos!
Entra.
Desliguem a música!
É melhor eu ir.
Tudo é tão belo com você
Até mesmo caminhar
Tem certeza? Não quer beber nada?
Até mesmo nossos sonhos tentar alcançar
Não, obrigado.
Tudo é tão belo com você
Mesmo este chão e esta pedra
Mesmo a minha angústia
Bem…
Mesmo as minhas lágrimas
Obrigada, Kemal.
E se um adeus vier
Por tudo.
Um adeus inesperado
Para mim já valeu a pena
Só um dia ao seu lado
Se um adeus vier
Um adeus inesperado
Para mim já valeu a pena
Só um dia ao seu lado
E se um adeus vier…
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
E muitos anos de vida
- Vou fazer um pedido.
- Um segundo.
Apaga a vela!
Bravo!
Parabéns, mano. Me dá um abraço.
Sabemos qual é o pedido!
Muito obrigado por virem.
Um beijo!
- Estamos tão felizes.
- Meu bem.
- Cara.
- Não vou chorar.
- Estou rindo.
- Ah, mãe.
- Minha mãezinha.
- Não chora.
Abraça seus amigos.
- Como ele está bonito.
- Ele cresceu tanto.
- Que emoção!
- Afife, por que ela está aqui?
Por que a festa?
É o aniversário do meu irmão Ali.
Desculpa, eu não trouxe nada.
- Quer uma bebida?
- O que você tem?
Vinho.
Não é dos caros que você gosta,
mas está gelado.
Não tem nada mais forte?
Pode ser o que estão bebendo.
Aqui.
Bem-vinda, Neslihan. Como vai?
- Bem, e você? Que clima incrível.
- Não é?
É de tirar o fôlego.
Baturay, vem cá.
Estou indo. Espera.
Agora entendo por que o Kemal vive aqui.
Mas o que o seu Muharrem
está fazendo aqui?
Até parece que ele virou uma nova pessoa.
É um motivo pra brindar.
Eu te subestimei.
Eu admito.
- Até eu cairia nessa.
- O que você quer, Neslihan?
Sei que está tentando conquistar ele.
O Kemal. Você sabe.
Não se faz de desentendida.
Esse papinho de roteiro. O que aconteceu?
Vocês transam no final?
Professora?
Licença!
Queria dizer algumas palavras.
Quero desejar parabéns…
É Ali, né? Meus parabéns, Ali.
Feliz aniversário, Ali!
Também quero dar
os parabéns pra você, Afife.
- Quem é ela?
- Vocês não sabem.
- Mas essa mulher e o meu noivo…
- Quem é o noivo dela?
Ela está tentando roubar o meu noivo,
como quem não quer nada…
Ela está se esforçando.
Acho que ela também merece os parabéns.
Sem palmas?
- Que escândalo…
- O que é isso?
Não é nada bom.
- Afife Jale.
- Ela parece bêbada.
Conheço bem o seu tipinho.
- Neslihan, chega.
- Estou só começando.
- Vai embora.
- Ainda não acabei.
Mulheres como você
são todas iguais.
Somos?
Ficam em volta da presa
só esperando pra dar o bote e engolir.
Enfraquecendo a presa,
mas também se apoiam nela.
O que está dizendo?
O instinto animal
domina todo o resto.
A presa cai na armadilha.
E depois? Só sobram os restos.
Mas isso não te serve mais.
Aí, você joga fora.
Até a próxima presa aparecer.
É o que essa piranha
está tentando fazer com meu noivo.
Não vou te deixar machucar ele!
"Não vou deixar."
Ele não pode se decidir?
Tem ideia do que está fazendo com ele?
Sei bem o que estou fazendo,
pode ter certeza.
Você não entende nada. Ah, não, desculpa.
- Você entende de dinheiro. Ladra.
- Chega!
O que você está fazendo?
- Conversando!
- Chega!
- É só uma conversa!
- Já chega!
É meu aniversário.
Você não foi convidada. Vai embora.
Ali, tudo bem.
Se encostar naquele garoto,
acabo com você.
Um garoto de 40 anos?
Sinto muito pelo Kemal.
- Se chegar perto, acabo com você.
- Não me ameaça.
Foi por isso que vim aqui.
Obrigada por me lembrar.
Eu vou te ameaçar, sim.
É por isso que vim.
Amanhã, a sua mãe…
A sua mãe… Dona Perihan, olá.
Sabe aquele contrato que assinou?
Vou preencher o espaço em branco.
- Quê?
- Tá doida.
É.
Você tem uma casa e um restaurante.
Pode vender e pagar a dívida.
Afife Jale Kazan.
Mas que heroína…
Você é tão…
Eu sou.
Eu sou.
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
E muitos anos de vida
O que foi isso?
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
E muitos anos de vida
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
HEROÍSMO
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Oi.
Perdão pelo barulho, vou recomeçar.
Oi, pessoal. Recebi curtidas?
Beleza.
Novos inscritos? Nada mal…
Hoje, vou falar sobre heroísmo.
O que é um herói? E um anti-herói?
Sempre precisamos gostar do herói?
Há uma resposta pra essas perguntas?
Não sei, mas, se você quer uma…
Não gosto de histórias
com heróis óbvios e diretos.
Você dirá: "Você pode não gostar,
mas são os que todos acompanham."
Tem razão.
Se é pra ter um herói,
que seja um com defeitos, cicatrizes.
Os heróis que mais gosto
são os que sofreram muito.
Um herói com passado difícil,
que não é nem bonito nem charmoso,
que faz besteira, é desastrado.
Melhor ainda, um anti-herói.
HEROÍSMO
Srta. Neslihan, o café está pronto.
Cahide, não tenho te dado
muita atenção ultimamente.
Me desculpa.
Como vai, Cengaver?
Você parece bem.
Pelo menos alguém aqui está bem.
PRIMEIRA REGRA: MANTENHA SUA PALAVRA
Mas que regra, hein?
Bom dia, Muharrem.
Você é pontual, hein?
Vem aqui me ajudar.
- Estamos atrasados?
- Não.
Pra você. Já tem os contatos.
Meu, do restaurante, da dona Perihan,
da Afife, de todo mundo.
Obrigado.
Eu não vou mais pra lá.
Mas eu sei que você vai.
O que você gosta lá?
A mesma coisa que você.
Que coisa?
Você só se sente bem lá.
É mesmo?
Animais soltos.
Plantas crescendo em cada canto.
Os necessitados comendo num cantinho.
Todos lidam com seus problemas
com dignidade.
Sem mentiras, sem enganações.
Por isso.
Quando vamos lá,
podemos respirar fundo.
Não é?
Você consegue ir sozinho?
Acha que sou uma criança?
Por que não vai?
Adivinha.
Eu entendo.
Quando é o casamento?
Afife, andei pensando ontem à noite…
- Ótimo! Pensar faz bem.
- Tive que me esconder do Eyüp na feira.
- Por favor, paga a dívida…
- Espera, Ali.
Afife. Ainda bem
que o Kemal estendeu o prazo.
Mas e se não conseguirmos pagar?
Não pensa em perguntas
que ainda não têm resposta.
Cadê a Fidan?
Fazendo uma prova
pra tentar não ser jubilada.
A gente mal está conseguindo dar conta
de tudo aqui.
- Ela te falou, mana.
- Falou?
Temos que nos preparar pro pior.
Nem consigo imaginar algo pior que isso.
O que vamos fazer?
Eu pensei muito.
Lembra a advogada Neşe? Vou falar com ela.
Seu Muharrem.
Bem-vindo, seu Muharrem.
Obrigado, querida.
- Bem-vindo.
- Obrigado.
- Tive uma ótima ideia.
- Vamos ver qual é.
Sabe os pimentões tostados?
Desta vez, vamos assá-los.
- Aposto que não gostará.
- Nem pensar.
Mas tenho uma boa ideia.
Não é tipo um crepe…
- E aí?
- E aí?
Tudo bem.
Trouxe pogaça quentinha. Você adora.
- Prova.
- Não, obrigada.
O Kemal não virá mais.
Nem mesmo pra ajudar com o roteiro.
Ele se foi.
Um a menos.
- Mas por quê?
- Tinha que ser assim.
- Como assim?
- Vão trabalhar. Vou falar com a advogada.
- O que aconteceu?
- Me dá um.
O Kemal não vem hoje?
Não.
Eu nunca sei quem vem.
Por mim, tudo bem,
desde que aquele chato não venha.
O gordinho pode vir. Eu gosto dele.
Não sei por quê.
Deve ser aquele jeito ofegante.
O Kemal não vem mais.
Aconteceu algo?
Se aconteceu, ele não vai demonstrar.
- Algum problema?
- Não.
Ele vai se casar.
É isso? Ele devia estar feliz.
O senhor não parece feliz.
Coloca os pimentões lá, mas…
não vai adiantar nada se não ligar o fogo.
Ah, essa minha cabeça.
Continuo fazendo a mesma pergunta.
O que pode acontecer
com aquele papel em branco?
E eu continuo dizendo
que estão à mercê deles.
Você já me explicou,
mas fiquei muito chocada na época.
Escuta.
"Papel em branco" é só um modo de dizer.
Deixam a quantia em branco.
E dizem que vão escrever
o valor da dívida.
Aí, você não paga,
e eles perdem a esperança.
E preenchem o espaço em branco.
Esse é o truque.
Não colocam o valor da dívida,
mas sim o valor de todos os seus bens.
Devem ter pedido uma garantia.
Sua mãe deve ter falado dos imóveis.
Eles levam isso em conta.
E escrevem o valor desses bens.
Funciona assim.
É o que agiotas fazem.
O valor da dívida não importa.
O que querem é tirar tudo de você.
No seu caso, a casa e o restaurante.
Se não conseguirem pagar até o prazo,
vão pedir pra pagar ou pra transferir
seus bens pro nome deles.
Vão te obrigar a ir ao cartório.
Não sairão da sua cola
até levarem todos os bens.
CONCESSIONÁRIA K. YANIKLAR
Isso são horas, Kemal Yanıklar?
Por onde você andou?
Pensei a mesma coisa
sobre seus amigos da polícia.
Eu imaginei.
Vamos ter outra conversa, nós dois.
Mas um amigo meu quer participar.
Um interrogatório?
Não vamos chamar de "interrogatório".
Você é nosso convidado.
Vamos ter um papo amigável.
- Macit, adivinha o que é isto.
- Um envelope.
Tudo o que devo.
- Não acredito.
- Juro.
- Obrigado, Afife. Tem certeza?
- Pega logo antes que eu me arrependa.
Tá bom.
Ah, Eyüp! Te achei.
Desculpa pela demora. Aqui, tudinho.
Bem na hora.
Exatamente o que eu precisava.
Isso só vai quebrar um galho, mas beleza.
Vamos lá.
E então, Kemal?
É um bom trabalho, né?
Está faltando alguma coisa?
Belo trabalho.
Kemal, vamos nos apresentar direito.
Sou o detetive Azmi.
Aquele é meu chefe, Ayhan.
Estamos de olho em vocês há algum tempo.
Eu percebi, detetive.
Estamos a par de todas as suas operações.
Designamos uma equipe só pra isso.
Somos os responsáveis.
Meus parabéns.
Obrigado.
Então, vocês se cansaram de agiotagem.
Disseram ao Yasin, o empreiteiro:
"Nós forneceremos o capital.
Constrói um shopping pra gente.
Cansamos dessa vida."
Ele deve muito a vocês.
Deram muita grana pra ele.
Ele aceitou.
Kara Nurullah
é quem administra aquela região.
Foi quem achou o terreno,
mas ele está preso agora.
O irmão dele, Şükrü, assumiu tudo.
Cadê o Şükrü? Está bem aqui.
Haluk Gürtaş.
Um canalha.
Conseguiu as licenças em Ancara.
Resumindo,
vocês querem deixar tudo pra trás
e ganhar dinheiro limpo.
Quem são "vocês"?
A família Yanıklar, é claro.
É que…
Pensei que fosse
a unidade de crimes financeiros,
mas parece um cartório.
Azmi, você falou demais.
Descansa um pouco.
Vocês conhecem bem
nossa árvore genealógica.
Têm fotos e tudo. Impressionante.
Escutas.
Câmeras escondidas.
O detetive Azmi deu seu show,
mas vocês não têm provas concretas.
Sem crime.
Por que estou aqui?
Porque ainda não conseguimos entender
quais são suas verdadeiras intenções,
Kemal Yanıklar.
Eu e o Azmi conversamos bastante.
Você faz parte disso, mas também não faz.
Você é encrenca, mas também…
- Temos medo de pessoas como você.
- Eu não sou assim.
Kemal.
Vocês machucaram muita gente.
Deixaram famílias sem casa pra morar.
Fizeram pessoas se matarem.
Queimaram a casa delas.
E sempre saíram impunes no final.
Conhecem os truques.
Sempre se safaram.
Mas agora chega.
Vamos pegar vocês, Kemal.
Cedo ou tarde.
E você não vai mais ser preso
no lugar do seu tio,
como fez quando tinha 20 anos.
Não vai encobrir seu pai, Muharrem.
Vamos acabar com os Yanıklars.
Todos vocês.
E, se você for preso dessa vez,
não vai sair.
Você tem que cuidar do seu pai.
Ele precisa de você.
Mas não entendo aquela garota.
Que garota?
Ela foi presa várias vezes.
Se envolve em tudo.
Protestos feministas,
marchas LGBT, abaixo-assinados…
Ela só dá problema.
Mas não entendi a relação de vocês dois.
- Ela tem um nome estranho. Como é?
- Afife, senhor. Afife Jale Kazan.
Você é bem intrigante, Kemal.
Ela não tem nada a ver com isso.
Tem, sim.
Ela deve pra vocês,
mas parece que você está protegendo ela.
Mas vamos ao ponto.
Vocês fizeram
vários casos serem arquivados,
mas não vamos parar.
Vamos trazer tudo à tona. Cedo ou tarde.
Mas, se você colaborar…
Aí está.
Colaborar como?
Você vai saber na hora certa.
Olha.
Vocês me conhecem bem.
Então, já deviam saber
que não vou fazer isso.
A família é sagrada pra gente.
Por que eu trairia ela?
Só porque vocês dois querem?
Não.
Porque você tem consciência.
E é inteligente.
Tem alguma coisa na sua cabeça
te corroendo, Kemal.
O que vai fazer se for tarde demais
quando recobrar o juízo?
Se ainda não recobrei o juízo,
nada vai mudar, detetive.
Sinto muito.
Senhor.
Certo, já vou.
Você está livre.
Mahir, acompanha o Kemal até a saída.
Kemal, demos o primeiro passo.
Dissemos o que tínhamos a dizer.
Agora é com você.
MUHARREM Y.
PAI DO KEMAL
VELİ YANIKLAR
APOSENTADO, COM DEMÊNCIA
IMPOSTOS PAGOS REGULARMENTE
FILHA ADOTIVA DE BEDİA YANIKLAR
NESLIHAN YANIKLAR
AFİFE JALE KAZAN?
KUDRET YANIKLAR
Eu sabia! Estão só blefando,
esperando que você fale algo.
Kemal, você se saiu muito bem.
Eles já sabem de tudo, pai.
Mesmo que você tenha nos vigiado.
Meu filho.
Eles só sabem o que quero que saibam.
Não se preocupa.
Como assim, pai?
Eu sei quem está mexendo os pauzinhos.
Basta eu fazer uma ligação e isso acaba.
Tá bom, está ficando tarde.
Hora de trabalhar.
Isso.
- Vamos ligar pra Ancara?
- Não envolve Ancara nisso agora.
Eu cuido disso. Volta ao trabalho.
Tá bom, pai.
Kemal?
Do que estavam falando?
O assunto favorito da família. Trabalho.
Neslihan.
Quer me mostrar a casa?
Claro.
Bom trabalho.
Se dedicou bastante.
Eu sempre me dedico.
Está tudo lindo.
- A cor das paredes não é a que eu queria.
- Tudo bem.
Vou te buscar amanhã cedo.
Aí a gente vê o que falta.
Vamos marcar a data
ou a vovó vai nos matar.
Só se você quiser.
Eu quero.
Vem cá.
O quê?
Vem cá.
Vou te dar um abraço. Deu vontade.
Vem cá.
Preciso de permissão pra te abraçar?
Conta comigo.
Tá bom?
Afife?
Você ficou sabendo do casamento?
Que casamento?
Fizemos no restaurante.
Eu trouxe pra você.
Que cheiro bom!
E está gostoso.
Ainda pode mudar de ideia.
Não precisa viver
uma vida que você não quer.
- Por que não quer que eu me case?
- Por que não quer ir ao restaurante?
Não começa…
Eu falo pouco, mas não sou cego, Kemal.
Aquela garota parece sua mãe.
E sua mãe…
Ela não queria
sujar as mãos dela que nem eu sujei.
"Vamos sumir", ela dizia.
"Desiste", ela dizia.
Mas ela desistiu de mim…
porque eu não fui embora.
Ela se foi.
Aquela mulher te trocou por outro homem.
Quem era esse homem?
Alguém viu ele?
Você sabe o nome dele?
Por que será que não fui atrás dele?
Por que não trouxe sua mãe de volta?
Todos acreditamos
no que queríamos acreditar.
"Família", nós dissemos.
"Promessas."
Não faz isso, filho.
Me escuta.
O Kemal gostou da casa?
Muito.
Então é bom acelerar as coisas.
Não se preocupa.
Andei pensando muito, mãe Bedia.
Pensando no que, querida?
Estamos formando uma família,
mas sinto que falta alguma coisa em mim.
Como assim?
Cadê meus pais verdadeiros?
Bem aqui.
Não quero ser ingrata.
Não me entenda mal.
Mas não tenho pai e mãe
pra irem ao meu casamento.
Tenho uma família que cuidou de mim,
ainda bem, mas não é a mesma coisa.
Nada substitui os pais verdadeiros.
Eu sei, querida.
O que importa é o que você tem,
e não o que não tem.
Não tenho uma história que é minha.
Não tenho passado.
Cada um me diz uma coisa,
mas quem sou eu?
Como eram meus pais?
É tudo um grande vazio.
Querida, a curiosidade
não vai adiantar nada.
Segue sua vida.
A melhor parte da sua história
só está começando.
Pensa nisso.
Bedia!
Bedia! Vem cá!
CONCESSIONÁRIA K. YANIKLAR
Tem uma pessoa te esperando, irmão.
Ah, Nuri. Bem-vindo.
Olá, Kemal.
Meninas. Cumprimentem o Sr. Kemal.
Não, por favor. Senta, Nuri.
Olha só essas princesas.
Querem um suco?
- Sim.
- Sim.
Meninas, venham tomar um suco.
Venham, depressa.
Bem, Nuri…
- Pra você.
- Obrigado, não precisava.
Kemal, voltei ao trabalho.
Deus também ajudou. Estou me reerguendo.
Que bom!
Viu? Às vezes, vale a pena ser teimoso.
Vou pagar a dívida
no prazo que você me deu, ou antes.
Eu caí na real.
Esperei pra te ver até ajeitar tudo.
Te considero um irmão de sangue, Kemal.
Devo minha vida a você.
Se precisar de qualquer coisa,
é só me ligar.
Qualquer coisa.
Qualquer coisa mesmo.
Muito obrigado, Nuri.
- Obrigado mesmo.
- Eu que agradeço.
Baturay, está trabalhando
no que a gente combinou, né?
Claro. Pesquisei e achei um auditor
especialista em agiotagem
pra confirmar a história.
Já fiz as sinopses.
Excelente.
A Afife vai focar nos personagens.
Bom apetite.
- Afife.
- Hã?
- Esquece.
- Vamos embora.
Esperem, vamos juntos. Defne.
- Vou ficar mais um pouco.
- Hã?
Vou fazer uma perguntar.
O que está havendo?
- Como assim?
- Está pensando no quê?
Não gosto dessa história.
É tão clichê, um melodrama.
Os personagens são unidimensionais.
E qual é o problema?
Nenhum.
- Vamos sair à noite?
- Pra fazer o quê?
O que fazíamos cinco vezes por semana.
Beber e bater papo.
É o Kemal, né?
De onde tirou isso?
Tá na sua cara.
Você não consegue disfarçar.
Tem alguma coisa acontecendo.
Pensei que estava imaginando,
mas aí pensei: "E se for real?"
Como assim?
Amiga, o roteiro está virando realidade.
Geralmente, é o contrário,
mas, com você, tudo é possível.
A arte imita a vida
ou a vida imita a arte?
Já não sei mais.
Agora, você vai dizer:
"Você condenou a gente
e fez a mesma coisa."
Você fez?
Fiquei aliviada
quando soube de vocês dois.
Nossa, você não demonstrou.
Não entendi o motivo no começo.
Depois, tudo fez sentido.
E qual foi o motivo?
Acabei me perdendo no caminho, Defne.
Traí tudo o que acredito
e continuo traindo.
Não dá pra evitar, eu gosto dele.
Nada de teoria, nada de prática.
Nada de valores.
É como escolher o vilão em vez do herói.
Afife, às vezes, é preciso fazer isso.
É bom se permitir.
Vai saber.
- Pode dar certo, não pode?
- É impossível.
Existe algo impossível?
Afife e Kemal.
Por quê?
Ele vai se casar.
- Serve raki pro Kemal.
- Depois.
Serve logo.
- Calma.
- Serve.
Kemal, sobre o seu plano
de se mudar pro sul…
O dinheiro está no banco.
No seu nome.
Pode fazer o que quiser. Vai em frente.
Ferhat, quer fazer um pedido?
Toquem algo mais apropriado.
Algo mais tranquilo. Vem cá.
- Quem é o compositor?
- Quem?
Selahattin Pınar.
- É uma música linda.
- Quem era o amor dele?
Quem?
Afife Jale.
A Afife Jale original.
A atriz que ele amava.
Eles terão um amor impossível.
Obrigado.
CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL
Liberdade pros animais!
Ah, minha filha!
Vamos. Vocês também.
Gülengül, oi!
Duas cervejas, um drink de cereja
e um uísque 12 anos.
É pra já.
Quatro cervejas e bastante amendoim.
É pra já.
E aí?
- Kemal!
- Uma cerveja pro seu irmão?
- Bem-vindo.
- Senta.
Eu estava aqui perto
e pensei em passar aqui. Como vão?
Tudo bem?
O seu Muharrem deve ter contado.
Mamãe se autodenominou a chef.
É.
- Começaram a pagar meu pai.
- Ele merece.
- Ali, os pedidos.
- Valeu.
Desculpa, já volto.
O pessoal está bem ocupado com o roteiro.
Logo vão apresentar pra emissora.
Não acabaram ainda?
A Afife falou que está complicado.
Ela está meio triste, mas é o jeito dela.
Muito obrigado.
Fala que mandei um oi.
Passa lá amanhã. É meu aniversário.
Vamos dar uma festa lá. Dá uma passadinha.
Não sei se vai dar.
Compra umas cervejas. Vamos!
Beleza, chegamos.
Vamos.
- Bartu, meu pai está?
- Na porta ao lado.
Eu vou…
- Como vão os negócios?
- Bem.
Fidan, meu bem. Pode anotar nosso pedido?
Mas traz uma aguinha antes.
Vou atender a mesa de vocês.
Toda vez que peço algo pra ela,
você brota.
É burro? Cuida da sua vida.
Mas gosto de atender vocês.
Não ri.
Não quis beber com a gente na outra vez.
Bebe menos uma água, Fidan.
Deve estar cansada.
- Estou trabalhando.
- Senta aqui e vamos conversar.
Espera, está com pressa?
- Solta.
- Amigão, você está forçando a barra.
Se me tocar de novo, quebro sua mão!
O que está acontecendo?
Se acalma.
Qual é a sua? Tem algum problema?
Tem?
Estou calmo. Tira as mãos de mim.
É melhor ir embora.
Esse lugar é meu. Vai me peitar mesmo?
Não é minha intenção.
Então, tá dispensado.
A cerveja é por nossa conta. Vaza.
Melhor não fazer nada pra se arrepender.
É ruim se arrepender.
Qual é a sua? Mandei vazar!
Vou acabar com você!
Bartu! Liga pro meu pai!
Sou Kemal Yanıklar. Fala pro seu pai.
Ele pode vir falar comigo quando quiser.
Não se preocupa.
Chega de trabalho por hoje.
Ligou pra ele, Bartu?
- Me ensina os golpes.
- Sem chance.
Sua irmã me mataria
por incitar a violência.
Falando dela, eu não estive aqui
e não aconteceu nada, tá bom?
Acho que vão nos demitir.
Aí ele vai contar pra ela.
Ela pode me matar, mas terá valido a pena.
Vamos tomar alguma coisa.
Vamos.
- Ele era profissional?
- Como vou saber?
O que houve?
Me atacaram de repente, pai.
- Foi por causa da conta?
- Não.
Quantos eram?
- Só um.
- Só um?
Nossa, que vergonha!
- Quem é esse cara? O que ele quer?
- Um psicopata.
Garoto.
Você brigou com esse cara? Hein?
Seu maldito!
- Cadê ele?
- No bar do outro lado da rua.
Vamos! Agora!
Vocês também.
Um brinde.
Esperem aqui.
Venham.
Sr. Kemal.
- É o Kemal Yanıklar, não é?
- Sou.
Sr. Kemal, meu filho foi mal-educado hoje.
Não.
Foi mais do que isso.
Com certeza. Idiota.
Desculpa, ele não te reconheceu.
Vem aqui. Não tem nada pra dizer?
Sinto muito, Sr. Kemal. Pedimos desculpas.
Pedimos desculpas, pessoal.
Fidan. Ali.
Vocês também.
- Desculpa.
- Desculpa.
Esses dois são como irmãos pra mim.
Se não se importar,
eles merecem uma folga hoje.
É claro.
Beleza.
O Ali faz aniversário amanhã.
Dá folga pra eles também.
É claro.
E também,
acho que devemos dar a ele
um bônus de aniversário, não é?
Seria legal.
Você define o valor.
Claro, Sr. Kemal.
Cuida bem dos meus irmãos.
Se acontecer algo, vou te culpar, ouviu?
Claro, Sr. Kemal.
Beleza.
Fiquem à vontade.
Vocês não vão ser demitidos.
Um brinde.
Esse lugar é excelente
e ainda vai melhorar.
Me olha nos olhos, menina.
Onde o Muharrem vai morar?
O Kemal falou alguma coisa?
Falou que o pai ficará na casa dele.
Acho admirável ele cuidar do pai
depois de tudo o que aconteceu.
Minha querida,
tem alguma coisa
que você não admire no Kemal?
Pois é.
Mãe Bedia, eu…
tenho um motivo pra admirar tanto o Kemal.
Lembra que falei que falta algo em mim?
O Kemal preenche esse vazio.
Ele é o meu mundo.
Com quem está?
O que está fazendo? O que sente?
Eu sempre penso nele.
Às vezes, eu me pego espiando
as mensagens no celular dele.
Não sou assim.
Eu ligo pra saber se ele está no trabalho.
Às vezes, passo na casa dele
depois da academia
pra ver se o carro dele está lá.
Até quero seguir ele secretamente.
É constrangedor, mas não consigo evitar.
Tenho tanto medo de perder ele, mãe Bedia.
Tento não demonstrar, mas acho que ele…
Acho que ele sabe.
Querida, os homens gostam de paquerar,
de pular a cerca.
Mas meu Kemal não é assim.
Não precisa ter medo.
O que aconteceu ficou no passado.
Ele voltou pra você, pra família dele.
Foi mesmo o Kemal que voltou, mãe?
Ou ele foi substituído por uma criatura
se passando pelo Kemal?
FECHADO
- Bom dia.
- O que aconteceu, Baturay? Caiu da cama?
Eu transcrevi minha conversa
com o auditor sobre agiotagem.
Mandei por e-mail.
Eu recebi, mas ainda não li.
Beleza.
E aí?
Você está bem?
Estou, e você?
Você está bem mesmo?
Como assim, Baturay?
A Defne te contou?
Eu teria descoberto.
Então, ele foi embora?
Você sabe que a gente falar disso
é estranho, né?
Tá bom.
Mas…
Você pode não ser mais minha namorada…
mas sempre será minha amiga.
Eu me preocupo com você.
- Ele não pode fazer isso com você.
- Ninguém fez nada de errado.
Não.
Ele não pode.
Se soubesse o que o Baturay fez comigo.
Agora o problema sou eu de novo?
Sempre.
Boa noite, cara.
Me avisa. Vou nessa.
- Olá, Baturay.
- Olá.
Como vai?
Você sabe…
E o roteiro?
Está indo.
Sei o que aconteceu.
Como assim?
Pra te falar a verdade, eu já imaginava.
Olha, ela não merece isso, entendeu?
A Afife.
Ela é especial, Kemal.
Não machuca ela,
ou você vai se ver comigo.
Essa não…
Sei que você me daria uma surra,
mas não vou abaixar a cabeça.
A Afife é a única pessoa
por quem eu levaria uma surra.
Eu nunca encostaria um dedo em você.
Falei o que queria falar.
Se eu estragar tudo, juro
que pode me dar um soco na cara,
mas não vou estragar tudo.
Vim dar uma passada.
Vou deixar isto e vou embora.
Mas relaxa que entendi o recado.
Então, tá. Que bom.
Pode chamar o Ali?
- Não vai entrar?
- Não.
Beleza.
Ali.
Kemal!
Feliz aniversário.
- O que é isso?
- Sua guitarra.
Eu percebi, mas…
Kemal.
Oi.
Já faz um tempo. Sentiu saudades?
É sério?
- Não comprou pro filho do Ferhat?
- Compramos outra pra ele.
Essa precisa de alguém que sabe o valor.
Kemal, eu não acredito!
Feliz aniversário.
Kemal!
- Que bom que veio.
- Obrigado.
- O que foi?
- Olha só!
Mentira!
Não deixem seus amigos esperando.
Vamos!
Entra.
Desliguem a música!
É melhor eu ir.
Tudo é tão belo com você
Até mesmo caminhar
Tem certeza? Não quer beber nada?
Até mesmo nossos sonhos tentar alcançar
Não, obrigado.
Tudo é tão belo com você
Mesmo este chão e esta pedra
Mesmo a minha angústia
Bem…
Mesmo as minhas lágrimas
Obrigada, Kemal.
E se um adeus vier
Por tudo.
Um adeus inesperado
Para mim já valeu a pena
Só um dia ao seu lado
Se um adeus vier
Um adeus inesperado
Para mim já valeu a pena
Só um dia ao seu lado
E se um adeus vier…
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
E muitos anos de vida
- Vou fazer um pedido.
- Um segundo.
Apaga a vela!
Bravo!
Parabéns, mano. Me dá um abraço.
Sabemos qual é o pedido!
Muito obrigado por virem.
Um beijo!
- Estamos tão felizes.
- Meu bem.
- Cara.
- Não vou chorar.
- Estou rindo.
- Ah, mãe.
- Minha mãezinha.
- Não chora.
Abraça seus amigos.
- Como ele está bonito.
- Ele cresceu tanto.
- Que emoção!
- Afife, por que ela está aqui?
Por que a festa?
É o aniversário do meu irmão Ali.
Desculpa, eu não trouxe nada.
- Quer uma bebida?
- O que você tem?
Vinho.
Não é dos caros que você gosta,
mas está gelado.
Não tem nada mais forte?
Pode ser o que estão bebendo.
Aqui.
Bem-vinda, Neslihan. Como vai?
- Bem, e você? Que clima incrível.
- Não é?
É de tirar o fôlego.
Baturay, vem cá.
Estou indo. Espera.
Agora entendo por que o Kemal vive aqui.
Mas o que o seu Muharrem
está fazendo aqui?
Até parece que ele virou uma nova pessoa.
É um motivo pra brindar.
Eu te subestimei.
Eu admito.
- Até eu cairia nessa.
- O que você quer, Neslihan?
Sei que está tentando conquistar ele.
O Kemal. Você sabe.
Não se faz de desentendida.
Esse papinho de roteiro. O que aconteceu?
Vocês transam no final?
Professora?
Licença!
Queria dizer algumas palavras.
Quero desejar parabéns…
É Ali, né? Meus parabéns, Ali.
Feliz aniversário, Ali!
Também quero dar
os parabéns pra você, Afife.
- Quem é ela?
- Vocês não sabem.
- Mas essa mulher e o meu noivo…
- Quem é o noivo dela?
Ela está tentando roubar o meu noivo,
como quem não quer nada…
Ela está se esforçando.
Acho que ela também merece os parabéns.
Sem palmas?
- Que escândalo…
- O que é isso?
Não é nada bom.
- Afife Jale.
- Ela parece bêbada.
Conheço bem o seu tipinho.
- Neslihan, chega.
- Estou só começando.
- Vai embora.
- Ainda não acabei.
Mulheres como você
são todas iguais.
Somos?
Ficam em volta da presa
só esperando pra dar o bote e engolir.
Enfraquecendo a presa,
mas também se apoiam nela.
O que está dizendo?
O instinto animal
domina todo o resto.
A presa cai na armadilha.
E depois? Só sobram os restos.
Mas isso não te serve mais.
Aí, você joga fora.
Até a próxima presa aparecer.
É o que essa piranha
está tentando fazer com meu noivo.
Não vou te deixar machucar ele!
"Não vou deixar."
Ele não pode se decidir?
Tem ideia do que está fazendo com ele?
Sei bem o que estou fazendo,
pode ter certeza.
Você não entende nada. Ah, não, desculpa.
- Você entende de dinheiro. Ladra.
- Chega!
O que você está fazendo?
- Conversando!
- Chega!
- É só uma conversa!
- Já chega!
É meu aniversário.
Você não foi convidada. Vai embora.
Ali, tudo bem.
Se encostar naquele garoto,
acabo com você.
Um garoto de 40 anos?
Sinto muito pelo Kemal.
- Se chegar perto, acabo com você.
- Não me ameaça.
Foi por isso que vim aqui.
Obrigada por me lembrar.
Eu vou te ameaçar, sim.
É por isso que vim.
Amanhã, a sua mãe…
A sua mãe… Dona Perihan, olá.
Sabe aquele contrato que assinou?
Vou preencher o espaço em branco.
- Quê?
- Tá doida.
É.
Você tem uma casa e um restaurante.
Pode vender e pagar a dívida.
Afife Jale Kazan.
Mas que heroína…
Você é tão…
Eu sou.
Eu sou.
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
E muitos anos de vida
O que foi isso?
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades
E muitos anos de vida
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi