To Love, To Lose (2025) s01e08 Episode Script
Episode 8
1
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
DRAMALHÃO
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Oi, voltamos com uma aula rápida.
Vocês perguntaram sobre dramalhão.
Vamos falar sobre isso rapidamente.
O que é dramalhão? Não subestimem.
Isso aparece
até nos melhores filmes do mundo.
Então, qual é a definição? Eu anotei aqui.
"A retratação
de situações inquietantes, dolorosas
e que deixam cicatrizes profundas."
Dramalhões são cheios de exagero.
Sempre chove em cenas de término.
A música aumenta dramaticamente.
A mulher chora,
e o homem olha pro horizonte.
Doenças, mortes… Nossa!
As emoções do público são atiçadas.
DRAMALHÃO
Mas não há dor e tristeza
em cada momento da vida?
Deviam estar no roteiro.
Como sempre, a questão é essa.
Como? Como vai ser?
Balança a corda, ficou preso…
- Como?
- A corda está presa.
Calem a boca! Por favor, calem a boca!
- Puxa!
- Estou puxando.
Para! Meu dedo está preso!
Nem sabem colocar um cartaz.
Como venderão a casa?
- Não servem pra isso.
- Vira!
Vamos virar. Vão embora.
- O que foi?
- Como esperávamos.
- O quê?
- A casa e o restaurante estão à venda.
- Vão fechar?
- Espera!
- Acho que sim.
- Ah, cara…
Logo agora que a comida melhorou.
Puxa pra direita!
Os bolinhos de abobrinha
do Muharrem estavam ótimos.
Não diz à Perihan.
Pronto.
Agora, centraliza.
À VENDA
Ótimo.
Beleza.
- Está à venda?
- É o que parece.
Está demorando demais. Chega, desçam daí.
Vão embora. Não têm nada pra fazer?
Bem, não vocês, mas…
- Vai ter comida hoje?
- Veremos.
Vamos, então.
VENDE-SE
Não conseguimos.
Nós tentamos.
Mas fracassamos.
Não fica triste.
Fica, mas sem ter medo.
Querida, sabemos o que é fome.
Só precisamos ficar unidos.
Não é?
Eu cozinho,
e você escreve o roteiro que quiser.
E Ali compõe a música.
Talvez ache um papel pra mim.
Posso ser a mãe, né?
Só fiquem ao meu lado.
Aí, não terei medo.
Não tenham também.
Vou ao mercado.
Aqui está a lista. Algo mais?
Vou com você. Você compra tudo errado.
Vou comprar pouco.
Vamos reduzir o cardápio.
Vou ligar pro corretor.
Acho que alguém vem hoje.
Pessoal, de volta ao trabalho.
Voltarei sozinho hoje.
Não precisa vir, filho.
- Lembra de tomar os remédios.
- Tá bom.
VENDE-SE
Dona Perihan.
Entra, seu Muharrem.
O senhor viu?
Finalmente erguemos a bandeira branca.
Sua nora veio.
Ela fez uma cena, gritou e saiu correndo.
Como assim?
O que houve, Ali?
Nos divertimos muito no meu aniversário.
Graças à Sra. Neslihan.
Amanhã, a sua mãe…
A sua mãe… Dona Perihan, olá.
Sabe aquele contrato que assinou?
Vou preencher o espaço em branco.
Não se preocupa.
Você tem uma casa e um restaurante.
Pode vender e pagar a dívida.
Afife Jale Kazan.
Mas que heroína…
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades…
Sua futura esposa disse "vendam e paguem".
Então vamos vender e pagar.
Neslihan, o que o banqueiro disse?
Disse que tudo bem depois que me irritei.
Kemal, senta.
Olá, Kemal.
Quer comer?
É verdade o que falaram?
- O que falaram?
- Sem joguinhos.
Tio, você sabia?
É o restaurante de novo, Kemal?
Por que a pressa?
Ela fez o que fez
porque você não cumpriu sua promessa.
- O que ela fez?
- Cumpri minha promessa.
Eu te vi ontem à noite.
O que você viu?
Lá.
O que viu? Deixei uma coisa e fui embora.
Eu te vi.
E vi a Afife.
Não confia em mim?
Confio no que vejo.
Confio no que sinto.
Quanto tempo mais
vai tramar pelas minhas costas?
Eu que estou tramando?
Quanto tempo mais
preciso provar que sou bom pra vocês?
- Não vê que me humilhou?
- Kemal!
Não vê como foi ridícula?
Kemal.
Kemal!
Kemal!
Kemal, espera! Kemal!
Você me ama?
Você me ama, Kemal?
Você me ama, Kemal?
Não!
Ninguém nunca vai te amar como eu.
Eu criei esse amor!
Eu criei esse amor
pra ter a família
que sempre imaginei e desejei!
Dei tudo de mim pra criar esse amor!
Dei tudo de mim por esse amor!
Se vamos reduzir,
por que ainda trabalhamos tanto?
Pra ganhar uns trocados e seguir o dia.
Pra ninguém passar fome
e não perdermos o ânimo.
- Devo continuar?
- Não, chega.
O corretor disse:
"Acharei um comprador rápido."
Claro, é o prédio todo. Vai vender rápido.
- E se não acharem um lugar com jardim?
- Provavelmente não acharemos.
- E Cahide e os outros?
- Vamos levar eles.
- Quem vai aguentar a voz do Pavarotti?
- Vamos achar um amante de gansos.
Tırsık vai comigo.
Eu tinha um coelho quando pequena.
- Você leva o ouriço Şaban.
- Por que eu?
Então fica com Tırsık.
Não, ele vai destruir a casa.
- Baturay!
- É, Baturay!
- Sem mim, com quem vão gritar?
- Cala a boca.
Não se unam contra mim.
Tá bom, eu levo Şaban.
Vamos perder a casa.
Por minha causa.
A mamãe não está bem.
Levei ela lá pra cima.
- O que foi?
- Está chorando.
O cartaz, o corretor e tal. Foi demais.
Anda, Afife.
Vai ver sua mãe. Eu estou aqui.
Voltem ao trabalho.
Arquivos de clientes.
Documentos do seguro.
Está tudo aqui. Não falta nada.
Ufuk aguarda sua ligação sobre a venda.
Não esquece.
Então você não virá aqui mais, cara?
- Não está me ouvindo?
- Como vou fazer?
- O papai vai acabar comigo.
- Você vai se sair bem.
Você tem cuidado de tudo ultimamente.
É hora de assumir a responsabilidade, tá?
Kemal, não consigo sem você.
Consegue, sim.
Você vai se sair bem.
Boa tarde, pessoal.
- Boa tarde.
- Boa tarde.
Peguei um pouco menos hoje.
Não que vá ajudar, mas…
Obrigado.
- Seu Muharrem, precisa de ajuda?
- Leva o lixo.
- Deixa comigo.
- Tá bom.
Cadê tudo mundo?
Cozinhamos menos hoje,
então terminamos mais cedo.
A Perihan não está bem, está lá em cima.
- O que foi?
- Pressão alta e depressão.
- E a Afife?
- Estão todos lá.
Ter palpitações feito velha
não combina comigo.
Acontece, minha rainha.
Estresse, cansaço e tal.
Temos visita.
- Desculpem aparecer sem avisar. Como vão?
- Kemal, que bom te ver.
Senta.
Dona Perihan, eu não sabia
o que tinha acontecido.
Achei que tinha consertado tudo, mas…
Sinto muito. De verdade.
Não precisa se desculpar.
Mas sua família adora acabar com tudo.
Se quer culpar alguém, me culpa.
O que eu estava pensando?
E as ações, Baturay?
Ainda estão caindo.
Então.
Agora vai perguntar
por que me apego tanto a esta casa?
- Por que eu ficaria doente?
- Claro que não.
Conhece A Esposa Astuta
de Um Marido Tolo, de Haldun Taner?
"O que é teatro, afinal?
Duas tábuas e uma paixão."
É uma peça de teatro.
Você conhece Münir Özkul, claro.
Quem não conhece?
Münir era incrível no palco.
"Porque uma das músicas de Satenik
ficou presa numa dessas cortinas.
Um dos meus monólogos entrou pela janela."
No final, Fasulyeciyan,
o personagem que Münir interpretava,
conta como as vozes dos atores
que não estão mais entre nós
se escondem em cada canto do teatro.
Ele diz que, quando todos vão embora,
essas vozes surgem e sussurram.
E eu ouço essas vozes aqui.
Eu e meu marido Hurşit decidimos
achar o Cabaré Kazan aqui.
Hurşit é o pai da Afife.
Foi nessa mesa que recebemos
a bênção do professor Haldun.
Haldun Taner.
Ele disse: "Vão falir, mas façam isso."
Aguentamos por 20 anos.
Talvez não fizemos teatro sério,
mas levamos teatro a sério.
Cevat Çapan dava sermões
sobre Shakespeare aqui.
Abençoado seja ele.
O Metin Deniz…
Ele brigava com Hurşit, dizendo:
"Não farei o cenário pra você.
Você não tem bom gosto."
Ele fazia mesmo assim.
Ferhan… Şensoy.
Ele sempre sentava aqui.
Dizia: "Seu marido é
um escritor ruim e um ator ruim.
Larga ele. Vem pro meu teatro."
Brincando, claro.
Ainda ouço as vozes deles.
E de muitos outros.
Sr. Genco, Srta. Gülriz.
Eram pessoas tão elegantes.
Falando em elegância,
Cüneyt Türel, Tilbe… Tilbe Saran.
Şevket Altuğ, abençoado seja.
O falecido Umur Bugay.
Tantos nomes, tantas lembranças.
O grande mestre Şener Şen.
Ah, Şener.
Nossos amigos, nossos professores.
Recebíamos todos aqui.
Da melhor forma possível.
Todos, vivos ou mortos,
deixaram suas vozes nesta casa.
E, é claro, Afife Jale.
Ela está sempre conosco.
Ela vive em nossos corações,
e seu nome continua na minha filha.
"De manhã, chegam os faxineiros,
e as falas voltam aos seus lugares."
E fim de cena!
Como esta casa pode ter outro dono?
Como diremos "fim de cena"?
Melhor eu ir também.
Terminei com a Neslihan.
Sem trabalho.
Sem família.
Deixei todos. Acabou.
Estou sozinho.
Adeus.
Na hora mais escura da noite
Estou onde toda a esperança termina
Na hora mais escura da noite
Patroa.
Olá?
Neslihan! Abaixa isso.
Eu viro a esquina e…
O que foi?
O que foi?
O papai me falou.
Sobre o Kemal.
Vou pagar um raki pra você.
Não estou a fim.
Se der coroa, vamos.
Se der cara, fica aí na fossa.
Deu coroa, nós vamos. Vem.
Tenho que admitir. O Kemal era
um irmão mais velho pra todos nós.
Ele cuidava mais de mim.
"Ele cuidava mais de mim."
Claro, de quem mais ele cuidaria? De mim?
Eu enlouquecia ele.
Você enlouquecia todo mundo.
Você era tão idiota.
Queria que Şahin estivesse aqui.
Esquece o dorminhoco.
Ele dorme depois de dois drinques.
Havia três feras em casa.
Todos vocês implicavam comigo.
O Kemal sempre me defendia.
E então?
E depois? Ele é só fachada.
Não diz isso.
Quem tira a aliança?
- Mexeram com a cabeça dele.
- Não tenta explicar, Neslihan.
Ele está sempre confuso, perturbado.
Não é o único com problemas. Desgraçado.
- Ele te apunhalou.
- Calma.
Cuidado.
Não fale assim. Seja justo.
Influenciaram ele.
Fizeram a cabeça dele,
deixaram ele deslumbrado.
Pelo quê?
Um restaurante ruim.
Agora está feito.
Ele se foi, né?
Ainda estamos aqui.
Seu irmão está aqui.
Vamos esclarecer uma coisa.
Cedo ou tarde, quem causou isso vai pagar.
Os Yanıklars sempre recebem o pagamento.
Conta com isso.
Encurtei os resumos.
Adicionei sugestões de elenco.
- O que Afife foi fazer?
- Deixa ela. Vamos nos concentrar aqui.
Estou bem, mãe. Já falei mil vezes.
Sim, estou trabalhando.
Fiz a prova. Quantas vezes vai perguntar?
Ficarei bem se você ficar, tá?
Eu ligo, prometo.
Afife, o apartamento embaixo do da Ferhan
tem três quartos.
Ela disse que é legal. Vamos ver?
- Vamos caber lá?
- Tomara que sim.
Cadê o Şahin?
Não vim cobrar nada.
E por que veio?
Fizemos um raro favor a vocês.
Estendemos o prazo.
Devíamos ter cobrado
há muito tempo, mas esperamos.
E vocês?
Tentaram seduzir nossos homens.
Que nojento!
- Não viu o cartaz? Estamos vendendo.
- Mas não demorem.
Ou vou expulsar vocês pessoalmente.
Se resistirem, o problema é de vocês.
Ficaremos com a casa.
Deem um passo à frente se tiverem objeção.
- Podem trazer qualquer um.
- Por que está nervosinho?
Tio, não defende eles.
Sobrinho.
Sou muito velho
pra pedir permissão pra defender alguém.
Mas pergunta uma coisa ao seu pai.
O que eu teria feito
se alguém tivesse mostrado
um décimo do desrespeito
que você me mostrou?
Pergunta o que o louco do Muharrem
fez com toda a família de Nusret,
o ferreiro, com um único pé de cabra.
Pergunta por que o apelido
de Nusret é "Aleijado".
Pergunta por que o irmão dele é "Cego".
E pergunta o que acontece
com quem incomoda quem eu amo
num lugar onde eu esteja presente.
Pergunta pra ele.
Uma única lágrima
Rolou pelo meu rosto
Todas aquelas páginas
De palavras não ditas
Derramaram de dentro de mim
Ah, meu amor
Se você pudesse nos levar embora
Será que os traços de suas mãos
Sumiram da minha memória…
Eu estava cansada hoje.
Foi o que deu pra fazer.
Vovó, como assim? É um banquete.
Abençoada seja, mãe.
- Olha a minha garota. Olha a beleza dela.
- Nossa, Neslihan!
- Vai aonde com essa roupa?
- Sempre me visto assim.
Qual é. Vai ver o Kemal?
Mãe, tudo bem se eu sair?
- Aonde vai?
- Tenho um encontro.
E é da sua conta?
Ela só vai tomar um ar fresco.
Vovô, não fica acordado até tarde.
Vai comer e dormir, tá?
Minha querida nora.
Seu pai era um homem e tanto.
- Ele era demais.
- Ele me confundiu com quem dessa vez?
- Até.
- Parece uma princesa.
Vão comer tudo, né?
Se alguém insultasse essa família,
ele incendiaria o mundo.
Como você, pai.
Então, tchau.
- Divirta-se.
- Divirta-se.
- Divirta-se.
- Divirta-se.
Diz, pai.
Quando ele andava por aí,
todos se escondiam de medo.
Tinha um cara chamado Kazım Maluco.
Ele falava mal da nossa família.
Um grandão, sabe?
Um dia, ficaram frente a frente,
e Kazım Maluco mijou na calça.
Seu avô era assim.
Abençoado seja, pai.
BRISA SUAVE DE VERÃO
Você me matou
E matou a parte de você em mim
Nunca quis que fosse assim
Eu perdi, mas você também perdeu
Perdi minha vida
E você me perdeu
Você me matou
E matou a parte de você em mim
Nunca quis que fosse assim
Eu perdi, mas você também perdeu
Perdi minha vida
E você me perdeu
E você me perdeu
Que maldição
Por que eu te amei
Tanto assim?
Você nunca valeu a pena
Nunca valeu a pena
Meus sentimentos mais puros
Finalmente aprendi
Mesmo que tarde demais
Sou uma ferida que não vai sarar
Sangrando dia e noite
Passei meus anos em vão
O botão que desabrochou no meu coração
Se quebrou antes de virar rosa
Esses anos cansativos são culpa sua
Sou uma ferida que não vai sarar
Sangrando dia e noite
Passei meus anos…
Alô? Sim.
- Está inconsciente.
- Risco de hemorragia.
Mulher, 30 e tantos.
A Neslihan?
Monitorando o pulso. Sem batimentos.
Pai?
- Saturação?
- Muito baixa, 72%.
- Glasgow?
- ECG de 6.
- Preparar sangue!
- Alertem a cirurgia!
Mehpare!
Sem som no esquerdo.
O pulmão entrou em colapso.
- Bisturi, tamanho 15.
- Bisturi.
- Tubo torácico.
- Pronto.
Sem batimentos.
Adrenalina. Desfibrilador?
Sem pulso periférico.
Extremidades geladas.
Adrenalina. Preparar desfibrilador.
Se salvarmos o fígado,
será o baço ou a vesícula biliar. E agora?
Um de cada vez, doutora.
Pinça, por favor.
- Sucção?
- Material de sutura pronto?
- Sangramento grave. Estado?
- Choque hipovolêmico.
O choque está piorando. Vamos abrir.
Dois acessos intravenosos.
- Şahin?
- Ela está sendo operada.
- O que houve?
- Um acidente.
Os médicos falaram pro Kartal.
A Neslihan dirige tão bem.
Sinto muito.
- Neslihan Yanıklar?
- Sim.
Alguém fechou ela?
O pneu estourou? Foi acidente, né?
Já olhamos as câmeras.
O carro bateu no muro. Parece intencional.
Não foi acidente?
Temos uma testemunha
que confirma essa versão:
"Ela virou e bateu no muro."
- O que isso quer dizer?
- Você não entende?
Ela bateu o carro no muro!
Ela disse que tinha um encontro.
Minha menina queria morrer?
Não podemos dizer com certeza,
mas tem algo errado. Vamos investigar.
Sem pânico.
- Até mais.
- Até mais.
Kudret, o que estão dizendo?
Mãe, vamos descobrir.
Sibel, ajuda ela a se sentar.
O policial não disse na frente de todos.
Foi tentativa de suicídio.
- Familiares da Srta. Neslihan?
- Sim.
Foi uma cirurgia difícil.
Ainda bem que a trouxeram rápido,
ou a teríamos perdido.
Normalmente, alguém no estado dela
não chegaria vivo.
Mas, como ela chegou a tempo,
sempre há esperança.
Mas tudo pode mudar rápido.
Doutora, me desculpa, mas…
Ela teria um tratamento melhor
em outro hospital?
- Perdoa a pergunta.
- Ela não pode ser levada.
Ela precisa ficar imóvel, senhor.
É bem grave.
Faremos o melhor. Não se preocupe.
Não costumo dizer isso, mas rezem por ela.
Minha filha.
SEU MUHARREM
- Mostra.
- Afife, pode pegar o celular?
- Pega lá. Estou ocupada.
- Poderia estar melhor.
Tá bom.
Ele está fazendo um bom trabalho, né?
Sim, seu Muharrem?
Sim, está mesmo.
O quê?
O quê?
Como foi?
A Neslihan.
Ela me mandou isto
enquanto dirigia pra morte.
"Me tornei órfã agora."
Eu não vi.
- O que aconteceu, Şahin?
- Nada.
Todos querem vir.
Falei que foi acidente.
Falei: "Papai quer que esperem."
- Vovó, quer comer alguma coisa?
- Não, meu bem.
- Vovó, não comeu nada.
- Isso não devia ter acontecido, Kemal.
Filho.
- Ela não parecia do tipo que faria isso.
- Ela parecia louca.
Todos que parecem loucos batem num muro?
Leva isso.
Srta. Afife.
O senhor que comprou o prédio.
Não liga pra gente. Vamos dar uma olhada.
Tá, Sr. Hüseyin.
Ali pode mostrar a casa, se quiserem.
Ali, pode ajudar o corretor?
Por aqui.
Eles terminaram.
O Kemal e a Neslihan.
O Kemal rompeu o noivado
e abandonou a família.
Foi por minha causa.
Olha pra mim.
Está falando besteira.
Não seja boba.
Toma, leva isso.
O Sedat está encarando, parece chateado.
Depois volta com a cabeça fria.
Precisamos falar da apresentação.
Anda, não me irrita.
Se perguntarem na reunião
do que se trata essa história,
eis o resumo longo.
A heroína Leyla, dona de restaurante,
pega dinheiro emprestado de agiotas.
Com problemas no restaurante,
ela atrasa o pagamento.
Aí, ela se apaixona
pelo agiota bonitão Mustafa.
Kemal, como ela está?
Vamos trocar o soro dela.
E também cuidar da ferida.
Precisamos sair?
Mas ela está melhorando.
Não temos prazo, mas há esperança.
Não falei muito bem,
mas essa é a essência.
- O que acha?
- O que posso dizer?
É o que o público quer. Parabéns.
Flui bem. É uma boa história.
Mas…
- Sempre tem um "mas", né?
- Sim.
Pelo que entendi,
eles se separam no final.
Por que isso? Por que não um final feliz?
Fizemos tudo o que pediu.
Você queria amor, colocamos amor.
Romance entre o agiota e a garota? Sim.
E daí? Fiz mal em perguntar?
Não sei.
Mas não vamos mudar o final.
Não vai funcionar.
Esses dois…
Não podemos. Essa é a minha condição.
Tem certeza?
Tenho.
Por quê?
Porque…
amar é perder.
Kemal…
Kemal.
Kemal.
Kemal.
Estou aqui.
Bem-vinda de volta, Neslihan.
Kemal?
Estou aqui.
- Quanto tempo vai levar a recuperação?
- Ela vai precisar de fisioterapia.
- Vai demorar.
- E seus planos?
Vai me mandar esperar.
Não perguntei por isso.
Seu dinheiro está no banco.
E vai ficar lá até quando quiser.
Pensa nisso.
Espera um pouco. Não se apressa.
Descansa um pouco.
- Ferhat, uma pergunta.
- Sobre o dinheiro no banco?
Sim.
Precisa usar pra outra coisa.
Será suficiente?
Andei perguntando. Será, sim.
O dinheiro é seu, pode usar como quiser.
Não é da minha conta.
Eu te pago depois.
Você não me deve nada, mas e depois?
O que vai fazer?
Temos o dinheiro.
Não foi fácil, o mercado está um caos.
O advogado está aqui.
- Assinaremos os papéis no cartório.
- A documentação está pronta.
Marcamos no cartório de imóveis.
Vamos prosseguir.
Vai mesmo demolir o prédio?
- Precisa mesmo?
- Sim.
- Está caindo aos pedaços.
- E as licenças?
Senhora, por favor.
- Tá bom, então.
- Primeiro as senhoras.
Srta. Afife.
Vem cá.
O dinheiro chegará em duas horas.
Vem cá.
- Com licença.
- Claro.
Sinto muito.
Pela Neslihan.
Toma.
O que é isso?
- Melhor não nos atrasarmos.
- Melhor mesmo.
O papel que mamãe assinou.
Sim, o original.
Por quê?
A dívida foi paga.
Não temos mais negócios com você.
Foi paga como?
Quem pagou?
Pega logo o papel.
Queima, rasga ou come.
Faz o que quiser.
Vamos sair da vida um do outro.
Quem pagou?
Entra.
Tem cinco minutos?
Pra você, tenho cinco horas, Kemal. Entra.
A dívida do restaurante, da dona Perihan.
Pode contar.
- Não sei quanto elas devem.
- Tio.
Que alma generosa pagou?
A Neslihan disse
que não tinham um centavo.
Parece que perdemos o prédio.
É o destino.
Foi o Kemal?
- Quem mais seria?
- Como?
Claramente não foram vocês.
O Kemal é cheio de segredos.
Cuidado com o que vai descobrir.
Fica longe da gente.
Não seremos bonzinhos na próxima.
Estamos vendendo o lugar
porque devemos dinheiro.
Longa história.
Infelizmente, tivemos alguns contratempos.
A culpa foi minha, mas…
A Afife está vindo.
Afife, o que foi?
Desculpem a confusão,
mas decidimos não vender a casa.
Vamos ficar.
Como assim?
Precisamos proteger algumas vozes daqui.
As vozes da minha mãe.
Lamento.
O que aconteceu, Afife?
Não foi o que combinamos.
Todo mundo está animado de novo.
- Que bom que acabou.
- Obrigada.
Não é só a salvação
da casa e do restaurante.
É também a libertação de Perihan Kazan.
Chega de cozinhar, de cebola e de alho.
Bom apetite!
- Posso ir pra Alemanha?
- Quem vai pra onde?
Sou de Berlim.
Você é adulto. Vai pra onde quiser.
Viu, irmã? Você é razoável quando quer.
- Vou falar pra Fidan.
- Acha um lavador de pratos antes.
E precisamos achar um chef ainda.
Juro que vou chorar de felicidade.
Baturay, por favor.
Vai chorar num canto sozinho.
Seu avô é um cara estranho.
Depois de toda aquela conversa,
ele pagou a sua dívida?
Ele estava um pouco emotivo
quando fomos lá.
O vovô é assim.
Tenho uma novidade,
mas tá barulhento aqui.
Também tenho uma novidade pra você.
- Segura aqui.
- Tá bom.
Já volto.
- Kemal?
- Afife.
Por que não atendeu?
Desculpa.
Podemos nos ver amanhã?
Você decide.
- Tenho uma pergunta importante.
- Qual?
Então, agora,
não vou levar Şaban, né?
Baturay, cala a boca.
Tá bom.
Pode ir, se quiser.
- É sério.
- Pra Berlim?
Eu tenho outros planos.
- Que planos na sua idade?
- Voltei a falar com minha mãe, sabia?
Sim.
O lance do padrasto… Acabou.
Ele foi embora. Minha mãe expulsou ele.
Preciso ir vê-la.
Acho que quero voltar pra faculdade.
O trabalho no restaurante
é bom até certo ponto.
Meus planos são mais locais que os seus.
Então não vou mais te ver?
Você vai pra Berlim.
Não ia mais me ver mesmo.
Mas manteremos contato.
Dizem que ficar longe
de algo que você ama é bom.
- Quando se reencontram, é mais…
- O quê?
Lindo.
Acho que quero te beijar de novo,
mas, se você se afastar de novo,
vou pra Berlim com o coração partido.
Então tenta.
Ei, cebolas! Não me olhem assim.
Esse é o fim.
Não vamos mais nos ver.
Não estou triste.
- Seu Muharrem?
- Dona Perihan.
O senhor voltou?
Nunca fui embora.
Deixa as cebolas comigo.
Fica com as abobrinhas.
Vamos ficar.
Sim, fiquei sabendo.
Se eu parasse de trabalhar aqui,
o senhor continuaria?
Estamos nessa juntos, dona Perihan.
Se for embora, eu também vou.
E o que é um restaurante
sem uma cozinheira?
E se chamarmos de "chef"
em vez de "cozinheira"?
Chef?
Tá bom.
Afife.
Por que não atende? Liguei seis vezes.
Não vai nem pedir chá?
- Um chá!
- É pra já.
O que você fez?
O bairro inteiro comemorou ontem.
Parecia até um desfile,
só porque nossa dívida mudou de mãos.
É muito dinheiro, Kemal.
Como vamos pagar de volta?
- Obrigada.
- Vocês não me devem nada, tá bom?
Vamos te pagar de volta.
Pode demorar um pouco.
Talvez possamos parcelar.
Vendemos a série.
Vamos ganhar dinheiro com isso também.
Mas não será suficiente.
Vamos acabar vendendo o prédio.
Podemos manter o restaurante.
Eu duvido, mas…
Bem, se esperar um pouco, nós…
Tudo isso aconteceu
pra ficar com o prédio, né?
Sua mãe disse: "Vozes entram pela janela."
Seria grosseiro com essas vozes.
O lugar é de vocês. Tem que ser assim.
O que sua mãe disse me fez pensar.
Nunca senti que eu pertencia
a ninguém, a nenhum lugar até agora.
Sentir-se desabrigado, mesmo na sua casa…
Nossa…
É insuportável.
Minha casa não parece minha.
Meu pai não parece meu pai.
E minha mãe? Onde ela está?
Quem é ela?
Por um momento,
me senti em casa quando estava na prisão.
Senti ainda mais na sua casa.
Eu adoro tudo naquele restaurante.
Adoro os animais.
Adoro cada planta.
Tipo…
Quando fui à sua casa, só senti amor.
Você não me deve nada.
Salvei o lugar
onde me senti em casa pela 1ª vez.
A dívida acabou.
Mas como a Neslihan está?
Ela está bem. Digo, ela vai ficar bem.
Só precisa de tempo.
É muito difícil.
Pra você.
Pra sua família.
Pra ela.
Kemal, queria te trazer
pra esse mundo que você tanto ama.
Sem me preocupar com o que o amanhã trará.
Mas o certo a se fazer…
Que saco ter sempre que fazer o certo!
Mas você precisa voltar
pra pessoa que te ama
e cuida tanto de você…
que deu a vida por você.
Se você abandonar ela
e não voltar…
pra sua família…
Se ela não se recuperar…
nenhum de nós
vai suportar esse peso, não é?
Adeus, Kemal Yanıklar.
De verdade, desta vez.
Oi, seguidores das aulas de roteiro.
Resumidamente, quero dar uma pausa.
Preciso terminar um roteiro,
mas tem uma boa chance
de a gente estragar tudo.
Estou em apuros. Veremos.
Antes da pausa… Ah, e também…
Quero tirar umas férias. Estou exausta.
Uma última observação pra vocês.
Nas nossas aulas,
vejo que discutimos muitas coisas.
Agora vocês sabem
as regras da estrutura dramática.
Uma tarefa na minha ausência:
quebrem todas as regras que falamos.
Escrevam a história que querem.
Não ouçam ninguém.
Dizem que romances de um dia
não são reais.
Quem disse?
São reais.
Mas como?
Cabe a vocês descobrir. Trabalhem nisso.
Amar é mesmo perder, às vezes?
É, sim.
Nem toda história tem um final feliz.
Finais felizes são supervalorizados.
Felizes pra quem? De acordo com o quê?
Que os apaixonados não se reencontrem.
Ou que o reencontro seja incompleto.
Que o bem e o mal se confundam.
Escrevam como quiserem.
Que cada um esteja certo do seu jeito.
Yanıklars, levantem-se.
Vamos tirar uma foto de família.
Venham.
Não sei. A caneta está na sua mão.
Façam alguma coisa.
Venham.
Fiquem na frente.
Quer escrevam sobre alegria ou tristeza,
sobre escuridão ou luz,
escrevam o que sentem.
Não acharemos respostas às perguntas.
Por enquanto.
Talvez achemos depois, quem sabe?
Tudo é possível.
Como falei, vocês decidem e escrevem.
Vamos ver o que acontece,
aonde essa estrada nos leva.
Mas criem
personagens lindos e convincentes.
Acreditem neles.
E eles acreditarão em você.
Amem eles.
E eles vão amar você.
Isso não garante
que a história será boa, é claro.
Não deu certo? Não importa.
Escrevam outra. De novo e de novo.
E mandem me procurar
se disserem que não funcionará.
Vou contar uma história.
Talvez assim se convençam.
Ou então não há nada a ser feito.
Tá? Prometam que vão escrever.
Escrevam as perguntas nos comentários
que eu vou responder.
Mas não imediatamente.
Primeiro, as férias.
Boa sorte a todos.
Me desejem sorte também.
Adeus.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
AMAR, PERDER…
CURSO RÁPIDO DE ROTEIRO DE AFIFE JALE:
DRAMALHÃO
ROTEIRO – PERSONAGEM – ENREDO
Oi, voltamos com uma aula rápida.
Vocês perguntaram sobre dramalhão.
Vamos falar sobre isso rapidamente.
O que é dramalhão? Não subestimem.
Isso aparece
até nos melhores filmes do mundo.
Então, qual é a definição? Eu anotei aqui.
"A retratação
de situações inquietantes, dolorosas
e que deixam cicatrizes profundas."
Dramalhões são cheios de exagero.
Sempre chove em cenas de término.
A música aumenta dramaticamente.
A mulher chora,
e o homem olha pro horizonte.
Doenças, mortes… Nossa!
As emoções do público são atiçadas.
DRAMALHÃO
Mas não há dor e tristeza
em cada momento da vida?
Deviam estar no roteiro.
Como sempre, a questão é essa.
Como? Como vai ser?
Balança a corda, ficou preso…
- Como?
- A corda está presa.
Calem a boca! Por favor, calem a boca!
- Puxa!
- Estou puxando.
Para! Meu dedo está preso!
Nem sabem colocar um cartaz.
Como venderão a casa?
- Não servem pra isso.
- Vira!
Vamos virar. Vão embora.
- O que foi?
- Como esperávamos.
- O quê?
- A casa e o restaurante estão à venda.
- Vão fechar?
- Espera!
- Acho que sim.
- Ah, cara…
Logo agora que a comida melhorou.
Puxa pra direita!
Os bolinhos de abobrinha
do Muharrem estavam ótimos.
Não diz à Perihan.
Pronto.
Agora, centraliza.
À VENDA
Ótimo.
Beleza.
- Está à venda?
- É o que parece.
Está demorando demais. Chega, desçam daí.
Vão embora. Não têm nada pra fazer?
Bem, não vocês, mas…
- Vai ter comida hoje?
- Veremos.
Vamos, então.
VENDE-SE
Não conseguimos.
Nós tentamos.
Mas fracassamos.
Não fica triste.
Fica, mas sem ter medo.
Querida, sabemos o que é fome.
Só precisamos ficar unidos.
Não é?
Eu cozinho,
e você escreve o roteiro que quiser.
E Ali compõe a música.
Talvez ache um papel pra mim.
Posso ser a mãe, né?
Só fiquem ao meu lado.
Aí, não terei medo.
Não tenham também.
Vou ao mercado.
Aqui está a lista. Algo mais?
Vou com você. Você compra tudo errado.
Vou comprar pouco.
Vamos reduzir o cardápio.
Vou ligar pro corretor.
Acho que alguém vem hoje.
Pessoal, de volta ao trabalho.
Voltarei sozinho hoje.
Não precisa vir, filho.
- Lembra de tomar os remédios.
- Tá bom.
VENDE-SE
Dona Perihan.
Entra, seu Muharrem.
O senhor viu?
Finalmente erguemos a bandeira branca.
Sua nora veio.
Ela fez uma cena, gritou e saiu correndo.
Como assim?
O que houve, Ali?
Nos divertimos muito no meu aniversário.
Graças à Sra. Neslihan.
Amanhã, a sua mãe…
A sua mãe… Dona Perihan, olá.
Sabe aquele contrato que assinou?
Vou preencher o espaço em branco.
Não se preocupa.
Você tem uma casa e um restaurante.
Pode vender e pagar a dívida.
Afife Jale Kazan.
Mas que heroína…
Parabéns pra você
Nessa data querida
Muitas felicidades…
Sua futura esposa disse "vendam e paguem".
Então vamos vender e pagar.
Neslihan, o que o banqueiro disse?
Disse que tudo bem depois que me irritei.
Kemal, senta.
Olá, Kemal.
Quer comer?
É verdade o que falaram?
- O que falaram?
- Sem joguinhos.
Tio, você sabia?
É o restaurante de novo, Kemal?
Por que a pressa?
Ela fez o que fez
porque você não cumpriu sua promessa.
- O que ela fez?
- Cumpri minha promessa.
Eu te vi ontem à noite.
O que você viu?
Lá.
O que viu? Deixei uma coisa e fui embora.
Eu te vi.
E vi a Afife.
Não confia em mim?
Confio no que vejo.
Confio no que sinto.
Quanto tempo mais
vai tramar pelas minhas costas?
Eu que estou tramando?
Quanto tempo mais
preciso provar que sou bom pra vocês?
- Não vê que me humilhou?
- Kemal!
Não vê como foi ridícula?
Kemal.
Kemal!
Kemal!
Kemal, espera! Kemal!
Você me ama?
Você me ama, Kemal?
Você me ama, Kemal?
Não!
Ninguém nunca vai te amar como eu.
Eu criei esse amor!
Eu criei esse amor
pra ter a família
que sempre imaginei e desejei!
Dei tudo de mim pra criar esse amor!
Dei tudo de mim por esse amor!
Se vamos reduzir,
por que ainda trabalhamos tanto?
Pra ganhar uns trocados e seguir o dia.
Pra ninguém passar fome
e não perdermos o ânimo.
- Devo continuar?
- Não, chega.
O corretor disse:
"Acharei um comprador rápido."
Claro, é o prédio todo. Vai vender rápido.
- E se não acharem um lugar com jardim?
- Provavelmente não acharemos.
- E Cahide e os outros?
- Vamos levar eles.
- Quem vai aguentar a voz do Pavarotti?
- Vamos achar um amante de gansos.
Tırsık vai comigo.
Eu tinha um coelho quando pequena.
- Você leva o ouriço Şaban.
- Por que eu?
Então fica com Tırsık.
Não, ele vai destruir a casa.
- Baturay!
- É, Baturay!
- Sem mim, com quem vão gritar?
- Cala a boca.
Não se unam contra mim.
Tá bom, eu levo Şaban.
Vamos perder a casa.
Por minha causa.
A mamãe não está bem.
Levei ela lá pra cima.
- O que foi?
- Está chorando.
O cartaz, o corretor e tal. Foi demais.
Anda, Afife.
Vai ver sua mãe. Eu estou aqui.
Voltem ao trabalho.
Arquivos de clientes.
Documentos do seguro.
Está tudo aqui. Não falta nada.
Ufuk aguarda sua ligação sobre a venda.
Não esquece.
Então você não virá aqui mais, cara?
- Não está me ouvindo?
- Como vou fazer?
- O papai vai acabar comigo.
- Você vai se sair bem.
Você tem cuidado de tudo ultimamente.
É hora de assumir a responsabilidade, tá?
Kemal, não consigo sem você.
Consegue, sim.
Você vai se sair bem.
Boa tarde, pessoal.
- Boa tarde.
- Boa tarde.
Peguei um pouco menos hoje.
Não que vá ajudar, mas…
Obrigado.
- Seu Muharrem, precisa de ajuda?
- Leva o lixo.
- Deixa comigo.
- Tá bom.
Cadê tudo mundo?
Cozinhamos menos hoje,
então terminamos mais cedo.
A Perihan não está bem, está lá em cima.
- O que foi?
- Pressão alta e depressão.
- E a Afife?
- Estão todos lá.
Ter palpitações feito velha
não combina comigo.
Acontece, minha rainha.
Estresse, cansaço e tal.
Temos visita.
- Desculpem aparecer sem avisar. Como vão?
- Kemal, que bom te ver.
Senta.
Dona Perihan, eu não sabia
o que tinha acontecido.
Achei que tinha consertado tudo, mas…
Sinto muito. De verdade.
Não precisa se desculpar.
Mas sua família adora acabar com tudo.
Se quer culpar alguém, me culpa.
O que eu estava pensando?
E as ações, Baturay?
Ainda estão caindo.
Então.
Agora vai perguntar
por que me apego tanto a esta casa?
- Por que eu ficaria doente?
- Claro que não.
Conhece A Esposa Astuta
de Um Marido Tolo, de Haldun Taner?
"O que é teatro, afinal?
Duas tábuas e uma paixão."
É uma peça de teatro.
Você conhece Münir Özkul, claro.
Quem não conhece?
Münir era incrível no palco.
"Porque uma das músicas de Satenik
ficou presa numa dessas cortinas.
Um dos meus monólogos entrou pela janela."
No final, Fasulyeciyan,
o personagem que Münir interpretava,
conta como as vozes dos atores
que não estão mais entre nós
se escondem em cada canto do teatro.
Ele diz que, quando todos vão embora,
essas vozes surgem e sussurram.
E eu ouço essas vozes aqui.
Eu e meu marido Hurşit decidimos
achar o Cabaré Kazan aqui.
Hurşit é o pai da Afife.
Foi nessa mesa que recebemos
a bênção do professor Haldun.
Haldun Taner.
Ele disse: "Vão falir, mas façam isso."
Aguentamos por 20 anos.
Talvez não fizemos teatro sério,
mas levamos teatro a sério.
Cevat Çapan dava sermões
sobre Shakespeare aqui.
Abençoado seja ele.
O Metin Deniz…
Ele brigava com Hurşit, dizendo:
"Não farei o cenário pra você.
Você não tem bom gosto."
Ele fazia mesmo assim.
Ferhan… Şensoy.
Ele sempre sentava aqui.
Dizia: "Seu marido é
um escritor ruim e um ator ruim.
Larga ele. Vem pro meu teatro."
Brincando, claro.
Ainda ouço as vozes deles.
E de muitos outros.
Sr. Genco, Srta. Gülriz.
Eram pessoas tão elegantes.
Falando em elegância,
Cüneyt Türel, Tilbe… Tilbe Saran.
Şevket Altuğ, abençoado seja.
O falecido Umur Bugay.
Tantos nomes, tantas lembranças.
O grande mestre Şener Şen.
Ah, Şener.
Nossos amigos, nossos professores.
Recebíamos todos aqui.
Da melhor forma possível.
Todos, vivos ou mortos,
deixaram suas vozes nesta casa.
E, é claro, Afife Jale.
Ela está sempre conosco.
Ela vive em nossos corações,
e seu nome continua na minha filha.
"De manhã, chegam os faxineiros,
e as falas voltam aos seus lugares."
E fim de cena!
Como esta casa pode ter outro dono?
Como diremos "fim de cena"?
Melhor eu ir também.
Terminei com a Neslihan.
Sem trabalho.
Sem família.
Deixei todos. Acabou.
Estou sozinho.
Adeus.
Na hora mais escura da noite
Estou onde toda a esperança termina
Na hora mais escura da noite
Patroa.
Olá?
Neslihan! Abaixa isso.
Eu viro a esquina e…
O que foi?
O que foi?
O papai me falou.
Sobre o Kemal.
Vou pagar um raki pra você.
Não estou a fim.
Se der coroa, vamos.
Se der cara, fica aí na fossa.
Deu coroa, nós vamos. Vem.
Tenho que admitir. O Kemal era
um irmão mais velho pra todos nós.
Ele cuidava mais de mim.
"Ele cuidava mais de mim."
Claro, de quem mais ele cuidaria? De mim?
Eu enlouquecia ele.
Você enlouquecia todo mundo.
Você era tão idiota.
Queria que Şahin estivesse aqui.
Esquece o dorminhoco.
Ele dorme depois de dois drinques.
Havia três feras em casa.
Todos vocês implicavam comigo.
O Kemal sempre me defendia.
E então?
E depois? Ele é só fachada.
Não diz isso.
Quem tira a aliança?
- Mexeram com a cabeça dele.
- Não tenta explicar, Neslihan.
Ele está sempre confuso, perturbado.
Não é o único com problemas. Desgraçado.
- Ele te apunhalou.
- Calma.
Cuidado.
Não fale assim. Seja justo.
Influenciaram ele.
Fizeram a cabeça dele,
deixaram ele deslumbrado.
Pelo quê?
Um restaurante ruim.
Agora está feito.
Ele se foi, né?
Ainda estamos aqui.
Seu irmão está aqui.
Vamos esclarecer uma coisa.
Cedo ou tarde, quem causou isso vai pagar.
Os Yanıklars sempre recebem o pagamento.
Conta com isso.
Encurtei os resumos.
Adicionei sugestões de elenco.
- O que Afife foi fazer?
- Deixa ela. Vamos nos concentrar aqui.
Estou bem, mãe. Já falei mil vezes.
Sim, estou trabalhando.
Fiz a prova. Quantas vezes vai perguntar?
Ficarei bem se você ficar, tá?
Eu ligo, prometo.
Afife, o apartamento embaixo do da Ferhan
tem três quartos.
Ela disse que é legal. Vamos ver?
- Vamos caber lá?
- Tomara que sim.
Cadê o Şahin?
Não vim cobrar nada.
E por que veio?
Fizemos um raro favor a vocês.
Estendemos o prazo.
Devíamos ter cobrado
há muito tempo, mas esperamos.
E vocês?
Tentaram seduzir nossos homens.
Que nojento!
- Não viu o cartaz? Estamos vendendo.
- Mas não demorem.
Ou vou expulsar vocês pessoalmente.
Se resistirem, o problema é de vocês.
Ficaremos com a casa.
Deem um passo à frente se tiverem objeção.
- Podem trazer qualquer um.
- Por que está nervosinho?
Tio, não defende eles.
Sobrinho.
Sou muito velho
pra pedir permissão pra defender alguém.
Mas pergunta uma coisa ao seu pai.
O que eu teria feito
se alguém tivesse mostrado
um décimo do desrespeito
que você me mostrou?
Pergunta o que o louco do Muharrem
fez com toda a família de Nusret,
o ferreiro, com um único pé de cabra.
Pergunta por que o apelido
de Nusret é "Aleijado".
Pergunta por que o irmão dele é "Cego".
E pergunta o que acontece
com quem incomoda quem eu amo
num lugar onde eu esteja presente.
Pergunta pra ele.
Uma única lágrima
Rolou pelo meu rosto
Todas aquelas páginas
De palavras não ditas
Derramaram de dentro de mim
Ah, meu amor
Se você pudesse nos levar embora
Será que os traços de suas mãos
Sumiram da minha memória…
Eu estava cansada hoje.
Foi o que deu pra fazer.
Vovó, como assim? É um banquete.
Abençoada seja, mãe.
- Olha a minha garota. Olha a beleza dela.
- Nossa, Neslihan!
- Vai aonde com essa roupa?
- Sempre me visto assim.
Qual é. Vai ver o Kemal?
Mãe, tudo bem se eu sair?
- Aonde vai?
- Tenho um encontro.
E é da sua conta?
Ela só vai tomar um ar fresco.
Vovô, não fica acordado até tarde.
Vai comer e dormir, tá?
Minha querida nora.
Seu pai era um homem e tanto.
- Ele era demais.
- Ele me confundiu com quem dessa vez?
- Até.
- Parece uma princesa.
Vão comer tudo, né?
Se alguém insultasse essa família,
ele incendiaria o mundo.
Como você, pai.
Então, tchau.
- Divirta-se.
- Divirta-se.
- Divirta-se.
- Divirta-se.
Diz, pai.
Quando ele andava por aí,
todos se escondiam de medo.
Tinha um cara chamado Kazım Maluco.
Ele falava mal da nossa família.
Um grandão, sabe?
Um dia, ficaram frente a frente,
e Kazım Maluco mijou na calça.
Seu avô era assim.
Abençoado seja, pai.
BRISA SUAVE DE VERÃO
Você me matou
E matou a parte de você em mim
Nunca quis que fosse assim
Eu perdi, mas você também perdeu
Perdi minha vida
E você me perdeu
Você me matou
E matou a parte de você em mim
Nunca quis que fosse assim
Eu perdi, mas você também perdeu
Perdi minha vida
E você me perdeu
E você me perdeu
Que maldição
Por que eu te amei
Tanto assim?
Você nunca valeu a pena
Nunca valeu a pena
Meus sentimentos mais puros
Finalmente aprendi
Mesmo que tarde demais
Sou uma ferida que não vai sarar
Sangrando dia e noite
Passei meus anos em vão
O botão que desabrochou no meu coração
Se quebrou antes de virar rosa
Esses anos cansativos são culpa sua
Sou uma ferida que não vai sarar
Sangrando dia e noite
Passei meus anos…
Alô? Sim.
- Está inconsciente.
- Risco de hemorragia.
Mulher, 30 e tantos.
A Neslihan?
Monitorando o pulso. Sem batimentos.
Pai?
- Saturação?
- Muito baixa, 72%.
- Glasgow?
- ECG de 6.
- Preparar sangue!
- Alertem a cirurgia!
Mehpare!
Sem som no esquerdo.
O pulmão entrou em colapso.
- Bisturi, tamanho 15.
- Bisturi.
- Tubo torácico.
- Pronto.
Sem batimentos.
Adrenalina. Desfibrilador?
Sem pulso periférico.
Extremidades geladas.
Adrenalina. Preparar desfibrilador.
Se salvarmos o fígado,
será o baço ou a vesícula biliar. E agora?
Um de cada vez, doutora.
Pinça, por favor.
- Sucção?
- Material de sutura pronto?
- Sangramento grave. Estado?
- Choque hipovolêmico.
O choque está piorando. Vamos abrir.
Dois acessos intravenosos.
- Şahin?
- Ela está sendo operada.
- O que houve?
- Um acidente.
Os médicos falaram pro Kartal.
A Neslihan dirige tão bem.
Sinto muito.
- Neslihan Yanıklar?
- Sim.
Alguém fechou ela?
O pneu estourou? Foi acidente, né?
Já olhamos as câmeras.
O carro bateu no muro. Parece intencional.
Não foi acidente?
Temos uma testemunha
que confirma essa versão:
"Ela virou e bateu no muro."
- O que isso quer dizer?
- Você não entende?
Ela bateu o carro no muro!
Ela disse que tinha um encontro.
Minha menina queria morrer?
Não podemos dizer com certeza,
mas tem algo errado. Vamos investigar.
Sem pânico.
- Até mais.
- Até mais.
Kudret, o que estão dizendo?
Mãe, vamos descobrir.
Sibel, ajuda ela a se sentar.
O policial não disse na frente de todos.
Foi tentativa de suicídio.
- Familiares da Srta. Neslihan?
- Sim.
Foi uma cirurgia difícil.
Ainda bem que a trouxeram rápido,
ou a teríamos perdido.
Normalmente, alguém no estado dela
não chegaria vivo.
Mas, como ela chegou a tempo,
sempre há esperança.
Mas tudo pode mudar rápido.
Doutora, me desculpa, mas…
Ela teria um tratamento melhor
em outro hospital?
- Perdoa a pergunta.
- Ela não pode ser levada.
Ela precisa ficar imóvel, senhor.
É bem grave.
Faremos o melhor. Não se preocupe.
Não costumo dizer isso, mas rezem por ela.
Minha filha.
SEU MUHARREM
- Mostra.
- Afife, pode pegar o celular?
- Pega lá. Estou ocupada.
- Poderia estar melhor.
Tá bom.
Ele está fazendo um bom trabalho, né?
Sim, seu Muharrem?
Sim, está mesmo.
O quê?
O quê?
Como foi?
A Neslihan.
Ela me mandou isto
enquanto dirigia pra morte.
"Me tornei órfã agora."
Eu não vi.
- O que aconteceu, Şahin?
- Nada.
Todos querem vir.
Falei que foi acidente.
Falei: "Papai quer que esperem."
- Vovó, quer comer alguma coisa?
- Não, meu bem.
- Vovó, não comeu nada.
- Isso não devia ter acontecido, Kemal.
Filho.
- Ela não parecia do tipo que faria isso.
- Ela parecia louca.
Todos que parecem loucos batem num muro?
Leva isso.
Srta. Afife.
O senhor que comprou o prédio.
Não liga pra gente. Vamos dar uma olhada.
Tá, Sr. Hüseyin.
Ali pode mostrar a casa, se quiserem.
Ali, pode ajudar o corretor?
Por aqui.
Eles terminaram.
O Kemal e a Neslihan.
O Kemal rompeu o noivado
e abandonou a família.
Foi por minha causa.
Olha pra mim.
Está falando besteira.
Não seja boba.
Toma, leva isso.
O Sedat está encarando, parece chateado.
Depois volta com a cabeça fria.
Precisamos falar da apresentação.
Anda, não me irrita.
Se perguntarem na reunião
do que se trata essa história,
eis o resumo longo.
A heroína Leyla, dona de restaurante,
pega dinheiro emprestado de agiotas.
Com problemas no restaurante,
ela atrasa o pagamento.
Aí, ela se apaixona
pelo agiota bonitão Mustafa.
Kemal, como ela está?
Vamos trocar o soro dela.
E também cuidar da ferida.
Precisamos sair?
Mas ela está melhorando.
Não temos prazo, mas há esperança.
Não falei muito bem,
mas essa é a essência.
- O que acha?
- O que posso dizer?
É o que o público quer. Parabéns.
Flui bem. É uma boa história.
Mas…
- Sempre tem um "mas", né?
- Sim.
Pelo que entendi,
eles se separam no final.
Por que isso? Por que não um final feliz?
Fizemos tudo o que pediu.
Você queria amor, colocamos amor.
Romance entre o agiota e a garota? Sim.
E daí? Fiz mal em perguntar?
Não sei.
Mas não vamos mudar o final.
Não vai funcionar.
Esses dois…
Não podemos. Essa é a minha condição.
Tem certeza?
Tenho.
Por quê?
Porque…
amar é perder.
Kemal…
Kemal.
Kemal.
Kemal.
Estou aqui.
Bem-vinda de volta, Neslihan.
Kemal?
Estou aqui.
- Quanto tempo vai levar a recuperação?
- Ela vai precisar de fisioterapia.
- Vai demorar.
- E seus planos?
Vai me mandar esperar.
Não perguntei por isso.
Seu dinheiro está no banco.
E vai ficar lá até quando quiser.
Pensa nisso.
Espera um pouco. Não se apressa.
Descansa um pouco.
- Ferhat, uma pergunta.
- Sobre o dinheiro no banco?
Sim.
Precisa usar pra outra coisa.
Será suficiente?
Andei perguntando. Será, sim.
O dinheiro é seu, pode usar como quiser.
Não é da minha conta.
Eu te pago depois.
Você não me deve nada, mas e depois?
O que vai fazer?
Temos o dinheiro.
Não foi fácil, o mercado está um caos.
O advogado está aqui.
- Assinaremos os papéis no cartório.
- A documentação está pronta.
Marcamos no cartório de imóveis.
Vamos prosseguir.
Vai mesmo demolir o prédio?
- Precisa mesmo?
- Sim.
- Está caindo aos pedaços.
- E as licenças?
Senhora, por favor.
- Tá bom, então.
- Primeiro as senhoras.
Srta. Afife.
Vem cá.
O dinheiro chegará em duas horas.
Vem cá.
- Com licença.
- Claro.
Sinto muito.
Pela Neslihan.
Toma.
O que é isso?
- Melhor não nos atrasarmos.
- Melhor mesmo.
O papel que mamãe assinou.
Sim, o original.
Por quê?
A dívida foi paga.
Não temos mais negócios com você.
Foi paga como?
Quem pagou?
Pega logo o papel.
Queima, rasga ou come.
Faz o que quiser.
Vamos sair da vida um do outro.
Quem pagou?
Entra.
Tem cinco minutos?
Pra você, tenho cinco horas, Kemal. Entra.
A dívida do restaurante, da dona Perihan.
Pode contar.
- Não sei quanto elas devem.
- Tio.
Que alma generosa pagou?
A Neslihan disse
que não tinham um centavo.
Parece que perdemos o prédio.
É o destino.
Foi o Kemal?
- Quem mais seria?
- Como?
Claramente não foram vocês.
O Kemal é cheio de segredos.
Cuidado com o que vai descobrir.
Fica longe da gente.
Não seremos bonzinhos na próxima.
Estamos vendendo o lugar
porque devemos dinheiro.
Longa história.
Infelizmente, tivemos alguns contratempos.
A culpa foi minha, mas…
A Afife está vindo.
Afife, o que foi?
Desculpem a confusão,
mas decidimos não vender a casa.
Vamos ficar.
Como assim?
Precisamos proteger algumas vozes daqui.
As vozes da minha mãe.
Lamento.
O que aconteceu, Afife?
Não foi o que combinamos.
Todo mundo está animado de novo.
- Que bom que acabou.
- Obrigada.
Não é só a salvação
da casa e do restaurante.
É também a libertação de Perihan Kazan.
Chega de cozinhar, de cebola e de alho.
Bom apetite!
- Posso ir pra Alemanha?
- Quem vai pra onde?
Sou de Berlim.
Você é adulto. Vai pra onde quiser.
Viu, irmã? Você é razoável quando quer.
- Vou falar pra Fidan.
- Acha um lavador de pratos antes.
E precisamos achar um chef ainda.
Juro que vou chorar de felicidade.
Baturay, por favor.
Vai chorar num canto sozinho.
Seu avô é um cara estranho.
Depois de toda aquela conversa,
ele pagou a sua dívida?
Ele estava um pouco emotivo
quando fomos lá.
O vovô é assim.
Tenho uma novidade,
mas tá barulhento aqui.
Também tenho uma novidade pra você.
- Segura aqui.
- Tá bom.
Já volto.
- Kemal?
- Afife.
Por que não atendeu?
Desculpa.
Podemos nos ver amanhã?
Você decide.
- Tenho uma pergunta importante.
- Qual?
Então, agora,
não vou levar Şaban, né?
Baturay, cala a boca.
Tá bom.
Pode ir, se quiser.
- É sério.
- Pra Berlim?
Eu tenho outros planos.
- Que planos na sua idade?
- Voltei a falar com minha mãe, sabia?
Sim.
O lance do padrasto… Acabou.
Ele foi embora. Minha mãe expulsou ele.
Preciso ir vê-la.
Acho que quero voltar pra faculdade.
O trabalho no restaurante
é bom até certo ponto.
Meus planos são mais locais que os seus.
Então não vou mais te ver?
Você vai pra Berlim.
Não ia mais me ver mesmo.
Mas manteremos contato.
Dizem que ficar longe
de algo que você ama é bom.
- Quando se reencontram, é mais…
- O quê?
Lindo.
Acho que quero te beijar de novo,
mas, se você se afastar de novo,
vou pra Berlim com o coração partido.
Então tenta.
Ei, cebolas! Não me olhem assim.
Esse é o fim.
Não vamos mais nos ver.
Não estou triste.
- Seu Muharrem?
- Dona Perihan.
O senhor voltou?
Nunca fui embora.
Deixa as cebolas comigo.
Fica com as abobrinhas.
Vamos ficar.
Sim, fiquei sabendo.
Se eu parasse de trabalhar aqui,
o senhor continuaria?
Estamos nessa juntos, dona Perihan.
Se for embora, eu também vou.
E o que é um restaurante
sem uma cozinheira?
E se chamarmos de "chef"
em vez de "cozinheira"?
Chef?
Tá bom.
Afife.
Por que não atende? Liguei seis vezes.
Não vai nem pedir chá?
- Um chá!
- É pra já.
O que você fez?
O bairro inteiro comemorou ontem.
Parecia até um desfile,
só porque nossa dívida mudou de mãos.
É muito dinheiro, Kemal.
Como vamos pagar de volta?
- Obrigada.
- Vocês não me devem nada, tá bom?
Vamos te pagar de volta.
Pode demorar um pouco.
Talvez possamos parcelar.
Vendemos a série.
Vamos ganhar dinheiro com isso também.
Mas não será suficiente.
Vamos acabar vendendo o prédio.
Podemos manter o restaurante.
Eu duvido, mas…
Bem, se esperar um pouco, nós…
Tudo isso aconteceu
pra ficar com o prédio, né?
Sua mãe disse: "Vozes entram pela janela."
Seria grosseiro com essas vozes.
O lugar é de vocês. Tem que ser assim.
O que sua mãe disse me fez pensar.
Nunca senti que eu pertencia
a ninguém, a nenhum lugar até agora.
Sentir-se desabrigado, mesmo na sua casa…
Nossa…
É insuportável.
Minha casa não parece minha.
Meu pai não parece meu pai.
E minha mãe? Onde ela está?
Quem é ela?
Por um momento,
me senti em casa quando estava na prisão.
Senti ainda mais na sua casa.
Eu adoro tudo naquele restaurante.
Adoro os animais.
Adoro cada planta.
Tipo…
Quando fui à sua casa, só senti amor.
Você não me deve nada.
Salvei o lugar
onde me senti em casa pela 1ª vez.
A dívida acabou.
Mas como a Neslihan está?
Ela está bem. Digo, ela vai ficar bem.
Só precisa de tempo.
É muito difícil.
Pra você.
Pra sua família.
Pra ela.
Kemal, queria te trazer
pra esse mundo que você tanto ama.
Sem me preocupar com o que o amanhã trará.
Mas o certo a se fazer…
Que saco ter sempre que fazer o certo!
Mas você precisa voltar
pra pessoa que te ama
e cuida tanto de você…
que deu a vida por você.
Se você abandonar ela
e não voltar…
pra sua família…
Se ela não se recuperar…
nenhum de nós
vai suportar esse peso, não é?
Adeus, Kemal Yanıklar.
De verdade, desta vez.
Oi, seguidores das aulas de roteiro.
Resumidamente, quero dar uma pausa.
Preciso terminar um roteiro,
mas tem uma boa chance
de a gente estragar tudo.
Estou em apuros. Veremos.
Antes da pausa… Ah, e também…
Quero tirar umas férias. Estou exausta.
Uma última observação pra vocês.
Nas nossas aulas,
vejo que discutimos muitas coisas.
Agora vocês sabem
as regras da estrutura dramática.
Uma tarefa na minha ausência:
quebrem todas as regras que falamos.
Escrevam a história que querem.
Não ouçam ninguém.
Dizem que romances de um dia
não são reais.
Quem disse?
São reais.
Mas como?
Cabe a vocês descobrir. Trabalhem nisso.
Amar é mesmo perder, às vezes?
É, sim.
Nem toda história tem um final feliz.
Finais felizes são supervalorizados.
Felizes pra quem? De acordo com o quê?
Que os apaixonados não se reencontrem.
Ou que o reencontro seja incompleto.
Que o bem e o mal se confundam.
Escrevam como quiserem.
Que cada um esteja certo do seu jeito.
Yanıklars, levantem-se.
Vamos tirar uma foto de família.
Venham.
Não sei. A caneta está na sua mão.
Façam alguma coisa.
Venham.
Fiquem na frente.
Quer escrevam sobre alegria ou tristeza,
sobre escuridão ou luz,
escrevam o que sentem.
Não acharemos respostas às perguntas.
Por enquanto.
Talvez achemos depois, quem sabe?
Tudo é possível.
Como falei, vocês decidem e escrevem.
Vamos ver o que acontece,
aonde essa estrada nos leva.
Mas criem
personagens lindos e convincentes.
Acreditem neles.
E eles acreditarão em você.
Amem eles.
E eles vão amar você.
Isso não garante
que a história será boa, é claro.
Não deu certo? Não importa.
Escrevam outra. De novo e de novo.
E mandem me procurar
se disserem que não funcionará.
Vou contar uma história.
Talvez assim se convençam.
Ou então não há nada a ser feito.
Tá? Prometam que vão escrever.
Escrevam as perguntas nos comentários
que eu vou responder.
Mas não imediatamente.
Primeiro, as férias.
Boa sorte a todos.
Me desejem sorte também.
Adeus.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi